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Um novo mapa da Antártida está revelando com um nível de detalhe sem precedentes o que existe sob a enorme camada de gelo que cobre o continente. O trabalho expõe montanhas, cânions, vales e até possíveis rios escondidos sob quilômetros de gelo e pode ajudar cientistas a melhorar previsões sobre o impacto do aquecimento global no nível do mar. É o que traz reportagem da Newsweek.
Apesar de ocupar uma área de terra duas vezes maior que a da Austrália, a Antártida ainda guarda muitos mistérios sobre o que existe abaixo de sua superfície. Segundo os pesquisadores, os cientistas conhecem mais sobre a superfície de Marte, a cerca de 225 milhões de quilômetros da Terra, do que sobre o terreno que fica sob o gelo do continente.
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A camada de gelo da Antártida armazena cerca de 70% da água doce do planeta e é a maior massa de gelo da Terra. Sua espessura varia ao longo do território: em média, o gelo tem cerca de dois quilômetros, mas pode ultrapassar cinco quilômetros nos pontos mais profundos.
Para investigar o que existe abaixo dessa imensa cobertura, uma equipe internacional de cientistas liderada pela Universidade de Edimburgo produziu o mapa mais detalhado já feito das paisagens ocultas da Antártida.
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Os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada Ice Flow Perturbation Analysis (IFPA), que usa a física do movimento do gelo para inferir como é o relevo abaixo dele. O método identifica padrões na superfície formados quando o gelo se desloca sobre colinas e vales. Em seguida, os dados obtidos foram combinados com observações recentes de satélites para reconstruir a paisagem de todo o continente.
“Esse método de projetar informações da superfície do gelo obtidas por satélites até a base do gelo fornece uma forma completamente nova de enxergar através das camadas de gelo”, afirmou o geocientista Andrew Curtis, um dos autores do estudo, em comunicado.
“Durante vários anos mostramos que ele funciona bem em testes detalhados, e essa aplicação em toda a Antártida demonstra seu potencial”, acrescentou.
O novo mapa revelou detalhes geográficos em regiões antes não mapeadas, incluindo grandes cadeias de montanhas, cânions profundos e amplos vales, além de dezenas de milhares de colinas e vales até então desconhecidos.
A autora do estudo Helen Ockenden, atualmente no Institut des Géosciences de l’Environnement, em Grenoble, explica que a dificuldade de fazer medições diretas sob o gelo ainda limita o conhecimento científico sobre a região.
“Como é difícil fazer observações científicas através do gelo, sabemos menos sobre a paisagem escondida sob a Antártida do que sobre a superfície de Marte ou de Vênus”, disse ela em comunicado.
“Por isso é tão empolgante que esse novo método permita usar medições de satélite da superfície do gelo para preencher as lacunas em nossos mapas, revelando novos detalhes sobre cadeias de montanhas, cânions e limites geológicos.”

Pesquisas anteriores já indicaram que áreas mais irregulares do terreno subglacial — como encostas rochosas e cristas montanhosas — podem retardar o recuo da camada de gelo antártica, ao criar atrito que dificulta o fluxo do gelo em direção ao oceano.
Segundo os pesquisadores, o novo mapa pode servir como um guia importante para cientistas, indicando onde futuras expedições e levantamentos devem se concentrar e ajudando a desenvolver previsões mais precisas sobre onde e quanto o nível do mar pode subir no futuro.
Fonte: Um Só Planeta