Artigo: Armadura e Amizade – Por André Balbi

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Esta semana presenciamos a despedida de um diretor do HC muito querido por todos nós. Por motivos particulares, o Dr. Carlos nos deixou para passar um tempo em São Paulo. Tempo definitivo ou temporário, não sabemos ao certo. E em uma reunião simples no final de uma destas tardes, embriagados de café e suco de laranja, falamos para ele de sua importância para cada um de nós.

O Dr. Carlos participou de vários momentos importantes da gestão da saúde nesta região. Lembro quando ele seguiu em caravana para Bauru, para fincar naquela terra ainda distante o mastro da Famesp e de nossa Faculdade de Medicina, auxiliando o Hospital Estadual local virar realidade. Depois vieram a DRS-VI, a Secretaria da Saúde de Botucatu, nosso Hospital Estadual e, nesta gestão, o apoio ao SARAD e a assistência prestada pelo nosso HC. Sempre de bom humor e cheio de paciência, conversou de forma incansável com vários vizinhos e parceiros de dificuldades semelhantes.  Leveza e espontaneidade levados ao grau máximo.

Nesta reunião estava uma mulher que veste uma armadura poderosa e que a protege de mostrar alguns sentimentos. Lá estavam, armadura e mulher, observando o que se passava, dispostas a enfrentar cobranças, fornecedores, contratos, pendências e lamentos. Sempre que as observei, achei que um dia seria descoberto um dispositivo de segurança que, se acionado, desmontaria a armadura que cairia, então, sobre a cabeça da mulher na forma de véu. Mas isto nunca aconteceu.

Começou a acontecer naquela tarde do café e do suco de laranja, quando suas lágrimas impediram sua fala. E a amizade, este sentimento nobre e fiel que nos envolve com poucos, foi a chave para que a armadura desmontasse de vez. Livre, a mulher conseguiu não falar, mas escrever.

E sem sua permissão, por isto não a identifico, ela escreve para o amigo de longa data o que reproduzo a seguir, fielmente.

“Carlão alguns sentimentos os seres humanos normais não conseguem expressar em palavras, imagens ou músicas. Acredito que Deus tenha colocado os artistas no mundo devido a esta grande falha. Vou me arriscar a escrever algo para não deixar no “vácuo” as lágrimas de hoje à tarde. Sei que você será substituído em suas funções com competência, porém será quase impossível repor nessa equipe suas principais características: doçura, pureza e gentileza. Mais que um colega de trabalho, ex-chefe, professor ou médico, você é e sempre será meu amigo, o mais doce deles. Para o colega de trabalho desejo toda a sorte do mundo, para o amigo a felicidade!”

Acho que depois destas palavras, eu é que fiquei sem ter mais o que escrever.

 

Dr. André Balbi é médico nefrologista, professor associado de Nefrologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e atual Superintendente do HCFMB.

* Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal Leia Notícias.

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