Brasil tem seu primeiro dueto masculino de nado artístico

Os passos em direção à piscina são também, simbolicamente, os primeiros passos na busca por um sonho. Quando Fabiano e Kennedy botaram a sunga do Fluminense e caminharam lado a lado sabiam que estavam fazendo história. Em uma competição realizada no Flamengo, os dois formaram o primeiro dueto masculino do Brasil a se apresentar no nado artístico.

Os homens, ainda em minoria, já não são novidade no esporte. Desde 2015, a competição mista foi incluída no programa do Mundial. E o Brasil teve seus primeiros representantes na categoria dois anos depois, na Hungria, com Renan Alcantara e Giovana Stephan. Mas as competições masculinas ainda não foram incluídas no calendário oficialmente. Em alguns países, já há duplas se formando e se apresentando. E o Brasil entrou nessa lista.

– Tem poucos homens e a gente faz de tudo para poder mostrar uma representatividade, mostrar que homens também estão ali. Até para chamar mais gente, mais homens, e os clubes poderem conseguir ter uma base de meninos – disse Fabiano.

São 22 homens praticando o esporte no Brasil. O sonho deles é ver a categoria masculina equiparada à feminina não só em âmbito nacional, mas muito mais além.

– A gente está com um objetivo, esperando confirmações de Federações Internacionais, para saber se no próximo ciclo olímpico, que são os Jogos da França, em 2024, se a gente vai estar incluso ou não.

Fabiano e Kennedy do nado artístico — Foto: Thiago Fernandes
Fabiano e Kennedy do nado artístico (Foto: Thiago Fernandes)

Transição e início inusitado

Fabiano é ex-atleta de natação. Sempre teve envolvimento com as piscinas e sua mudança para o nada artístico foi “dentro de casa”. Já Kennedy tem uma história um pouco curiosa. Nascido em Pio IX, interior do Piauí, ele não teve chance de aprender a nadar na infância e chegou ao nado quase sem saber sobreviver numa piscina.

– Na época que eu vivia lá, não tinha piscina adequada para fazer aula de natação, para ter um treinamento adequado. Então, a iniciação no meio aquático era nas cheias de verão, quando enchia açude, enchia rio. Eu não sabia realmente nadar. Eu me deslocava na água, não me afogava. Mas ter o preparo que a modalidade exigem, eu não tinha.

Ainda não há previsão para que o nada masculino entre no calendário mundial. Porém, o Comitê Olímpico Internacional vem pregando a igualdade de gêneros dentro do esporte. Por isso, parece questão de tempo até que o ex-nadador e o “ex-não-nadador” possam apresentar seu talento pelo mundo.

Fonte: G1 – Foto: Thiago Fernandes

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