Botucatu 164 anos: Prefeito Pardini afirma que a curva de crescimento pela qual Botucatu passa deve ser mantida

Entrevista: Entrando em seu terceiro ano de mandato, o Chefe do Executivo Municipal, Mário Pardini, salienta que a busca pela geração de emprego se torna o desafio principal de seu Governo

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Botucatu, que comple­ta seu 164º aniversário neste 14 de abril, celebra a retomada do cresci­mento econômico com a atração de investimentos no âmbito empresarial e social. Após anos sofren­do diretamente com a crise econômica, que re­sultou no encerramento de mais de 1.500 postos de trabalho, a cidade vê a situação começar a se inverter, com dois anos seguidos de resultados positivos neste contexto. Cenário que foi possibi­litado pela junção de al­guns fatores, sendo que a aproximação do Poder Público com a iniciativa privada foi fundamental, conforme analisa o pre­feito Mário Pardini.

Entrando em seu ter­ceiro ano de mandato, o Chefe do Executivo Municipal salienta que a busca pela geração de emprego se torna o de­safio principal de seu Governo. Ressalta que algumas iniciativas foram tomadas neste sentido, como a criação de fren­tes de trabalho, cursos de qualificação profissional, para atender as deman­das específicas da região, o fomento da micro e pe­quena empresa e o setor de serviços.

Frisando que uma das marcas do governo é a adoção de postura em­presarial direcionada a uma política de resulta­dos, Pardini ressalta que o município vive a con­cretização de projetos considerados ousados, como a viabilização da represa do Rio Pardo, que duplicará a capacidade de armazenamento de água para os próximos cin­quenta anos.

A obra, em vias de abertura de licitação, está orçada em mais de R$ 50 milhões e será cus­teada pela Sabesp. Entre as de infraestrutura está a conclusão do viaduto que interligará as regiões Leste e Norte.

A estrutura faz parte do futuro Anel Viário, que será composto por novas avenidas e rees­truturação de algumas já existentes, como a aveni­da Deputado Dante Del­manto.

O fomento econômico, cita o prefeito, também é salientado como uma das principais metas para esta segunda fase de seu mandato. A captação de novas empresas tem sido viabilizada por par­cerias e iniciativas, como uma nova legislação de incentivo à ampliação do parque empresarial e industrial, que será apre­sentada à Câmara Muni­cipal nos próximos me­ses. Para Pardini, a “curva de crescimento deve ser mantida”, ampliando as opções de crescimento. Uma dessas novas op­ções para investimentos estará centrada com a classificação de Botucatu como Município de In­teresse Turístico (MIT), o que viabilizará novos projetos para a atração de novos visitantes.

Pardini frisou que, mais do que obras, o município também vive conquistas significativas na qualida­de de vida à população. Desde a construção de sete novas escolas em tempo integral, entrega de uniformes escolares a mais de 15 mil alunos da rede municipal, Botucatu também será referência regional em Saúde, com a solidificação do sistema público de saúde.

JORNAL LEIA NOTÍ­CIAS – Prefeito, o senhor entra em seu terceiro ano de mandato. Foi uma gestão que enfren­tou diversos desafios, como a geração de em­pregos, sanar o déficit habitacional e avançar na infraestrutura urba­na. Hoje, no seu gover­no, qual o maior desafio que enfrenta à frente da gestão municipal?

PARDINI – Se acompa­nhar a dinâmica da cida­de e com o que ocorre no Estado e no país, é dife­rente o que tem sido fei­to aqui. Temos obras de infraestrutura que estão transformando a cidade, seja na área de mobilida­de urbana ou mesmo de grandes investimentos, como o sistema de dre­nagem de águas pluviais (piscinões), a represa do Rio Pardo para o abas­tecimento de água, além das casas populares que estão sendo construí­das. Neste governo há a construção de escolas em tempo integral, que já somam sete. Também foi realizado um forte traba­lho de transição da Orga­nização de Saúde, que foi possível manter os fun­cionários da Fundação UNI para a Pirangi (atual gestora do sistema básico de saúde em Botucatu). O grande desafio, agora, é conseguir concluir to­das estas obras que ini­ciamos. São muitas obras de engenharia, projetos e desafios econômicos para se manter fluxo de caixa. E é um compromisso de se entregar obras de qua­lidade para não termos que enfrentar os proble­mas que se enfrenta com obras cheias de vícios, revisitar ou retomar al­guns pontos. Além disso, um desafio é ampliar as construções de casas po­pulares e iniciar as obras da represa. Já acompa­nhamos de perto todos os trâmites para que isso ocorra e espero que uma empresa idônea assuma a obra. Outro ponto é o anel viário que, mesmo com todas as dificulda­des orçamentárias, mais uma vez se faz todo o tra­balho com mão-de-obra própria, assim como foi feita na primeira etapa da duplicação da Rodovia Gastão Dal Farra. É nes­te ambiente de recessão que almejamos terminar as sete escolas de tem­po integral. Os objetivos, nestes dois anos que ain­da faltam, é concluir esse grande rol de obras que está transformando a Ci­dade.

JORNAL LEIA NOTÍCIAS – O Ministério da Econo­mia constatou que no início de seu mandato, em janeiro de 2017, ain­da sentindo os efeitos da crise econômica, foram encerradas 1.500 vagas formais de trabalho. No entanto, estes números foram se reduzindo ao longo dos meses, com as maiores empregadoras estando nos setores da indústria, serviços e va­rejo. Por parte do Poder Público, como dinami­zar o mercado para que a geração de emprego tenha fôlego maior?

PARDINI – Primeiro, te­mos que ver o quão im­portante é cada setor para a dinâmica econô­mica, com uma forte pre­sença da construção civil. Todas estas obras que ocorrem atualmente no município favoreceram a geração de empregos. Tem que se manter o rit­mo de obras, já que mexe com a infraestrutura da Cidade e acarreta em mais oportunidades de trabalho. A agropecuária também foi um setor im­portante, especialmente na colheita de laranja, que ainda é manual. Mas vimos também a indús­tria recuperando-se. Um exemplo é a Caio Indus­car, que formalizou con­tratos significativos. Boa parte de tudo isso se deve a méritos do próprio em­presariado botucatuen­se. Somente ela (Caio In­duscar), contratou mais de 600 funcionários so­mente em 2018. Há um trabalho muito próximo da Prefeitura junto aos empresários, o que tem gerado mais segurança e confiança e um ambien­te propício para investi­mentos no município. Por exemplo, estamos pro­pondo uma minuta de Lei de Incentivos voltada à ampliação das empresas de Botucatu, com o exce­dente de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) sendo revertido para tal estímulo, tanto das em­presas instaladas, quanto na captação de novos em­preendimentos.

Outro aspecto relevante a ser frisado é quanto o incentivo à qualificação de mão-de-obra para as indústrias. Também re­alocamos pessoas que estavam à margem da sociedade com o progra­ma “Botucatu em frente”, onde tratamos aspectos sociais para que sejam inseridas no mercado de trabalho. São iniciativas que fizeram Botucatu reagir à crise e comemo­rasse a criação de quase 3 mil postos de trabalho. De um cenário em que fo­ram encerradas oportu­nidades, hoje celebramos essa reposição. A aproxi­mação do Poder Público com a classe empresarial, com a formulação de par­cerias, foi essencial para fornecer todo o suporte para captar novos inves­timentos.

JORNAL LEIA NOTÍCIAS – Algumas empresas, no entanto, passaram por momentos de turbu­lências como reflexo do momento econômico que o país viveu. Algu­mas suspenderam a pro­dução, outras fecharam as portas. Dentro desse contexto, como o Poder Público pode criar me­canismos de proteção às empresas que estão em Botucatu?

PARDINI – Há coisas que o prefeito pode e o que não consegue fazer. Não adianta bater no peito e dizer que somos os úni­cos responsáveis pela criação dos três mil em­pregos. O que podemos fazer é induzir alguns in­vestimentos, criando par­cerias e cenários de fo­mento com as empresas, e é isso que almejamos. Mas, muita coisa é de competência do próprio mercado. Por exemplo, temos o caso da Embraer e a parceria com a Boeing, onde acompanho todas as negociações e conver­so com frequência com os diretores da empresa. No caso da fusão entre as empresas, a unidade de Botucatu ficará sen­do Embraer. A fabricante gerou, nesse processo, mais de cem empregos diretos, e a nossa unida­de é uma com os maiores índices de eficácia entre todas as filiais. Muito se deve à qualidade da mão­-de-obra encontrada em Botucatu, que é extrema­mente qualificada. Mas não sabemos como será a postura da empresa caso o acordo se concretize. Outro caso é o da Dura­tex, que praticamente quase todos os funcio­nários foram absorvidos pela Eucatex. Já há nego­ciação para que as linhas de produção desativadas sejam retomadas. A pró­pria Duratex está moder­nizando a planta botuca­tuense para poder buscar eficiência. Todas estas informações são obtidas por causa da preocupa­ção que o Poder Público tem em acompanhar os meandros da economia e a geração de empregos. Conversamos também com as grandes empre­sas para que elas tragam fornecedoras para a Ci­dade. Mas tudo isso não depende somente da boa vontade do governo, mas também do otimismo ou pessimismo da classe em­presarial. Estou convicto que esta curva de cresci­mento que Botucatu pas­sa deve ser mantida.

JORNAL LEIA NOTÍ­CIAS – Foi citada, ante­riormente, a possível criação de uma Lei de Incentivo à expansão empresarial. Como seria esta nova legislação?

PARDINI – Ainda esta­mos desenvolvendo o texto e as características desta lei. Mas basicamen­te será voltada a amplia­ção da produção das em­presas já instaladas em Botucatu. Outro aspecto do texto é que haverá um fomento para aquelas que aportam no muni­cípio. Algumas Cidades, como Louveira e Vinhedo, por exemplo, já possuem legislações semelhantes. E hoje esses municípios têm um parque empresa­rial consistente, mesmo em momentos de crise. Campinas está perden­do uma grande empresa para Louveira porque não conseguiu se manter competitiva neste aspec­to.

JORNAL LEIA NOTÍ­CIAS – Um ponto que foi muito sentido pelo empresariado botuca­tuense foi a mudança no perfil do Parque Tec­nológico. Atualmente, o espaço agrega dezenas de empresas, com uma dinâmica mais produti­va. Quais serão os pró­ximos rumos do parque durante a sua gestão?

PARDINI – O Parque Tecnológico foi um dos indutores de emprego em Botucatu. Para se ter ideia, em 2017 abrigava uma empresa com dois funcionários. Tínhamos três diretores para a ges­tão e captação de inves­timentos. O que fizemos foi reduzir custos, prin­cipalmente na folha de pagamento, e colocamos um gerente operacional que é remunerado pela performance. As medi­das surtiram resultados: hoje todo o pavilhão ad­ministrativo está lotado, há 80 funcionários di­retos e indiretos traba­lhando nas dependências do parque, e três áreas foram destinadas para a construção de empresas. Não tínhamos mais tem­po para aguardar apenas empresas de caracterís­ticas tecnológicas, o que nos levou a discutir a fun­ção do espaço. Optou-se por diversificar o escopo e vejo como uma decisão acertada.

JORNAL LEIA NOTÍ­CIAS – Botucatu con­centra quase cinco mil empresas na área de va­rejo, serviços e também microempreendedores individuais. Como o go­verno, em âmbito mu­nicipal, pode incentivar o fomento e também a sobrevivência destes empreendimentos?

PARDINI – Temos que in­duzir a economia. Se você fomenta a construção ci­vil, por exemplo, ou mes­mo a indústria, nossa ati­vidade econômica cresce. Temos o investimento de grandes redes, como o Confiança, com mais de 400 empregos diretos. A Prefeitura está em nego­ciação com outras redes de supermercados para a instalação em Botucatu. Todas essas ações ajudam o pequeno comerciante e os prestadores de ser­viços, já que aumenta o nível de atividades e o aumento da lucrativida­de. Induz a investimentos significativos e diversifica a economia local. Tem que se lembrar que o nível de emprego também é pro­porcional às vendas dos pequenos comerciantes.

JORNAL LEIA NOTÍCIAS – A principal via comer­cial de Botucatu, a Rua Amando de Barros pas­sou desde 2016 por um intenso processo de re­vitalização. No ano pas­sado, a segunda etapa foi concluída. Também se tem especulado sobre obras de infraestrutura em outros corredores, como a Major Matheus, as avenidas Dom Lúcio, Conde de Serra Negra e a Dante Delmanto. Como está o planeja­mento para tais obras?

PARDINI – Ainda é um so­nho, mas a revitalização da Dante Delmanto está mais próxima de aconte­cer. Já temos o projeto executivo e agora a etapa é buscar recursos para se iniciar a licitação das obras. A Conde de Ser­ra Negra (que fará parte do anel viário devido às obras do residencial Ca­choeirinha), depende da desapropriação de uma faixa de terra na saída para Vitoriana, algo que a Prefeitura precisa capita­lizar verba para que isso ocorra. A Dante Delman­to faremos ainda em nos­so governo, e a expectati­va é iniciar a Conde ainda nestes próximos anos. Já a Avenida Dom Lúcio, que é um dos corredores co­merciais mais importan­tes de Botucatu, já recebe algumas ações para sua conservação, como a re­vitalização de praças (Iza­bel Arruda e a do Largo São José) e recape asfál­tico. Hoje ela recebe, por exemplo, o projeto Aveni­da é Sua, com atividades culturais e esportivas, que é mais uma atração ao bo­tucatuense. Claro que se pode planejar uma nova perspectiva para ela. No entanto, a administração pública exige priorizar e, neste momento, a Dante Delmanto exige investi­mentos, até pelo fato de ser um corredor de aces­so à Cidade.

JORNAL LEIA NOTÍCIAS – Este ano Botucatu re­cebeu a confirmação de ser um Município de In­teresse Turístico (MIT), certificação dada pelo governo estadual para o fomento turístico. Com isso, serão repassados anualmente mais de R$ 600 mil para investi­mentos em estrutura. Qual será o perfil e prio­ridades de ações para estimular o setor?

PARDINI – Há muito a ser feito. Uma das principais obras que está em fase de conclusão é a revitaliza­ção do complexo da Cas­cata da Marta, que terá centro receptivo, trilhas de fácil acesso e que são importantes para o turis­ta. A própria barragem do Rio Pardo (nas proximi­dades da Cascata do Véu da Noiva) também será um indutor do turismo. Mas há outros projetos a serem explorados, como o trem turístico, que ain­da é algo distante. Mas esta verba complementar que o governo do Estado destinará será importan­te para a formulação do turismo em Botucatu.

JORNAL LEIA NOTÍCIAS – Prefeito, o senhor frisa ter um perfil empresa­rial e que a política tem que ser discutida com base em resultados. O que a sua gestão absor­veu deste pensamento?

PARDINI – Temos essa veia empresarial e de­monstramos isso no go­verno. A política tem que ser discutida com base em resultados. Sincera­mente, não tenho dispo­sição para reuniões políti­cas sem objetivos e metas a serem alcançadas. Te­nho uma vida partidária, mas ao mesmo tempo priorizo o resultado. Isso está sendo expresso na geração de empregos, nas obras sendo executadas. As ações do Poder Públi­co também se traduzem na questão da segurança pública, outro exemplo que trago. Em 2018, Bo­tucatu se tornou uma das Cidades mais seguras do Estado, e quem cons­tatou isso foi a própria Secretaria de Estado da Segurança Pública, com a melhor performance das Forças de Segurança em questões como o comba­te a furtos e roubos. Na Educação, por meio do Ideb (Índice de Desen­volvimento da Educação Básica), também consta­tamos avanços significa­tivos (em 2017 o muni­cípio alcançou média de 6,6 pontos frente ao esta­belecido pelo Ministério da Educação, que era de 6,3). Claro que tudo isso é a soma dos trabalhos de outras gestões, mas é a obrigação manter todas essas conquistas. Política tem que se discutir com resultados.

Jornal Leia Notícias por Flávio Fogueral

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