Dois milhões de carros circulam com airbag ‘mortal’ no Brasil

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Airbags, em geral, são sinônimo de proteção. Mas parte dos que foram produzidos pela japonesa Takata virou risco de morte. Estima-se que 50 milhões de veículos foram equipados com infladores que podem se romper ao serem acionados. Em todo o mundo, 24 pessoas morreram vítimas do equipamento. No Brasil, há notificações de 12 vítimas não fatais.

Dos 3,5 milhões de carros identificados com os airbags defeituosos no país, que resultaram em 55 chamadas de recall, pouco mais de 1,5 milhão passou pelo conserto. Ou seja, apenas 44% da frota atingida. Um percentual pífio quando comparado ao Japão, onde 70% dos proprietários responderam aos chamados.

Já foram expedidas cerca de cem notificações com pedido de informações sobre recalls de airbags Takata pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Cerca de 80% das campanhas estão sendo monitoradas para verificar o atendimento da legislação. Nove processos administrativos foram instaurados, mas a secretaria não quis comentar o teor deles.

Plano de ação em 30 dias

Para retirar os dois milhões de carros que ainda trafegam com os airbags inseguros nas ruas brasileiras, a Senacon convocou uma reunião com as montadoras na qual pediu que apresentassem um plano de ação para aumento dos índices de resposta até a primeira quinzena de março. Simultaneamente, a secretaria estuda mudanças na regulamentação dos recalls para serem implementadas em 90 dias.

— Estudamos, junto com o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), como permitir que as montadoras tenham acesso aos atuais proprietários dos veículos. Analisamos também a possibilidade de dificultar a transferência de carros com recall pendente. E, assim como nos EUA, pensamos em usar nudges, a chamada arquitetura de escolha (conceito da economia comportamental, ganhadora de Nobel) para incentivar a adesão dos consumidores — diz Luciano Benetti Timm, titular da Senacon, dando como exemplo o que é feito com as fotos nos maços de cigarros.

Vera Rita de Mello Ferreira, psicóloga especializada em comportamento econômico, diz que é possível aumentar a resposta dos proprietários de carros com a arquitetura de escolha, mas é preciso estar preparado para a maior demanda:

— Poderia ser enviado, pelo celular, um formulário, já preenchido com os dados do carro, que o consumidor complementaria para fazer um pré-agendamento para o conserto. Mandar alerta pelo telefone na véspera e no dia do reparo. Mas a Senacon precisa exigir que tudo esteja bem desenhado, pois não adiantam incentivos nem propagandas com histórias trágicas, o que de fato mobiliza as pessoas, se as concessionárias não estiverem prontas para o atendimento. Isso desmoralizaria tudo — alerta.

Para o consultor automotivo Raphael Galante, da Oikonomia, a solução mais efetiva é o compartilhamento de dados entre o governo e as fabricantes de automóveis.

— A montadora passa para o Denatran ou Detrans locais o número dos chassis do recall, e o órgão informa com quem e onde estão os carros — sugere Galante. — O aviso poderia vir, por exemplo, junto do carnê do IPVA.

Marco Antônio Araújo Jr., assessor-chefe do Procon-SP, defende que os chamados sejam feitos em conjunto com os Procons:

— Hoje, ficamos sabendo de muitos recalls pela imprensa. A mensagem dos chamados precisa ser menos técnica e dar a clareza do risco.

Dados sobre os proprietários

O Denatran confirmou que se estuda o compartilhamento de dados dos proprietários. E explicou que a portaria 69 do departamento já prevê a inclusão no documento do veículo da informação de recall pendente e que está providenciando o ajuste do sistema para implementá-la. Já a restrição na transferência não tem previsão normativa, diz, mas está em estudo.

Segundo Timm, há uma variação grande entre os percentuais de atendimento de recalls. Há casos com nenhuma resposta ao chamado, e outros que ultrapassam os 80%. Dos 55 recalls feitos em função da Takata, selecionamos os cinco com menor índice de resposta e procuramos as montadoras.

A BMW, que registrou recall com 5% de resposta, diz que se empenha em elevar os índices de adesão e convida os clientes a consultar os canais exclusivos destas convocações. Mitsubishi e Nissan, que tiveram chamadas com 14% e 10% de atendimento, destacaram ainda a dificuldade de localizar os veículos depois que são negociados pelo primeiro dono. Já a Fiat Chrysler, com 9% de atendimento em um de seus recalls, disse que todas as campanhas obedecem à legislação. A Caoa, que responde pela Subaru no Brasil e teve um dos recalls com zero atendimento, não respondeu.

Procurada, a Anfavea, associação que reúne os fabricantes de veículos, disse não ter porta-voz disponível.

 

Fonte: Extra

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