Artigo: Quarto 101 – Por Lourival Panhozzi

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Esta semana foi diferente. Com um irmão hospitalizado a 10 dias no quarto de número 101. As visitas, que lá adentraram, se recordaram de, naquele mesmo espaço, terem perdido alguém. Contaram com naturalidade os momentos finais, deram contornos e cores a realidade, fazendo o enfermo do momento ver o brilho do querer viver.

Percebi que onde se morre e onde se vive é o mesmo lugar, no tempo e no espaço. Caminhamos no intervalo destas dimensões, desatentos quando saudáveis, temerosos na enfermidade.

Meu irmão é parte de mim, dentre todos os familiares, somente irmãos tem o mesmo sangue. Quero meu irmão ao meu lado sempre, mesmo quando a “indesejada das gentes” chegar, para um ou para o outro.

Aqui, na sala de espera do centro cirúrgico, ao lado de faces desconhecidas e sentimentos iguais, aguardo… em silêncio. Observo de tempo em tempo o levantar olímpico de cada pessoa, quando um médico chega na porta e chama por um acompanhante para informar sobre o desfecho de uma cirurgia. A vida em um segundo. Histórias que findam, se renovam ou simplesmente continuam.

Hospital, velório, cemitério. Não existe melhor lugar para se encontrar consigo mesmo. Hoje achei um pedaço do que sou, no enredo de muitas histórias.

Busco, todos os dias, ver na rotina banal o brilho das realizações infinitíssimas, enquanto meu corpo é ainda corpo e meu pensamento é livre.

Das minhas escolhas faço, no silêncio da noite, uma reflexão. Ela me corta e faz a alma sangrar recordação. Me vejo do outro lado do muro, hora só partes, hora inteiro.

Convertido não quero ser a nenhuma crença pronta. Busco é a luz do conhecimento, não o poder de afirmar, estar certo. Enquanto aprendiz, escolho meus caminhos e nenhuma cripta me detém.

Quando trasmundano for, espero te reencontrar e poder te dizer, meu irmão, que meu tempo a seu lado foi sempre iluminado.

Enquanto lá não chego, busco viver em paz com Deus e com meu vizinho, para assim, como ensina Zaratustra, ter um bom sono, mesmo quando sozinho.

Os sábios ensinaram que: “Aquele que revisou seu aprendizado 101 vezes, vale, incomparavelmente, mais que aquele que o fez apenas 100”.

Esta é a lição que levo do quarto 101.

 

* Lourival Panhozzi é empresário, Diretor Funerário – Pres. Abredif/Sefesp -, Diretor do CTAF, Sistema Prever e Solucard.

 

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