Artigo: Aguardando o próximo* – Por André Balbi

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A espera do próximo traz um misto de an­siedade e expectativa. Quanto antes o próxi­mo chegar, mais cedo ocorre o esperado. Ou pode não ocorrer. E esta dúvida do que pode acontecer quando o próximo chegar ali­menta a ansiedade da espera.

Aguardar a chegada do próximo é arrumar o quarto desfeito de nos­sa memória, empilhar as louças lavadas de nos­so cotidiano e colocar as roupas das gavetas em ordem. Ordem para partir ou ficar. E se ficar, guardar no bolso algo importante para mostrar quando o próximo, certa­mente, voltar.

Escrevo isto pensando no show que assisti há al­guns dias, com as músicas do chamado “Clube da es­quina”, grupo de amigos mineiros surgidos na dé­cada de 70 que teve como seus líderes Milton Nasci­mento e Lô Borges. Deste grupo surgiram inúmeros compositores talentosos e dezenas de discos an­tológicos. Dentre estes, os chamados “Clubes da esquina I e II” e, mais de 40 anos depois, o show atual com o mesmo nome. É como se o próximo che­gasse vindo do passado mostrando não seu rosto antigo, mas sua cara atu­al. E assistir Milton Nasci­mento cantando, sentado por sua condição física debilitada, mas com a voz corajosa de sempre, me dá certeza que o próximo pode ser aquele que já chegou.

Penso no que pode ter acontecido nestes 40 anos que separam os dis­cos que tanto ouvi e este show que acabei de as­sistir. Penso nas pessoas e seus destinos, levados pelos ventos que podem ser fortes em uma úni­ca direção ou leves de modo a desarrumar apenas os obstáculos mais frágeis.

E vendo a vida, as pessoas e o mundo mu­darem, vamos mexendo e remexendo a mala empoeirada do passado e comprando o destino no futuro.

* Dedicado ao próximo texto que devo escrever e que será o 100º publi­cado neste espaço.

**Dr André Balbi é médico nefrologista, professor associado de Nefrologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e atual Superintendente do HCFMB.

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