21 de janeiro, 2026

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Como iceberg gigante isolou (e dizimou) população de pinguins na Antártida

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Cerca de 14 mil filhotes da espécie pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri) morreram na Antártida por conta de um gigante iceberg. A massa de gelo com quase 14 km de extensão bloqueou a passagem de pinguins adultos até a colônia da Ilha Coulman, impedindo que eles alcançassem seus filhotes.

Observações de campo feitas pelo Instituto Coreano de Pesquisa Polar (KOPRI) mostraram que o gelo obstruiu uma passagem crucial que liga a área de reprodução dos pinguins ao oceano aberto. Com o evento, a população de novos filhotes caiu de 21 mil no ano passado para 6,7 mil nesta temporada de 2026.

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Colônia sem saída

A tragédia na Antártida teve seu início bem antes, em março de 2025 – quando o iceberg gigante se desprendeu da plataforma de gelo Nansen, no Mar de Ross. Segundo destaca o Popular Science, o bloco derivou para o norte antes de encalhar na Ilha Coulman e interromper a rota migratória dos pinguins, fazendo com que as taxas de sobrevivência da colônia caíssem em 70%.

Aproximadamente no mês de junho, as fêmeas de pinguim-imperador rumam para o mar em busca de alimento enquanto os machos permanecem incubando os ovos das ninhadas. Dessa forma, a sobrevivência dos filhotes depende do retorno de suas mães, que trarão a primeira refeição de suas vidas. Porém, não foi isso que aconteceu no final de 2025.

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Gelo obstruiu uma passagem crucial que liga a área de reprodução dos pinguins ao oceano aberto (Foto: Divulgação/Kopri)

“A inclinação suave da encosta do iceberg em direção ao mar torna-o acessível, mas a borda voltada para a área de reprodução forma um penhasco íngreme. As fêmeas que seguiam sua rota habitual sobre o gelo marinho se depararam repentinamente com essa barreira intransponível”, explica Jeong-hoon Kim, líder de uma das equipes de pesquisa do KOPRI, em entrevista ao Popular Science.

As consequências, observadas por imagens de satélite e de drones acima da colônia, foram catastróficas. Machos que aguardavam o retorno das fêmeas se dirigiram à borda do penhasco de gelo e permaneceram impossibilitados de salvar seus filhotes.

Muitos morreram ao serem levados ao seus limites fisiológicos. De acordo com os pesquisadores, apenas 30% dos filhotes sobreviventes foram alimentados pelas mães que conseguiram achar rotas alternativas ao bloqueio do iceberg.

Bloqueio causado por iceberg gigante impediu que filhotes fossem alimentados por suas mães (Foto: Divulgação/Kopri)

A colônia pode se recuperar?

“Se o iceberg se dissipar antes da próxima temporada de reprodução, há potencial de recuperação. Mas se o bloqueio persistir, podemos ver impactos a longo prazo, incluindo a realocação forçada de toda a colônia”, diz Kim a respeito do que é considerado um santuário vital para os pinguins-imperadores no Mar de Ross.

Os pesquisadores do KOPRI alegam que eventos desse tipo, apesar de ainda se tratarem de uma anomalia, são um prenúncio do que está por vir: o aquecimento global aumenta a ocorrência de desprendimento de icebergs, o que pode acarretar que mais bloqueios desse tipo ocorram.

A equipe já observou um outro iceberg de 14 quilômetros que passou perto do Cabo Washington, outro importante local de reprodução. Uma colisão futura nessa área poderia desencadear outra morte em massa de pinguins.

“As trajetórias dos icebergs que se desprendem da plataforma de gelo Nansen frequentemente atravessam outros habitats importantes. Isso indica que a desintegração de plataformas de gelo representa uma ameaça latente, porém potente, para os pinguins-imperadores e outros animais selvagens da Antártida”, diz Jin-ku Park, pesquisador que analisa dados de satélite do KOPRI.

A imagem capturada por drone mostra o bloqueio geográfico causado pelo iceberg qu4e isolou a colônia de pinguins (Foto: Divulgação/KOPRI)

Fonte: Um Só Planeta

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