Como a nova tendência de home office impacta o mercado imobiliário?

Este ano, o trabalho remoto foi implementado em diversas profissões. Dessa forma, os colaboradores poderiam trabalhar de maneira segura e sem precisar ir à empresa. Por causa dessa movimentação, as pessoas precisaram adaptar um espaço em seu apartamento ou casa para funcionar como local de trabalho.

Entretanto, as mudanças vão além. Com a tendência do home office, as exigências em relação aos imóveis estão mudando. Se, em uma época, os estúdios e os apartamentos compactos fizeram sucesso, agora, o espaço amplo ganha o protagonismo. A seguir, entenda melhor sobre as mudanças no setor.

Localização deixa de ser fator principal

A localização do imóvel é um fator fundamental para quem mora em grandes centros. Residir perto do trabalho ou em um local com fácil acesso ao transporte público, como metrô ou diferentes linhas de ônibus, por exemplo, é essencial para quem quer diminuir o tempo de locomoção no dia a dia.

Dessa forma, os imóveis bem localizados costumam ter um preço maior e, em muitos casos, as pessoas investem um valor alto para morar em locais com pouca estrutura, apenas porque possuem boa localização. Entretanto, isso pode mudar com a tendência do trabalho remoto, já que diversas empresas estão considerando manter o home office no futuro.

Em alguns casos, o trabalhador precisará comparecer apenas uma ou duas vezes na semana ao escritório. Com isso, há maior liberdade para escolher um imóvel maior, em um bairro mais afastado, mas que seja capaz de suprir todas as necessidades do consumidor.

Por muito tempo, morar na capital era sinônimo de oportunidades, e as pessoas faziam planos para viver no interior apenas quando se aposentassem. Entretanto, com a tendência do home office, muitos trabalhadores estão se permitindo sair da capital.

Cidades como Atibaia e Barueri, por exemplo, sempre foram visadas pelos moradores que não tinham coragem de mudar definitivamente. Com o trabalho remoto, isso é possível, uma vez que elas são próximas à capital e, mesmo se for necessário ir ao escritório algumas vezes na semana, não será nada inviável.

As capitais não devem esvaziar completamente, mas há um movimento de descentralização acontecendo, principalmente, no que se refere aos bairros mais caros e com boa localização. Outra opção que está sendo buscada por muitos brasileiros são as chácaras e os condomínios, que permitem casas amplas e com quintal.

Preferência por imóveis maiores cresce

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8,8 milhões de pessoas estão trabalhando de forma remota. Na maior parte dos casos, elas precisaram adaptar um ambiente da residência para funcionar como escritório. Afinal, o home office não era comum no país, nem havia um cômodo destinado a isso.

Além disso, a necessidade de espaço ficou evidente. A busca por casas e coberturas aumentou, assim como a venda desses imóveis. Se o brasileiro vai passar mais tempo dentro de casa por causa do trabalho, ele quer fazer isso de maneira confortável.

Outro fator que o consumidor brasileiro está buscando são imóveis com áreas para home office. Apartamentos e casas com, pelo menos, três quartos são uma grande tendência, permitindo a adaptação desses cômodos. Além disso, é possível observar que o quarto de empregada deixa de integrar a planta das residências, e as varandas seguem sendo requisitadas pelos compradores.

Número de vendas aumenta

No primeiro semestre de 2020, foram vendidos 160 mil imóveis em todo o Brasil, um volume 24,4% superior ao de 2019. Além das novas demandas dos consumidores, outros fatores estão influenciando o mercado imobiliário neste momento, como a Taxa Selic a 2% e os juros bancários favoráveis.

Esses pontos são fundamentais para o aumento de vendas, uma vez que os compradores encontram condições favoráveis para os financiamentos. Dessa forma, é possível que o setor imobiliário consiga se recuperar dos resultados ruins dos últimos anos.

Conteúdo produzido para o Jornal Leia Notícias

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