Botucatu: Dr. Fortaleza, infectologista do HC de Botucatu, alerta: “Interior fechou cedo demais. Agora, a população cansou”

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Quase quatro meses depois do início da epidemia e do decreto que restringiu atividades econômicas, não só a cidade, mas todo o Interior ainda caminham para o pior: o pico da doença.

A situação tem reforçado a constatação de que o Interior determinou o fechamento de vários segmentos cedo demais. É o que afirma o infectologista do Hospital das Clínicas de Botucatu e membro do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado, Carlos Magno Fortaleza. Ele defende que a medida no Interior deveria ter começado apenas na segunda quinzena de abril.

As melhores e últimas previsões apontam que o pico da Covid-19 no interior ainda deve ocorrer somente após a metade de agosto. Depois deste período, é esperada a estabilização, mas a queda de casos deve ocorrer apenas em setembro.

Carlos diz que chegou a alertar várias autoridades para a situação e que o fechamento do Interior, em sua opinião, deveria ter ocorrido cerca de um mês após a Capital.

“Eu posso dizer, ‘eu te disse’, porque eu realmente alertei muita gente. Nosso erro foi fechar cedo demais o Interior. Fechamos em um momento em que só a Capital teria que fechar. Mas, havia justificativa para isso, afinal, todo mundo estava com medo”, avalia. “O problema é que, agora, a população cansou e as cidades querem abrir com o quadro de evolução da doença piorando”, opina Fortaleza.

Ele não aconselha flexibilizações que não se enquadrem no Plano São Paulo. “Estamos em uma situação em que não são recomendadas muitas liberalidades, embora alguns prefeitos que são candidatos à reeleição venham desconsiderando isso”, observa.

‘RETARDOU’

Por outro lado, Fortaleza ressalta o fato positivo de a curva ter sido achatada com a antecipação. “Estávamos três semanas atrás de São Paulo, depois, dobramos o atraso em relação à Capital. Com o controle da doença por lá, a exportação de doentes para no Interior diminuiu. E fez com que a dinâmica da Covid ficasse mais voltada para transmissão local, que é algo que também foi retardado”, explica.

O problema, contudo, é que o Interior não deve demorar a alcançar uma fase de crescimento exponencial da Covid-19. “A doença já atingiu em cheio Campinas e Ribeirão [Preto]. E não tem nenhuma cortina mágica, nada que impeça que a próxima fase sejamos nós [região de Bauru]. Torço para que não, mas acho que pode acontecer, sim”, alerta o pesquisador.

JCNet

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