Artigo: Dissimilitude – Por Lourival Panhozzi

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Artigo: Dissimilitude – Por Lourival Panhozzi

Casar com uma jovem senhora, quase 3 décadas mais nova, é uma viagem alucinante de autoconhecimento, imposto pelas diferenças desnudas. Reveladas, não pela dimensão do tempo, mas pelo despertar para realidade que nos afaga todos os segundos do relógio de nossa existência. Descobertas, não pelo julgamento febril de terceiros, mas, pelo nascer de novos pensamentos e sensações. Estes sim, distintos, personalíssimo.

Me sinto esquiando, desviando de obstáculos, procurando caminhos, enquanto o vento frio me refresca o rosto e tira todas as ideias preconcebidas, que uma sociedade despercebida dos verdadeiros valores impõe como rótulos, que para ela são parâmetros difíceis de transpor.

Enquanto desço essa montanha de neve, me sinto livre para escolher, sei que no final poderei capotar espetacularmente, mas, nada pode me afastar de querer entender, descobrir o prazer de me conhecer.

Nesta relação não me cabe julgar, nem querer impor vontades, quero nela apenas ver, o desabrochar do respeito ao pensamento de cada um e a compreensão de cada gesto, como sendo necessária a escalada da montanha, que subimos juntos, cada um na sua velocidade e ritmo, mas sempre com objetivo comum, de se encontrar na chegada.

Meu corpo não quer outra morada, meu coração não busca outro calor, mas meu pensamento continua rebelde e anarquista, não aceita grilhões nem limites, não tem lar nem paredes que o impeça de viajar.

Casei por amor, por interesse e desejo de me sentir realizado e feliz ao lado de uma linda mulher, estou descobrindo, ao lado dela, que menos de mim é mais de nós, me auto lapidando. Ao entalhar meu cotidiano com decisões novas, arranco lascas, fatias do meu orgulho instintivo e primitivo. Sangro.

Percebo que irá, em algum momento, nascer uma nova pessoa em mim, ela ainda é desconforme e abstrata, figura de um ser que um dia espera merecer, o grande e verdadeiro despertar da consciência.

Quanto às 83 dificuldades que Gautama disse que, com a qual todos temos que conviver, certamente 82 vem no pacote de presente do casamento, mas descobri que dói menos quando se percebe que o fim está no final, não no trajeto. Que se não podemos fazer a diferença para os outros, podemos ser a dissimilitude de nós mesmos e viver as primeiras vezes, intensamente.

* Lourival Panhozzi é empresário, Diretor Funerário – Pres. Abredif/Sefesp -, Diretor do CTAF, Sistema Prever e Solucard.

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