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Quase um mês após a mortandade de milhares de camarões de água doce às margens do Rio Tietê, em Igaraçu do Tietê (SP), o resultado das análises laboratoriais da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) ainda não definiu propriamente o que causou o problema ambiental.
O relatório, enviado nesta sexta-feira (27), revela que as amostras de água coletadas nos dias 3 e 12 de fevereiro não apresentaram irregularidades em parâmetros como agrotóxicos, metais pesados ou presença de cianobactérias.
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De acordo com a companhia, esses dados não indicaram ligação direta com a mortandade dos animais.
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Alerta para banhistas
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Embora não tenha explicado a morte dos camarões, a análise da água trouxe um dado sobre a presença da bactéria Escherichia coli (E. coli). A existência desse microrganismo está associada à contaminação por esgoto doméstico.
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Devido a isso, as análises indicaram que, nas datas das coletas, a prainha de Igaraçu do Tietê estava imprópria para banho, oferecendo risco de contaminação aos frequentadores. No entanto, não significa que a bactéria tem relação com a mortandade dos camarões.
Em nota enviada em conjunto com a prefeitura neste sábado (28), a Cetesb afirmou que programou para a próxima semana uma vistoria técnica com o objetivo de dar continuidade às análises no local.
De acordo com o órgão, na última análise, o ponto permaneceu classificado como impróprio para banho.
Dúvidas sobre o oxigênio
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Outro ponto analisado foi a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), que mede a quantidade de oxigênio necessária para degradar a matéria orgânica na água.
Apesar da medição, a Cetesb não informou se os níveis encontrados estavam dentro dos padrões aceitáveis.
A prefeitura de Igaraçu do Tietê, que realizou a limpeza de toneladas de carcaças no início do mês, segue acompanhando o caso.
O que diz a prefeitura e serviço de água e esgoto?
Em nota conjunta, a Prefeitura de Igaraçu do Tietê e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Igaraçu do Tietê (SAEIT) negaram que o município despeje esgoto na prainha.
A administração municipal afirmou que, desde 2004, um emissário de 1 km de extensão capta todos os resíduos da orla turística para evitar o descarte no local.
O SAEIT destacou que o município trata mais de 90% do esgoto e que a pequena parcela remanescente é lançada em pontos abaixo (jusante) da prainha, o que tornaria “tecnicamente impossível” a contaminação da área onde os camarões foram encontrados, devido ao fluxo do rio.
Hipóteses para a morte
O SAEIT levantou a possibilidade de causas naturais para a mortandade.
Segundo o órgão, o período de fortes chuvas e a abertura das comportas da barragem de Barra Bonita (SP) podem ter causado o aumento da vazão e revolvimento do fundo do rio e também o transporte de matéria orgânica acumulada, além da redução temporária do oxigênio na água, afetando organismos sensíveis como os camarões.
A prefeitura reforçou que ainda aguarda resultados finais de outras análises dos órgãos ambientais e que permanece à disposição para colaborar com as investigações.
Fonte: G1