Vagão fabricado na Alemanha e abandonado em Botucatu será transformado em espaço de difusão cultural em Sorocaba

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Um vagão, que está abandonado em Botucatu, que veio da Alemanha, considerado um divisor de águas no trabalho ferroviário, por ter sido a primeira composição de aço carbono da ferrovia, será transformado em espaço de difusão cultural de Sorocaba. A Sorocabana — Movimento de Preservação Ferroviária (Associação Movimento de Preservação Ferroviária do Trecho Sorocabana) está convidando artistas de diferentes linguagens para participar da iniciativa colaborativa intitulada “Ocupação Vagão Cultural”.

A proposta visa trazer para à cidade um vagão de passageiros de 1938, denominado de Ouro Verde — que até a década de 1970 cruzou a Sorocabana transportando passageiros entre São Paulo a Presidente Epitácio –, e transformá-lo em espaço cultural multiuso, capaz de sediar atividades nas áreas de artes visuais, teatro, saraus literários, entre outras. O edital de chamamento está em fase de finalização e será publicado no mês que vem nas redes sociais e no site do Movimento de Preservação Ferroviária (www.mpfsorocabana.org.br).

O vagão pertence à associação, que há um ano conseguiu a cessão de uso junto ao governo federal, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). De acordo com Paulo Sérgio Vieira Filho, presidente do MPF-Sorocabana, além de criar um novo espaço cultural, a iniciativa pretende viabilizar o transporte e a salvaguarda do vagão, que atualmente está em Botucatu. “Esse vagão veio da Alemanha e é considerado um divisor de águas, já que foi a primeira composição de aço carbono da ferrovia”, comenta.

Conforme esboço do edital, a ocupação do vagão cultural tem prazo de 24 meses e ocorrerá de maneira compartilhada, entre todos os 12 proponentes selecionados. Como contrapartida do uso do espaço, que será feito em esquema de consórcio, os artistas selecionados deverão investir a quantia mínima de R$ 1.575. O valor, segundo o presidente, é referente a uma do total de doze cotas necessárias para custear o transporte do vagão, estimado em R$ 18.900.

Vieira Filho destaca que o endereço onde o veículo ferroviário será posicionado ainda não foi definido, pois será escolhido em acordo com os artistas. Se a opção for por uma área pública, deverá ter a anuência da Prefeitura. Dependendo do local onde o vagão estiver instalado, os artistas selecionados poderão cobrar ingressos de atividades e espetáculos, desde que a preços populares.

Além das regras previstas no edital de chamamento, a ocupação do vagão terá como gestor cultural o escritor e dramaturgo Luciano Leite, que ficará responsável pela criação da agenda de datas e horários das ocupações artísticas, a fim de garantir os direitos equânimes de uso a todos os integrantes do consórcio. “O chamamento será aberto a artistas de todo o Brasil e não há delimitação de linguagens determinadas. A prioridade [da seleção] será a finalidade do projeto e como ele pode agregar à cultura da cidade”, comenta.

Luciano foi convidado pelo MPF-Sorocabana para atuar como gestor da ocupação cultural do vagão devido a sua experiência junto ao Grupo Manto de Teatro, que em 2011 também conseguiu a concessão de um vagão, que foi reformado e transformado em palco montado no interior das antigas oficinas da Estrada de Ferro Sorocabana. Atualmente, com o fim da temporada de espetáculos, o vagão está sendo usado como sala e biblioteca da companhia teatral. “Acho que essa proposta de ocupação do vagão é interessante não só para os artistas, mas para toda a cidade. Entre as pessoas mais velhos, existe aquele saudosismo, mas muita gente da geração mais nova nunca entrou num trem”, acrescenta Luciano.

 

Fonte: Cruzeiro do Sul

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