03 de abril, 2025

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Centenas de mamíferos marinhos encalham na costa da Califórnia devido à presença de neurotoxina no mar

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Produzida pela proliferação de algas, a neurotoxina conhecida como ácido domoico é inofensiva para os peixes, mas pode ser mortal para os mamíferos marinhos. Recentemente, centenas de leões marinhos e golfinhos, e até aves marinhas, estão aparecendo ao longo de todo o litoral do sul da Califórnia, de San Diego a Santa Barbara, mortos ou gravemente doentes. Pesquisadores e autoridades costeiras dizem que isso se tornou uma crise de vida marinha que sobrecarregou organizações de resgate, deixou banhistas angustiados e prejudicou o habitat oceânico da Califórnia, nos Estados Unidos.

Golfinho encontrado na costa da California em atendimento pela equipe do Marine Mammal Care Center (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Nas últimas semanas, a escala dos danos causados ​​à vida marinha pela disseminação do ácido domoico chocou pesquisadores e socorristas. O SeaWorld em San Diego, que atendia em média 20 chamadas de resgate de animais por dia, passou a atender cerca de 100 chamados diários.

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A proliferação de algas não é rara na Califórnia, mas a quantidade de ácido tóxico que elas liberam e a escala de danos que o fenômeno causa à vida marinha neste ano intrigam os cientistas. “Temos visto mais toxinas tanto nas algas em si quanto nos animais que as estão ingerindo. Eles parecem ter mais toxinas em seus tecidos. Então pode ser que o plâncton natural esteja começando a produzir mais toxinas ao longo do tempo, e pode ser por isso que vemos mais impactos”, disse ao New York Times Clarissa Anderson, diretora do Southern California Coastal Ocean Observing System, que monitora as condições oceânicas.

Especialistas dizem que há várias teorias, mas ainda nenhuma resposta definitiva sobre as razões para a gravidade da situação. Algumas linhas de pesquisa levam a acreditar que o problema tem a ver com as mudanças climáticas e o aquecimento da temperatura do mar. Outras dizem que os nutrientes presentes no escoamento da solo para o oceano podem estimular a proliferação de algas.

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Além disso, cientistas da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) estão estudando se as cinzas e os detritos dos incêndios florestais de Los Angeles em janeiro deste ano podem ter influenciado a floração atual, afirma a reportagem. Mais pesquisas são necessárias para entender as florações em mudança, mas estes estudos estão sob ameaça com a demissão de mais de 1.000 trabalhadores da agência pelo governo Trump.

A presença da neurotoxina na água tem sido especialmente devastadora para os golfinhos. Mais de 100 golfinhos comuns foram levados para as praias nas últimas semanas. Pesquisadores levantaram a hipótese de que a proliferação de algas pode estar ocorrendo mais longe da costa, onde os golfinhos são comuns. Ao contrário dos leões-marinhos, os golfinhos que ficam encalhados após ingerir uma quantidade considerável da toxina quase sempre precisam ser sacrificados. Os leões-marinhos se saem melhor, com 60% de chance de sobrevivência se tratados em tempo hábil.

Neste post em uma rede social, o Marine Mammal Care Center chama atenção para os sintomas geralmente apresentados por leões-marinhos afetados pela toxina: espuma na boca, convulsões ou movimentos de cabeça de um lado para o outro.

Por enquanto, os governos locais emitiram avisos alertando o público para não se aproximar de animais encalhados. À medida que o clima esquenta com a chegada da primavera eas praias ficam mais cheias, partes do litoral do sul da Califórnia têm tido uma sensação sombria. Criaturas que normalmente dão emoção a crianças e adultos quando são vistas na água agora aparecem na areia atordoadas ou mortas, trazendo incerteza e choque para os banhistas que frequentam a região.

Os peixes carregam a toxina, mas se mamíferos e pássaros comerem os peixes, a toxina pode envenená-los, causando convulsões, fazendo com que se comportem de forma errática ou colocando-os em coma. O único tratamento é eliminar a toxina e medicar os sintomas.

Fonte: Um Só Planeta

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