Conhecida como a ‘freira pidona’, Irmã Dulce se tornará santa neste domingo

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Nas ruas de Salvador, Irmã Dulce era conhecida como a “freira pidona”. A religiosa, que se tornará amanhã a primeira mulher nascida no Brasil a ser declarada santa pela Igreja Católica, não tinha limites quando precisava arrecadar doações para suas obras sociais. Para ajudar os pobres, ela se aproximou de políticos e empresários, e recorreu até ao governo dos Estados Unidos. Com persistência, senso de oportunidade e muita saliva, ela criou uma entidade filantrópica que hoje realiza cerca de 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano.

Dulce não mirava apenas nos ricos e poderosos para recolher dinheiro destinado à construção do Hospital Santo Antônio. A cena da freira pedindo esmola nas ruas, com uma sacolinha de pano, nunca saiu da memória da baiana Maria José Melo da Silva Oliveira, de 86 anos, que hoje mora no Rio.

— Ela passava pela rua onde eu morava com aquele hábito queimado de sol e sacolinha de pano na mão. Os vizinhos viravam para mim e diziam: “Fecha a porta que aí vem a freira pidona”. Quando ela chegava na minha porta, falava: “Tem uma moedinha aí para os meus pobres?”. Eu sempre tinha um trocado — conta a baiana, que hoje é coordenadora da Pastoral da Caridade Irmã Dulce, na Igreja Santos Anjos, no Leblon, onde tenta pôr em prática os ensinamentos da religiosa.

Os apelos de Irmã Dulce eram direcionados a uma longa lista de poderosos, que iam de grandes empresários ao presidente José Sarney. Conta-se que a freira era a única pessoa de fora do governo a ter o telefone direto do gabinete do presidente. Em 1948, o presidente Eurico Gaspar Dutra foi à Bahia inaugurar uma estrada e, no meio da multidão, foi alcançado por Dulce. A freira pediu ajuda para a construção de uma nova sede para suas obras sociais. No ano seguinte, o governo liberou para ela oito milhões de cruzeiros (cerca de R$ 12 milhões em valores atuais).

Maria José de Oliveira, senhora que conheceu a Irmã Dulce,e é coordenadora da pastoral da caridadeda Igreja Santos Anjos no Leblon
Maria José de Oliveira, que conheceu a Irmã Dulce, é coordenadora da pastoral da caridade da Igreja Santos Anjos no Leblon (Foto: Guilherme Pinto)

Em 1962, um avião cargueiro dos Estados Unidos pousou no Aeroporto de Salvador trazendo alimentos e remédios, a pedido de Irmã Dulce.

Em 1979, por intermédio de Antônio Carlos Magalhães, então governador da Bahia, o general João Figueiredo, último presidente do regime militar, visitou o hospital de Irmã Dulce. A freira mostrou doentes deitados em macas nos corredores e em colchões no chão. Passaram-se 30 meses e nada aconteceu, até que os dois se encontraram novamente e Irmã Dulce disparou: “Já falei com Santo Antônio e ele me disse que o senhor só entra lá no céu se nos ajudar na construção do novo hospital”. Figueiredo prometeu que ajudaria nem que tivesse de assaltar um banco. Ela logo emendou: “Pois me avise, que vou com o senhor”. Três anos depois, com ajuda do governo federal, o número de leitos aumentou em 70%.

Mas os pedidos de Dulce nem sempre eram atendidos, conta Maria José:

— Uma vez ela foi até um empresário pedir esmola, mas ele cuspiu na mão dela. Ela estendeu a outra mão e falou: “esse, você deu para mim. Agora, quero o dos meus pobres”.

Caridosa desde os 13 anos

Nascida em 1914, Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, mais conhecida como Irmã Dulce, teve uma vida peculiar. Começou a praticar caridade com 13 anos e entrou para o convento com 19. Com apenas 1,48m de altura e um enfisema pulmonar que a fez viver os últimos 30 anos de vida com apenas 30% da capacidade pulmonar, a freira se dedicou à caridade até o último dia.

Dois relatos de milagres ampararam a escalada de Dulce aos altares: a interrupção de uma hemorragia em um parto e a cura de uma cegueira. Mas o número de relatos de graças alcançadas por intervenção da freira supera a marca de 14 mil, todos catalogados por uma equipe das Obras Sociais Irmã Dulce.

O maestro baiano Maurício Moreira, de 50 anos, voltou a enxergar após passar 14 anos no escuro. Ele começou a perder a visão em 1992, quando foi diagnosticado com glaucoma, e ficou completamente cego nos anos 2000. Os médicos afirmaram que ele jamais voltaria a enxergar. Mas na madrugada do dia 10 de dezembro de 2014, após rezar diante de uma imagem de Irmã Dulce, o maestro acordou curado.

— Até hoje, me emociono. Jamais imaginei voltar a enxergar, porque a medicina me desenganou. Peguei a imagem de Irmã Dulce, encostei no olho e pedi com fé que ela ajudasse a acabar com aquela dor — contou ele.

Fonte: Extra

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