Artigo: Dragão de olhos de fogo – Por André Balbi

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 Estou participan­do, parcialmente e no tempo dos dias que os dias permitem, do Con­gresso Paulista de Ne­frologia, especialidade médica que já exerço há quase 30 anos e que se incorporou em mim como uma carac­terística física própria. E nestes dias de idas e vindas, em que precisa­mos dividir o tempo em fatias mais ou menos gordas entre um local, a estrada e outro, fico pensando no momento em que estamos viven­do. Questionamentos e necessidade de com­provações vindas de to­dos os lados fazem nossa cabeça girar em velocida­de proibida por lei e um imenso ponto de interro­gação se instala a nossa frente a cada momento, nos fazendo pensar em qual será e quando tere­mos o próximo desafio.

Médicos gestores de equipamentos públicos de saúde e médicos or­ganizadores de eventos científicos como este que estou participando tem características comuns. Acreditamos no que esta­mos fazendo, apesar das imensas dificuldades que enfrentamos. Conversan­do com amigos também nefrologistas e organi­zadores deste evento, percebo as semelhanças nas dificuldades que eles relatam. É como lutar a cada dia contra um dra­gão diferente, que solta fogo pelos olhos e muda de cor a cada momento.

Penso que, para enfren­tarmos qualquer dragão precisamos de um grupo que saiba trabalhar em conjunto. É como se esti­véssemos jogando o jogo da forca onde o dragão nos coloca as palavras que precisamos descobrir a partir da quantidade de letras que elas possuem e a equipe pensa junto, usando a habilidade de alguns, o conhecimento de outros e a capacidade de síntese de vários. Mas nem sempre isto aconte­ce. Talvez nossa incapa­cidade de transformar o individual no coletivo nos leva a discordar das pa­lavras que o dragão nos apresenta no jogo que nos propõe. Daí a derrota torna-se inevitável.

Na complexa gestão de um HC como o nosso, onde gestores e médicos se confundem e se com­pletam a todo momento, é preciso extrair de cada colaborador a vontade de vencer o dragão. Pena que nem sempre conse­guimos.

Mas o que nos move para sermos gestores, organizadores de con­gressos, médicos para todos, enfrentadores de acusações muitas vezes injustas e respondedores de pareceres que nos colocam em situações incômodas? Não tenho a resposta mas acredito que ela esteja dentro de nós mesmos. Somos inconformados.

E de tão inconforma­dos que somos, acaba­mos mantendo nossa capacidade de transfor­mar a opinião contrária em argumento favorá­vel, de acharmos as res­postas adequadas aos que nos questionam e, de modo lento e con­solidado, juntar os pe­daços soltos da gestão e movê-los de forma a construir um painel único capaz de vencer os dragões de cores diferentes e olhos de fogo que nos ameaçam.

** Dr André Balbi é médico nefrologista, professor associado de Nefrologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e atual Superintendente do HCFMB

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