Brasileira que salvou menino de pais abusivos nos EUA recebe U$ 40 mil

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“Nunca vi nada nem parecido. Eu fiquei sabendo através de uma ligação da Flaviane. Antes de ligar para a polìcia, ela me ligou. Eu estava em casa — estava isolada com covid — e, imediatamente, autorizei que ela ligasse para a polícia. Passei a acompanhar toda a movimentação no restaurante pelas câmeras de segurança”, lembra Rafaela Cabede, dona do restaurante Mrs Potato, em Orlando, nos Estados Unidos, onde a brasileira Flaviane Carvalho trabalha como gerente.

O caso em que Rafaela se refere virou manchete dos principais sites de notícia do mundo no início deste ano. Ao se deparar com a suspeita de abuso infantil envolvendo um menino de 11 anos, Flaviane ligou para a polícia. A mãe e o padrasto da criança foram presos e o menino foi salvo de sofrer novas agressões. Mas a história não termina aqui. Desde o acontecimento, no dia 1º de janeiro, Flaviane virou “celebridade” por lá. “Muitas pessoas vieram até o restaurante porque queriam conhecê-la, tirar foto, trazer presentes ou simplesmente agradecer. Além do movimento ter aumentado, as ligações não param, mas o mais importante foi a conscientização de todos os funcionários de que devemos estar sempre atentos as pessoas ao nosso redor”, disse Rafaela.

Além de todo o carinho, até o momento, Flaviane já recebeu mais de U$ 40 mil em doações. “Doação, não é a palavra correta, é uma recompensa pelo ato dela. A meritocracia é algo muito comum na cultura americana. Quando alguém da comunidade faz algo considerado heróico, a sociedade imediatamente quer recompensar ou presentear de alguma forma. E o que aconteceu foi que as pessoas começaram a ligar querendo enviar dinheiro ou cheque pra ela. Alguns chegaram a parar na porta do restaurante, entraram, entregaram envelope com dinheiro e saíram sem dizer nada. Também recebi muitas mensagens pela internet de pessoas querendo recompensá-la financeiramente, perguntando qual seria a melhor forma de fazê-lo”, conta a empresária.

Diante da repercussão, Rafaela criou uma campanha online. “O site pedia que fosse estipulado um valor como meta. Coloquei U$ 10 mil achando que já seria bem audacioso. Mas em 24 horas, passamos dos U$ 20 mil e hoje já ultrapassamos U$ 40 mil”, revela. “Ela é uma pessoa muito tranquila, reservada, tem muito bom senso e excelente julgamento. Não me surpreende, foi simplesmente ‘Flaviane sendo Flaviane’. Não esperaria nada diferente vindo dela”, elogiou.

RELEMBRE O CASO

Em entrevista, Flaviane, que é mãe de duas meninas — de 18 e 21 anos — e mora nos Estados Unidos há 13 anos, disse que trabalha em restaurante há 2 anos e “nunca tinha visto nada parecido”. Ao relembrar o acontecimento, ela contou que vários detalhes chamaram a sua atenção. Primeiro, foi quando a família chegou, sentou em uma mesa, mas os pais e a caçula ficaram juntos e o menino mais afastado, isolado em um canto da mesa. Além disso, segundo a brasileira, ninguém ofereceu comida à ele. “O padrasto disse que ele iria jantar em casa. Mas o menino parecia muito triste. Estava quieto, calado, cabisbaixo e não falava com ninguém. Também parecia meio perdido”, lembra.

Menino sentou afastado (Foto: Arquivo pessoal)
Menino sentou afastado (Foto: Arquivo pessoal)

Outro detalhe que despertou suspeita foi o fato de a criança vestir muita roupa. “Sabia que algo estava errado, mas não tinha nenhuma noção da gravidade”, disse. Diante da situação, Flaviane decidiu escrever um bilhete, na tentativa de se comunicar com o menino sem que os pais vissem. Primeiro, ela mostrou um cartaz perguntando se ele estava bem. O menino respondeu que “sim” com a cabeça. Depois, ela perguntou se ele tinha certeza. Novamente, ele acenou positivamente. Ainda preocupada, a brasileira resolveu insistir e mudar a pergunta: “Você precisa de ajuda?”, perguntou ela. E foi nesse momento que ele admitiu que sim, precisava de ajuda.

Flaviane, então, acionou a polícia. “Por incrível que pareça, quando a polícia chegou, o padrastro e a mãe não demonstraram susto nem medo. Agiram como se nada estivesse acontecendo. Somente desmonstraram muita frieza. A mulher (me recuso a chamá-la de mãe), continuou conversando com a garotinha sem nem mover um dedo. Somente depois de muito tempo que o homem demonstrou nervosismo e começou a vomitar”, conta.

Sem que os pais vissem, Flaviane passou a mostrar bilhetes com perguntas para o menino (Foto: Arquivo pessoal)
Sem que os pais vissem, Flaviane passou a mostrar bilhetes com perguntas para o menino (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo a imprensa americana, o padrasto de 34 anos foi preso no mesmo dia. Já a mãe do menino, que tem 31 anos, foi detida alguns dias depois, em 6 de janeiro. A polícia descobriu que os dois abusavam da criança em casa, inclusive amarrando-o com cordas, espancando-o e pendurando-o de cabeça para baixo. Eles vão responder por acusações de abuso infantil agravado e negligência infantil. “Depois de alguns dias, soube que o menino tinha ficado no hospital por seis dias, junto com a irmã, recebendo cuidados. Depois da alta, eles foram entregues a uma família designada pelo governo. Pelo que fiquei sabendo, ele está bem, graças a Deus. Se recuperando e feliz”, disse Flaviane, aliviada.

Sobre a repercussão, ela disse que ficou assustada. “Não imaginava que isso aconteceria, pois só fiz o que julgo normal de se fazer em um caso assim. Mas fico feliz, pois tenho recebido muitas mensagens de carinho e muito amor. Estou mais feliz ainda, pois, muitas pessoas de toda parte do mundo disseram que a partir de agora vão prestar mais atenção ao redor para também poderem ajudar outras pessoas, se necessário. É um sentimento de gratidão, principalmente a Deus, por ter me usado como instrumento para salvar o menino e ser um bom exemplo para as pessoas”, comentou. Sobre o dinheiro que recebeu, ela disse: “Vai me ajudar muito! Com a pandemia, as coisas ficaram difíceis para todos e comigo não foi diferente. Então, mais uma vez, só tenho a agradecer”, finalizou.

Flaviane e as cartas que recebeu em agradecimento (Foto: Arquivo pessoal)
Flaviane e as cartas que recebeu em agradecimento (Foto: Arquivo pessoal)

Fonte: Crescer

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