23 de janeiro, 2026

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Cientistas podem ter encontrado forma extinta de vida que existiu há 400 milhões de anos

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Durante quase dois séculos, os prototaxites intrigaram a ciência. Esses organismos gigantes foram as primeiras formas de vida de grande porte a dominar os ambientes terrestres, erguendo-se como colunas lisas de até oito metros de altura em paisagens do período Devoniano, há cerca de 400 milhões de anos. Sem galhos, folhas, flores ou raízes verdadeiras, eles desafiaram sucessivas tentativas de classificação desde que seus fósseis começaram a ser descritos, em meados do século 19.

Agora, uma pesquisa publicada nessa quarta-feira (21) na revista Science Advances sugere que o mistério pode estar perto de uma solução – e ela é bem surpreendente. De acordo com o estudo, os prototaxites não eram plantas, nem algas ou fungos gigantes, como se sugeriu durante décadas, mas, sim, representantes de um ramo de vida eucariótica até então desconhecido e que se encontra totalmente extinto.

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Reconstrução da vida de Prototaxites taiti crescendo no ecossistema de sílex de Rhynie, com 407 milhões de anos (Foto: Matt Humpage/Northern Rogue Studios)

Enigma do início da vida terrestre

Os prototaxites viveram em uma época de profundas transformações ecológicas, não à toa, o período Devoniano é frequentemente chamado de “Era dos Peixes”. Mas o período também marcou a colonização definitiva da terra firme por organismos complexos.

No começo, apenas pequenas vegetações e animais conseguiam manter o estilo de vida terrestre. Florestas altas só se tornariam comuns bem mais tarde, no Carbonífero. Por isso, os cientistas sempre acharam tão estranha a presença dos “troncos” gigantes dos prototaxites na paisagem primitiva.

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Espécime fóssil de Prototaxites taiti sobre uma superfície musgosa, assemelhando-se à paisagem do Devoniano Inferior (Foto: Laura Cooper/Universidade de Edimburgo)

A hipótese mais aceita até então sugeria que o grupo era um tipo de fungo colossal. Embora pouco apoiada pela comunidade científica, essa ideia chegou a levar alguns pesquisadores a imaginarem o ambiente primitivo como um mundo em que cogumelos gigantes substituíam as árvores, lembra o portal IFLScience.

Mesmo depois de dois séculos de investigação, muitas perguntas continuavam sem respostas. Tudo mudou, porém, com o estudo dos fósseis de uma pequena espécie do gênero Prototaxite.

O fóssil que mudou o debate

A nova investigação concentrou-se em uma espécie menor, Prototaxites taiti, encontrada no sítio paleontológico de Rhynie Chert, no nordeste da Escócia. Datado de cerca de 407 milhões de anos, o local é conhecido pela preservação excepcional de plantas, fungos e animais, permitindo análises microscópicas e químicas raramente possíveis em fósseis tão antigos.

Utilizando lasers, imageamento em 3D e microscopia confocal, os pesquisadores analisaram o interior dos fósseis. O que encontraram foi uma anatomia inesperadamente complexa: em vez das redes simples de filamentos típicas dos fungos modernos, o organismo apresentava três tipos distintos de tubos interligados por regiões densas de ramificação, formando uma estrutura tridimensional altamente elaborada. Veja no esquema abaixo:

A anatomia interna de Prototaxites taiti era composta por tubos entrelaçados que se uniam em regiões ramificadas altamente complexas. A complexa estrutura 3D dessas regiões foi revelada por microscopia confocal de varredura a laser (Foto: Laura Cooper/Universidade de Edimburgo)

Além da anatomia, a equipe examinou a chamada “impressão digital química” do fóssil com auxílio de inteligência artificial, destaca reportagem do site Phys.org. Substâncias como quitina, quitosana e beta-glucano, polímeros essenciais às paredes celulares de todos os fungos conhecidos, estavam completamente ausentes. Biomarcadores fúngicos como o perileno também não foram detectados.

Como esses compostos aparecem em outros fungos preservados no mesmo bloco de rocha, os cientistas descartaram a possibilidade de degradação ao longo do tempo. Consequentemente, esse resultado também fez aumentarem as evidências de o grupo não participar do reino Fungi.

Uma vida da que conhecemos

Assim, tomando por base esse conjunto de evidências, os autores concluíram que os prototaxites não pertencem a nenhum grupo vivo atual. No artigo, os autores afirmam que a abordagem integrada “mina a hipótese de que Prototaxites taiti fosse um fungo” e sustenta sua classificação como parte de “uma linhagem eucariótica extinta, não descrita anteriormente”. Basicamente, isso significa que eles são organismos vivos, mas não como os que conhecemos.

Por mais que P. taiti seja relativamente pequeno, com o maior exemplar analisado tendo cerca de 5,6 centímetros de largura, os cientistas estão confiantes de que ele é parente próximo dos prototaxites gigantes encontrados em camadas geológicas mais recentes, cujas bases podem chegar a até um metro de diâmetro. Se a espécie menor não era um fungo, argumentam, as maiores tampouco seriam.

Vale lembrar que, os especialistas calculam que os prototaxites surgiram e prosperaram por cerca de 50 milhões de anos antes de desaparecerem. No final de sua existência, eles foram superados em tamanho pelas plantas terrestres, mas ainda não se sabe se sua extinção foi resultado da competição ecológica direta com esses organismos ou das mudanças ambientais em escala planetária.

Mesmo com o avanço significativo do estudo, os próprios autores reconhecem que novas análises fósseis serão necessárias para consolidar definitivamente essa interpretação. Ainda assim, a pesquisa inova ao reforçar a possibilidade de que a história da vida na Terra inclui experimentos evolutivos profundamente diferentes de tudo o que sobreviveu até hoje.

Fonte: Galileu

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