Botucatu: Arcebispo pede que Semana Santa seja celebrada em casa “como igreja doméstica”

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Num ano atípico por conta das medidas preventivas contra o Covid-19, o arcebispo de Botucatu dom Maurício Grotto de Camargo enviou mensagem on line para toda a comunidade católica da região exortando que a Semana Santa, período em que se celebra a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, seja celebrada no ambiente domiciliar.

Didático, o líder da Igreja Católica da região sudoeste paulista fez as seguintes recomendações: “Cada casa, igreja doméstica, procure montar um pequeno altar; sobre o altar devem estar a Sagrada Escritura, um crucifixo e uma vela a ser acesa durante as celebrações; reunir a família com ao menos meia hora de antecedência para criar um clima de silêncio e oração; pode-se recitar o santo Rosário e cantar os hinos próprios mais conhecidos”.

“No Domingo de Ramos – a ser celebrado neste 5 de abril – dom Maurício fez uma sugestão para as famílias católicas, impedidas por conta da pandemia de participar de missas e procissões: “Pode-se ornar a casa com ramos, inclusive na parte externa, para aclamar Jesus como Senhor e Salvador”.

Entretanto, na maioria das 46 paróquias que compõem a Arquidiocese de Botucatu a Semana Santa contará com missas on line.

“É preciso vencer o medo de sofrer”

Confira a seguir a íntegra da mensagem do arcebispo de Botucatu:

“Gostaríamos todos de celebrar na igreja a Santa Páscoa… nossas igrejas estão fechadas, nossos corações, porém, não podem se fechar… devem estar abertos a Deus e aos irmãos e irmãs… ‘Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!’ – ‘Cristo por nós foi tentado, sofreu e na cruz morreu, vinde todos adoremos!’

Lembremo-nos que a Igreja nasce da provação e na tribulação; nasce da Cruz, do Sagrado Coração de Jesus, aberto pela lança, do qual jorram sangue e água. Nasce missionária e itinerante em Pentecostes. Conduzida pelo Espírito Santo, vai se firmando, não a partir de templos ou seguranças deste mundo, mas de pequenas e autênticas comunidades capazes de amar como Jesus.

Rm 5, 1-5 = ‘Assim, justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Por meio dele e através da fé, nós temos acesso à graça, na qual nos mantemos e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. E não só isso. Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, a perseverança produz a fidelidade comprovada, e a fidelidade comprovada produz a esperança. E a esperança não engana, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”

Atitude perante a situação: dois foram crucificados com Jesus. Um se revolta contra Deus, contra tudo e todos, e cobra de Jesus uma solução, sem perceber que a solução – Salvação – está bem a seu lado e diante de seus olhos: Jesus crucificado, fiel ao Pai até o fim e firme no amor até para com os inimigos. O outro, São Dimas, está de olhos e coração abertos; observa atentamente o cenário todo; faz uma revisão de toda sua vida; se arrepende; vê, percebe e reconhece que Jesus é Senhor e Salvador.

Queridos irmãos e irmãs, Páscoa é um processo de morte e ressurreição com Cristo, por Cristo e em Cristo, que se dá no dia-a-dia, no cotidiano da vida. Isto é, diariamente, mesmo nas pequenas coisas e acontecimentos. É preciso, pois, parar de se lamentar com os problemas e dificuldades que surgem diariamente, sobretudo nas relações humanas: marido e mulher; pais e filhos; irmãos e irmãs; vizinhos e vizinhas; companheiros de trabalho…

É preciso parar de fugir da cruz do cotidiano, até mesmo na comunidade, na paróquia em que participamos. Muitas pessoas só sabem arranjar desculpas para uma atitude covarde e reclamar que na paróquia tem ‘fulano ou sicrano’ que é ‘assim ou assado’; que o padre é ‘isso ou aquilo’. É preciso vencer o medo de sofrer o que for preciso sofrer para resolver os problemas com amor e no amor. Afinal, sem os problemas do cotidiano, como aprender a perdoar e a pedir perdão? Como aprender a confiar em Deus de forma radical? Como aprender a amar e se deixar amar? Como aprender a dialogar com humildade e sabedoria? Como aprender a fazer e refazer a comunhão? Como aprender a se deixar santificar pelo Espírito Santo de Deus? Como aprender a ser instrumento de santificação para os outros?”

Em união com o papa

Ao desejar aos seus diocesanos “uma santa e feliz Páscoa do cotidiano e no cotidiano da vida”, o arcebispo finalizou sua mensagem pedindo a todos que se unam ao papa Francisco na oração que ele compôs para pedir a proteção da Virgem Maria:

“Ó Maria, Tu sempre brilhas em nosso caminho, como sinal de salvação e esperança. Nós nos entregamos a Ti, saúde dos enfermos, que na Cruz foste associada à dor de Jesus, mantendo firme a Tua fé. Tu, salvação do povo, sabes do que precisamos e temos a certeza de que garantirás, como em Caná da Galileia, que a alegria e a celebração possam retornar após este momento de provação. Ajuda-nos, Mãe do Divino Amor, a nos conformarmos com a vontade do Pai e a fazer o que Jesus nos disser. Ele que tomou sobre si nossos sofrimentos e tomou sobre si nossas dores para nos levar, através da Cruz, à alegria da Ressurreição. Amém. Sob Tua proteção, buscamos refúgio, Santa Mãe de Deus. Não desprezes as nossas súplicas, nós que estamos na provação, e livra-nos de todo perigo, Virgem gloriosa e bendita”.

VEJA A MENSAGEM DO ARCEBISPO DE BOTUCATU

Por Gesiel Júnior

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