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Produzido no Brasil, o etanol de milho deu um passo estratégico na corrida global pela descarbonização do transporte marítimo. A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) aprovou a pegada de carbono do chamado etanol de milho “da safrinha”. É o primeiro biocombustível compatível com navegação oceânica a receber esse tipo de classificação regulatória internacional.
A decisão elimina um dos principais entraves para o uso do combustível em navios e coloca o Brasil à frente de concorrentes como os Estados Unidos em um mercado que tende a ganhar força nos próximos anos, diante da pressão internacional para redução das emissões do setor marítimo.
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“Trata-se de um avanço emblemático”, garantiu o capitão de mar e guerra, Flavio Mathuiy, que representa o Brasil na IMO, em declaração à Bloomberg Línea. “A aprovação do default value sinaliza às empresas de navegação quais combustíveis alternativos podem ser escolhidos”.
O Comitê de Proteção do Meio Marinho da IMO aprovou para o etanol brasileiro, produzido a partir do milho de segunda safra, um “valor padrão” de 20,8 gramas de CO₂ equivalente por megajoule. O bunker fuel, combustível fóssil tradicional utilizado em navios, possui referência de 93,3 gramas de CO₂ equivalente por megajoule.
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A diferença representa uma redução significativa na intensidade de carbono do combustível brasileiro.

Transporte marítimo
O avanço ocorre em meio à construção do novo marco regulatório climático da IMO, aprovado em abril de 2025, que prevê metas para redução de emissões no transporte marítimo global.
O setor responde por cerca de 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, conforme estudos da IMO. Se fosse um país, seria o sexto maior emissor do planeta, entre Japão e Alemanha, de acordo com dados do Banco Mundial.
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As novas regras internacionais devem acelerar a substituição gradual do petróleo no transporte oceânico e abrir espaço para combustíveis de menor impacto climático. O detalhe é que a adoção formal do marco regulatório, inicialmente prevista para este ano, foi adiada para dezembro de 2026 após pressão dos Estados Unidos.
“Safrinha”
O etanol aprovado pela IMO é produzido a partir do milho “da safrinha” — segunda safra cultivada após a colheita da soja nas mesmas áreas agrícolas. Atualmente, essa modalidade representa quase 80% da produção brasileira de milho.
Nas usinas, o grão passa por moagem e fermentação para converter o amido em álcool combustível. Parte da energia utilizada no processo vem da biomassa.
O setor avalia que o etanol brasileiro possui vantagens ambientais em relação ao produto norte-americano devido ao uso de biomassa no processo industrial e ao modelo agrícola de dupla safra, que aumenta a eficiência do uso da terra. Embora o etanol brasileiro ainda seja majoritariamente derivado da cana-de-açúcar, o milho ganhou protagonismo rapidamente. Desde o início da produção em escala, em 2017, o cereal já passou a responder por quase um quarto do volume nacional do biocombustível.
Agora, o governo brasileiro também busca aprovação técnica da IMO para outros combustíveis renováveis, como o etanol de cana e o biodiesel produzido a partir de soja e sebo bovino.
Fonte: Um Só Planeta