Artigo: Onde Estarão? – Terra, Água, Fogo, Ar – Por Lourival Panhozzi

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Os quatro elementos não são somente símbolos ou conceitos abstratos, que nos remetem a sensações e impressões, são também forças vitais que se manifestam em toda a criação e que podem ser percebidas pelo sentido físico.

Nesses últimos dias pudemos sentir o sopro da morte de forma avassaladora. Em Brumadinho, avalanche de lama (terra). No Rio de Janeiro, chuvas (água).

No Ninho do Urubu do Flamengo, incêndio (fogo). Com a queda do helicóptero em que estava Ricardo Boechat (ar).

Des(a)tino cruel, que resultou em tantas perdas, divulgadas à exaustão, sequencialmente, em um espaço de tempo tão curto, como se a morte de repente fosse acometida de uma pressa descabida.

Coincidência, ou não, mortes embaladas pelos 4 elementos, liberando em nós uma consciência coletiva de luto e um sentimento de que fomos derrotados pela “indesejada das gentes”.

Mortes coletivas ou brutais nos levara a pensar na nossa própria morte e na daqueles que amamos. Nas escolhas que a Libitina multifacetada faz, sem critérios nem apegos, sempre de forma impositiva.

As imagens deram uma nova cor e forma a morte.

Mostraram com realismo como as pessoas partiram, suas histórias e sonhos interrompidos, de repente nos tornamos íntimos de quem nunca conhecemos, entramos em uma atmosfera de desolação, multiplicada pela memória, rotulada pela dor que já sentimos com perdas passadas. Impossível não nos transportamos para o mesmo lugar, tanto dos familiares, quanto das vítimas. Por um segundo estivemos lá, mas parece que foram anos.

Onde estão “eles” agora? Enganam-se aqueles que pensam que estão simplesmente desaparecidos ou sepultados.

Eles estão em nossas lembranças, protegidos e guardados.  A morte é do corpo, a essência que é eterna não morre…

Assim como uma criança que pergunta:

— Pai, onde fica o Paraíso?

— Muito mais longe.

— Quanto tempo, pai?

— De bicicleta?

— Não, pai.

— Não sei meu filho, mas em pensamento deve ser mais rápido.

Ficamos nós também a questionar. Como pode acontecer? Quem foi que errou?

Quando não encontramos culpados, nos sentimos culpados.

O desconforto psicológico nos fez despertar uma catarse emocional.

A catarse emocional é um processo no qual nossas emoções se mostram da forma mais pura.

No caso em tê-la em razão de encontrar uma dor sem nome, que nos fez se abraçar, mesmo sem se tocar.

Cada ato nosso, cada palavra, ação ou reação, ajuda a desenhar o roteiro do nosso desligamento corpóreo. Cada morte nos faz outro, até que sejamos iguais. Nesse início de ano, pela força da terra, da água, do fogo e do ar, nos aproximamos. Mais iguais ficamos.

 

* Lourival Panhozzi é empresário, Diretor Funerário – Pres. Abredif/Sefesp -, Diretor do CTAF, Sistema Prever e Solucard.

 

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