03 de abril, 2025

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Cavernas fluorescentes na Terra dão pistas de como vida pode resistir em lugares extremos do universo

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Cientistas da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, estão usando luz negra para explorar como a química das cavernas pode revelar informações sobre a sobrevivência da vida em ambientes extremos, como a lua Europa, de Júpiter, considerada um dos lugares mais promissores para a busca de vida fora da Terra. Durante a Reunião de Primavera da Sociedade Americana de Química (ACS), Joshua Sebree, astrobiólogo e professor, apresentou os resultados de sua pesquisa que fornece pistas sobre como a vida poderia persistir fora daqui.

A pesquisa foca nas fluorescências emitidas por minerais nas cavernas da região de Wind Cave, em Dakota do Sul, cuja química, acreditam, é similar a de lugares como a lua Europa. Ao utilizar luzes ultravioletas, os pesquisadores observam como certos compostos químicos, incorporados nas rochas durante milhões de anos, brilham em diferentes cores, como rosa, azul e verde.

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À esquerda, caverna com iluminação padrão. À direita, fluorescências emitidas por minerais quando local é iluminado por luzes ultravioletas (Foto: Joshua Sebree)

Esses padrões de fluorescência são indicadores de onde a água subterrânea, no passado, transportou minerais, permitindo aos cientistas mapear a história geológica e a composição química das cavernas, bem como o florescimento da vida acima das cavernas subterrâneas, sem danificar os ecossistemas locais.

O estudo, financiado pela NASA, visa expandir o uso da fluorescência como ferramenta para entender como a água subterrânea pode sustentar vida, tanto na Terra quanto em outros corpos celestes, como a lua Europa.

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Formações luminosas dentro da Wind Cave, em Dakota do Sul, nos EUA. (Foto: Joshua Sebree)

Além das condições desafiadoras — como temperaturas baixas — as descobertas revelaram que, em Wind Cave, águas ricas em manganês formaram calcitas que brilham em tons coloridos sob luz negra, oferecendo uma nova perspectiva sobre os processos de formação de cavernas.

“As paredes pareciam completamente vazias e sem nada interessante. Mas, quando ligamos as luzes negras, o que antes era apenas uma parede marrom se transformou em uma camada brilhante de mineral fluorescente, indicando onde uma piscina de água existiu há 10 mil ou mil anos”, conta Joshua.

Os pesquisadores estão criando um banco de dados acessível ao público com “impressões digitais fluorescentes” de diferentes minerais e investigando o uso das cavernas como ambientes simulados para estudar ‘extremófilos astrobiológicos’, organismos que sobrevivem em condições extremas, como as de outros planetas.

Várias medições de fluorescência foram feitas usando espectrômetros portáteis. (Foto: Joshua Sebree)

Também estão desenvolvendo espectrômetros autônomos para facilitar a coleta de dados em locais de difícil acesso, como cavernas, e estudando biometria para garantir a segurança dos exploradores, monitorando suas condições físicas em ambientes extremos.

Em outubro de 2024, a NASA lançou a sonda Europa Clipper, acoplada a um foguete SpaceX Falcon Heavy, para investigar a lua Europa e analisar se sua composição pode abrigar vida. A sonda chegará a Europa em abril de 2030, e vai explorar o possível oceano subterrâneo que os cientistas acreditam existir sob sua superfície de gelo.

A missão não buscará sinais diretos de vida, mas investigará se Europa possui as condições necessárias para sustentar vida, um passo importante para futuras explorações.

Fonte: Um Só Planeta

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