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Conhecidos pelo canto valorizado em torneios e criações domésticas, pássaros canoros brasileiros ameaçados de extinção passarão a contar com regras mais rígidas no comércio internacional. A partir de 5 de março, a venda externa de exemplares retirados da natureza será proibida para o bicudo (Sporophila maximiliani), uma das aves mais cobiçadas do país.
A decisão foi tomada durante a 20ª Conferência das Partes da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), realizada em dezembro, em Samarkand, no Uzbequistão.
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Embora a captura de animais silvestres seja proibida no Brasil desde 1967, a prática ainda ocorre em países da América do Sul e Central, alimentando o tráfico internacional. O bicudo é especialmente valorizado nas regiões Sudeste e Centro-Oeste por apresentar canto considerado de alta qualidade, com melodias variadas, além de comportamento territorial e facilidade de adaptação ao cativeiro.
“A principal ameaça a essas espécies é o comércio ilegal para o mercado de animais de estimação e para competições de canto”, afirma a analista ambiental do Ibama Júlia Damo, que participou das negociações da COP20.
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Estimativas indicam que restam, no máximo, 3 mil bicudos adultos vivendo em liberdade no mundo. No Brasil, o cenário é ainda mais crítico, com cerca de 100 indivíduos maduros na natureza.

Além do bicudo, outras cinco espécies do mesmo gênero, frequentemente confundidas com a ave — sobretudo no caso das fêmeas — também passarão a ter proteção ampliada. São elas: o curió (Sporophila angolensis), o bicudo-de-bico-preto (Sporophila atrirostris), o bicudo-do-norte (Sporophila crassirostris), o papa-capim-de-bico-grosso (Sporophila funerea) e o papa-capim-de-nicarágua (Sporophila nuttingi).
Essas aves serão incluídas no Anexo II da Cites, que reúne espécies que ainda não estão necessariamente em risco iminente de extinção, mas que podem chegar a esse estágio caso o comércio não seja controlado. Na prática, a comercialização internacional só será autorizada com comprovação de origem legal e sustentável.
Mesmo com a legislação brasileira restritiva, exemplares dessas espécies continuam surgindo em mercados estrangeiros, o que indica a persistência do tráfico. Segundo Júlia Damo, a inclusão na lista internacional busca dificultar a chamada “lavagem” de animais, quando aves capturadas ilegalmente recebem documentação falsa, e reduzir erros de identificação entre espécies semelhantes.
Para a especialista, o reforço na cooperação entre países é fundamental para garantir a sobrevivência dessas aves. “A cooperação entre as nações é hoje a única maneira de garantir que as vozes dessas aves continuem a ser ouvidas na natureza”, afirma.
Fonte: Um Só Planeta