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Temperaturas recordes e sucessivas ondas de calor provocaram a morte em massa de morcegos-raposa no estado da Austrália do Sul, enquanto grupos de resgate tentam salvar os animais que sobreviveram às condições extremas. Estimativas de voluntários apontam que mais de 2,5 mil morcegos morreram em colônias nas cidades de Adelaide e Naracoorte, no sudeste do estado.
Segundo Sue Westover, presidente e coordenadora da organização Bat Rescue SA, os filhotes são os mais vulneráveis ao calor intenso. “Perdemos muitos juvenis, mas também houve muitas mortes de adultos em Naracoorte”, afirmou à rede ABCNet. Para ela, o cenário não foi inesperado: “Os morcegos simplesmente não lidam bem com o calor; seus corpos não foram feitos para temperaturas acima de 42 °C”.
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Mais de 46 mil morcegos-raposa vivem em Adelaide, mas o número exato da colônia de Naracoorte é desconhecido. Nos últimos dez anos, governos e grupos ambientais investiram em programas de preservação da espécie no estado. Ainda assim, o impacto variou entre as regiões. Em Adelaide, parte dos filhotes que caíram das árvores conseguiu ser devolvida às mães. Já em Naracoorte, a perda de adultos dificultou a reunificação. “Infelizmente, muitos adultos morreram, então os bebês não puderam voltar”, disse Westover.
Uma equipe de três cuidadores da organização Limestone Coast Wombat and Bat Rescue atuou em Naracoorte para recolher sobreviventes, que depois foram encaminhados a voluntários em Adelaide. Cerca de 37 filhotes foram resgatados e seguem em reabilitação. Com idades entre oito e dez semanas, eles começam agora a se alimentar de frutas e devem ser soltos na natureza a partir de março, em um parque botânico da capital.
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Para Wayne Boardman, da Escola de Ciências Animais e Veterinárias da Universidade de Adelaide, poucos animais resistem a vários dias consecutivos acima dos 42 °C. Ele explica que os morcegos-raposa costumam descansar no alto das árvores, ficando mais expostos ao sol direto. “Eles acumulam calor e tentam buscar sombra; se não encontram as condições adequadas, podem sucumbir”, afirmou.
Embora a população tenha crescido desde um episódio semelhante em 2019, o pesquisador avalia que a colônia de Naracoorte pode não se restabelecer. Ainda assim, acredita que a espécie como um todo tende a se recuperar com o tempo. “Eles produzem apenas um filhote por ano, mas podem viver até 14 anos. A população se recompõe”, disse. O temor, porém, é de que novas ondas de calor intensas possam provocar outra mortalidade em massa.

Fonte: Um Só Planeta