Botucatu reduz crimes pela metade e lidera ranking de cidades mais seguras do Estado

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Qual é o segredo de uma cidade que, em oito anos, consegue reduzir pela metade os índices de criminalidade? Mais policiais na rua? Mais estrutura aos profissionais? Mais integração das forças de segurança na hora de solucionar ou mesmo inibir novos tipos de crimes? No caso de Botucatu, a resposta não está em um único fator isoladamente.

Por isso foi promovido uma grande encontro na noite da última quinta-feira (18), no Teatro Municipal – “Camilo Fernandes Dinucci” como forma de prestigiar todos aqueles que de, uma maneira ou de outra, contribuíram para que Botucatu alcançasse novamente em 2015 o posto de cidade mais segura do Estado de São Paulo em comparação entre os 76 municípios paulistas com mais de 100 mil habitantes.

Estiveram presentes no evento o prefeito João Cury Neto; coronel Antonio Valdir Gonçalves Filho, do Comando do Policiamento do Interior (CPI/7); tenente-coronel Jorge Duarte Miguel, comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar do Interior; Antonio Soares da Costa Neto, delegado seccional da Policia Civil de Botucatu; Adjair de Campos, secretário municipal de Segurança e Direitos Humanos; Evaldo Roberto Coratto, coordenador estadual para Assuntos dos Conselhos Comunitários de Segurança; Clóvis Martins, presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Botucatu (Conseg), entre outras autoridades.

Dados estatísticos fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública mostram que desde 2009 Botucatu se mantém entre as dez cidades mais seguras do Estado. Esse levantamento inclui os crimes de homicídio, roubo, lesão corporal dolosa, estupro e tentativa de homicídio. O resultado de cada taxa por tipo de crime é calculado da seguinte maneira: número de ocorrências dividido pelo número de habitantes, multiplicado por 100 mil. A metodologia aplicada para a elaboração do ranking também leva em consideração o grau de ofensividade de cada quesito observado. Os homicídios, por exemplo, têm peso “6” nesta metodologia, enquanto que roubos, furtos/roubos de veículos e furtos têm peso menores.

Clique aqui e confira a metodologia e os números da segurança de Botucatu

“É um espaço de prestação de contas, as pessoas têm direito de saber os investimentos que estão sendo feitos com os impostos pagos pela população e que estão melhorando a qualidade de vida da população. É um trabalho muito forte das forças de segurança. Nós temos que reconhecer os desafios que foram enfrentados e estamos melhorando a cada ano. Reduzimos drasticamente o número de homicídios na Cidade, de roubos. Há sete anos nós não temos um latrocínio em Botucatu. Então temos sim que comemorar. E a população reconhece”, diz o prefeito, que na ocasião, ainda assinou um ofício que determina providências para a criação de um Comitê Local de Segurança Viária em Botucatu.

“Temos uma grande pedra no nosso sapato que foram os indicadores do Infosiga, do Governo do Estado de São Paulo, no qual aponta que Botucatu foi a cidade que mais vitimou pessoas em acidentes de trânsito. Isso nos preocupou, mas de certa forma também nos motivou a reagir rapidamente a não colocar o problema embaixo do tapete e fazer de conta que ele não é nosso. Então temos um trabalho muito grande pela frente. O comitê vai ser composto por várias forças da sociedade botucatuense. Vamos chamá-las a participar para pensar, fazer um grande diagnóstico e elaborar um plano de ação pra que a gente possa, daqui a um ano, ter elementos objetivos e indicadores que demonstrem que a nossa iniciativa surtirá efeito no número de mortes no trânsito de nossa cidade”, completa.

Furtos

Classificado como “crime de oportunidade” e de menor potencial ofensivo por não envolver violência contra a pessoa, o furto desafia as forças de segurança todos os dias. Entre os anos de 2001 e 2008, a taxa média em Botucatu foi de 1.934 furtos para cada grupo de 100 mil habitantes. Entre os anos de 2009 e 2015, o número de casos caiu para uma taxa média de 1.061, uma redução da ordem de 45,1%.

E a expectativa é por uma queda ainda maior em 2016. O fato de contar com a 10ª maior extensão territorial entre os 645 municípios paulistas traz maiores dificuldades a Botucatu no combate a essa modalidade de crime. Mas as forças de segurança têm trabalhado dia e noite para inibir a ação dos criminosos.

ANO  TAXA (POR 100 MIL HABITANTES)

2001 2.023,47

2002 2.123,90

2003 2.074,45

2004 1.926,89

2005 2.006,37

2006 1.847,55

2007 1.850,51

2008 1.621,75

2009 1.326,21

2010 1.017,65

2011 1.040,73

2012 967,87

2013 1.202,52

2014 953,62

2015 919,49

Furto e roubo de veículos

Neste tipo de crime, que pode envolver violência contra a pessoa e que representa grande prejuízo às vítimas, o número de ocorrências também caiu drasticamente. A ponto de, nos últimos seis anos, Botucatu sempre figurar no ranking das 10 cidades com as menores taxas de furto e roubo de veículos em todo o Estado.

No período de 2001 a 2008, a taxa média ficou em 439,20 delitos por grupo de 100 mil habitantes. Já entre os anos de 2009 e 2013 essa taxa caiu para 159,30/100 mil, uma redução de pouco mais de 63%.

ANO TAXA (POR 100 MIL HABITANTES)

2001 249,75

2002 225,78

2003 167,54

2004 138,93

2005 185,95

2006 166,29

2007 138,23

2008 137,71

2009 200,29

2010   81,00

2011   62,18

2012  69,13

2013 121,47

2014 55,52

2015 44,49

Homicídios

Apesar de registrar melhorias pontuais em alguns estados, o Brasil ainda mantém uma alta taxa anual de homicídios, na casa de 20,4 assassinatos por grupo de cem mil habitantes. (Mapa da Violência 2013). Esse indicador é o dobro do teto estabelecido como aceitável pela ONU, que considera epidêmicos os índices de mortalidade por ação violenta acima do patamar de 10/100 mil.

A taxa média de homicídios em Botucatu, entre os anos de 2001 e 2008 ficou muito próxima do limite considerado aceitável, atingindo 9,79/100 mil. A partir de 2009, as mudanças introduzidas na área de segurança pública e a ações para promoção da cultura de paz no município passaram a produzir excelentes resultados, reduzindo a mais da metade os casos nessa modalidade de crime. Entre 2009 e 2015, o município sempre figurou entre os 25 com as menores taxas de homicídio no estado. A taxa média, no período, caiu para 4,27/100 mil, uma redução da ordem de 56,4%.

ANO TAXA (POR 100 MIL HABITANTES)

2001 11,81

2002 20,53

2003 11,40

2004 12,08

2005 2,55

2006 9,19

2007 5,76

2008 4,86

2009 3,19

2010 1,57

2011 5,44

2012 6,91

2013 6,07

2014 5,25

2015 1,48

Roubos

Modalidade de crime que impacta fortemente a sensação de segurança da população, o roubo é bastante grave por envolver violência ou ameaça de violência. Nos últimos anos a quantidade de ocorrências, na maioria das cidades do País, segue em patamares muito elevados.

Em Botucatu, entre os anos de 2001 e 2008, a taxa média de roubos, para cada grupo de 100 mil habitantes foi de 151,88/100 mil. Já entre os anos de 2009 e 2015 houve uma redução da ordem de 47,4% nos registros desse tipo de crime, com a taxa média caindo para 79,82/100 mil. Já em 2009, o Município foi o quarto colocado no ranking das cidades com as menores taxas de roubo no estado. E na sequência, por seis anos consecutivos (2010/2015), vem mantendo o primeiro lugar no ranking.

ANO TAXA (POR 100 MIL HABITANTES)

2001 188,91

2002 182,94

2003 181,57

2004 114,77

2005 112,08

2006 153,75

2007 157,98

2008 122,32

2009 186,72

2010   80,22

2011   66,07

2012 46,09

2013 72,88

2014 63,02

2015 43,75

BOTUCATU/EVOLUÇÃO POR PERÍODOS

PERÍODO       HOMICÍDIO    FURTO   ROUBO    FURTO/ROUBO

2001-2008           9,79           1.934,10    151,88       439.20

2009-2015           4,27           1.061,15      79,82       159,30

DIFERENÇA(%) -56,4              -45,1         -47,4        -63,7

BOTUCATU x ESTADO (2015)

BASE               HOMICÍDIO   FURTO    ROUBO   FURTO/ROUBO

ESTADO               8,73          1.150,67    14,08        439.86

BOTUCATU          1,48            919,49      43,75        44,49

DIFERENÇA(%)   -83,05         -20,10      -93,87       -89,89

Fonte: Prefeitura de Botucatu

 

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