Artigo: A volta dos sabiás * A independência dos passarinhos * – Por Dr. Francisco Habermann

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Até parece que os pássaros contrariaram o poeta quando este falou que os sabiás canta­vam no campo, nas palmeiras. Hoje, os sabiás cantam em nos­sos quintais, logo de manhã. E não chegam sós. Acompanham orquestra de outros plumados e enfeitam feriados nacionais como o desta semana, pois es­tão presentes nas praças e en­cantam. Por isso, esta ave cano­ra recebeu homenagem cívica.

O sabiá é referido como ave símbolo do Brasil. Mereceu até um decreto do presidente Fer­nando Henrique Cardoso, em 2002. Juntou-se oficialmente aos outros quatro símbolos na­cionais – a bandeira, o hino, o brasão de armas e o selo, pas­sando a ter a mesma importân­cia deles na representação do Brasil.

Segundo o ornitólogo Johan Dalgas Frisch (mentor do de­creto presidencial), são 12 as de sabiás no Brasil, sen­do que o pássaro assume outras denominações em regiões dife­rentes. Assim, ele tanto pode ser caraxué (Amazonas), sabiá-coca (Bahia), sabiá-laranja (Rio Gran­de do Sul) e ainda sabiá- de-barri­ga-vermelha, sabiá-ponga e sabi­á-piranga em lugares diferentes.

É ave de canto muito apreciado, que se assemelha ao som de uma flauta. Canta principalmente ao alvorecer e à tarde. O canto serve para demarcar território e, no caso dos machos, para atrair a fêmea. A fêmea também canta, mas numa frequência bem me­nor que o macho.

Enquanto a fêmea choca no ninho o macho canta distante, noutro galho ou árvore. Isso desvia os predadores da prole e a protege. Dizem os entendidos que o canto do macho é captado pelo embrião ainda dentro do ovo, o que garante o aprendiza­do precoce da pureza melódica desses pássaros canoros.

Essa riqueza encanta e foi imortalizada na “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias ( Ma­ranhão, 1823 – 1864, em nau­frágio fatídico para o poeta ):

“Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores. ( …)”

O passarinho, cantando, man­teve sua independência. O poeta, sonhando, viu o Brasil afundar à sua frente…

Ah, não queria falar do nosso sofrido país. Só dos sabiás… !

* Dr. Francisco Habermann é ex alunoda 1ª. Turma de Medicinada FCMBB, docente aposentado da atual FMB-UNESP. Professor da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu

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