Botucatu: HCFMB e Polícia Civil não descartam atentado ou sabotagem nas águas de diálise renal

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A Superintendência do Hospital das Clínicas e a Polícia Civil de Botucatu não descartam a possibilidade de sabotagem ou atentado contra a unidade clínica de diálise do HCFMB, usando ácido peracético, extremamente forte, usado em procedimentos de esterilização e limpeza. Esse tipo de ácido foi jogado em tanques usados para diálise renal do HCFMB, que atende centenas de pessoas por dia.

O fato aconteceu no último sábado, 16, e foi descoberto por uma técnica de enfermagem que diagnosticou ácido peracético antes de iniciar o atendimento dos pacientes nas máquinas.

O delegado Marcos Mores afirmou, em entrevista ao repórter Jayme Contessote Jr., da rádio Clube FM, que todas as possibilidades estão sendo analisadas na investigação. As investigações conduzidas pela Polícia Judiciária vai usar imagens de câmeras de segurança e outros procedimentos para identificar quem é o autor do atentado.

A ocorrência policial foi registrada pelo Dr. Marcos Mores com base no artigo 273 do Código Penal, que estabelece o crime de “falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais”. A pena prevista é reclusão de 10 a 15 anos.

“Não descartamos nenhuma possibilidade no caso que estamos investigando. Com apoio da direção do hospital vamos verificar quem teve acesso ao local onde o ácido peracético é armazenado, quem pegou e, após identificar tal pessoa, vamos saber as motivações desse ato que poderia matar muitas pessoas”, afirmou o delegado.

HCFM DIZ QUE SITUAÇÃO FOI ATÍPICA

O Superintendente do Hospital das Clinicas, autarquia da Secretaria de Saúde do Estado, André Balbi, ressaltou que a situação foi atípica, pois há uma certa distância entre o local de armazenamento dos ácidos e insumos hospitalares e o local onde é feito o tratamento da água de diálise. “Houve uma situação atípica. A contaminação com ácido peracetico foi detectado na água da diálise dos pacientes. Não pode ter sido erro de procedimento da equipe, erros e problemas do equipamento também não são possíveis. Onde fica o ácido e onde ele é jogado existe uma certa distância. De fato houve alguém, que por motivos alheios ao nosso entendimento, colocou esse ácido no local da diálise e, graças a nossa equipe de enfermagem e médicos, o problema foi identificado evitando problemas maiores”, afirmou o Dr. André Balbi, durante entrevista na Rádio Clube.

Dr. André Balbi é o diretor superintendente do HCFMB (Fotos: Reprodução)

SABOTAGEM OU ATENTADO?

André Balbi e o delegado Marcos Mores, que investiga o caso, não descartam a possibilidade de sabotagem ou atentado.

“Provavelmente, pelo nosso entendimento, não faço acusação precoce, mas existe um fato estranho e alguém pode ter entrado na unidade na noite de sexta-feira para sábado e pego o galão de ácido no nosso estoque de materiais e colocado no tanque. Vamos aguardar a apuração da Policia Civil”, ponderou.

O Superintendente explicou que o ácido é usado no final dos procedimentos de diálise para limpeza e não no início do procedimento clinico. Ele também salientou que a pessoa que executou o ato sabia onde ficava o ácido peracético e o local onde a água é tratada.

“São locais distantes um do outro. Foi alguém com má intenção”, afirmou.

Balbi contou que o local onde é armazenado tem câmeras, é fechado, existem câmeras nos corredores e na diálise. Ainda vamos apurar se tinha alguém no local do armazenamento, mas quem pegou o ácido sabia onde estava o material e sabia como usar o equipamento. Uma pessoa leiga não saberia fazer isso.

“Quem fez sabia ou foi bem treinado para isso”, disse o superintendente.

CEM PACIENTES POR DIA

Devido ao problema verificado no setor de diálise renal do HCFM, não houve procedimentos clínicos para pacientes renais, que foi reprogramado para domingo, dia 17. Por dia são aproximadamente cem pessoas que passam pelo processo. Os pacientes são da região de Botucatu e o atendimento é feito em três horários, pela manhã, tarde e noite.

André Balbi contou que o ácido peracético não é um produto que se encontre em farmácias, pois é destinado a venda de hospitais, consultórios dentários e laboratórios, entre outras clinicas, mas que pode ser encontrado para venda na internet. O material é vendido em galões.

“Esse ácido é de uso restrito a nível hospitalar, difícil de encontrar no comercio. NO HCFMB esse material fica guardado no local controlado e quem fez esse ato entrou no estoque do hospital pegou o ácido e colocou nos tanques”, afirmou o superintendente do HCFMB.

PROCEDIMENTOS

O superintendente do hospital destacou que apesar da tentativa de sabotagem ou atentado, os procedimentos da equipe da central de diálise renal seguiram os padrões esperados e por isso não houve problemas maiores.

“Nossa diálise tem padrão de atendimento e reconhecimento e é referência nacional, temos rígidos padrões para evitar danos. O trabalho da equipe no sábado foi fantástico, começando pela técnica Joana, que identificou o problema, depois chamou a enfermeira Beth e chamou a Dra. Pámela, que mobilizaram procedimentos para evitar problemas. Quero reconhecer o trabalho dessa equipe”.

SEGURANÇA

O Superintendente do HCFMB informou que independentemente do resultado da apuração criminal do atentado, será feita uma revisão dos procedimentos de segurança e acesso ao Hospital.

COMO É EMPREGADO O ÁCIDO PERACÉTICO

O ácido peracético é uma solução incolor levemente amarelada com odor semelhante ao de vinagre. Sua fórmula química é CH3CO3H. É utilizado especialmente para desinfecção, devido às suas propriedades esterilizantes, fungicidas, viricidas, bactericidas e esporicidas, em diversos setores de assistência médica e limpeza de águas e minerais.

Fonte: Haroldo Amaral/Botucatu Online

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