Botucatu: Médicos alertam que o HC não tem mais leitos para isolar pacientes com Covid. “Isso contradiz a fala que está tudo bem, que a Covid está controlada. Isso não é verdade”

A situação da Covid-19 em Botucatu está pior do que a população pensa, segundo os próprios médicos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu.

De acordo com o que foi passado à reportagem nesta terça-feira, 25, o HC de Botucatu está acima do seu limite, novamente. Não hás mais leitos para isolamento de pacientes com Covid-19 e muitos desses pacientes que estão ocupando os leitos são moradores de Botucatu.

“O número de casos de Covid está como nunca vimos antes, tanto em Botucatu como em todo o Brasil. Claro, que com a vacina, casos graves, em sua maioria, são evitados, mas não todos. A Ômicron tem matado e nas últimas semanas subiu 150% o número de mortes por Covid no Brasil. Temos no HC de Botucatu a situação de pessoas internando por Covid e pessoas internando por outras razões, que graças ao excelente sistema de triagem, tanto de sintomas, quanto de pessoas assintomáticas, por coleta de salivas, acabamos descobrindo que essas pessoas tem Covid. Muitas dessas pessoas são munícipes de Botucatu. Isso contradiz a fala que está tudo bem, que a Covid está controlada, de que estamos com uma situação normal. Isso não é verdade. Nosso Hospital já está sem leitos de isolamento. Estamos precisando fazer ampliações para dar conta desse isolamento necessário. Se a Covid acomete uma pessoa que tem algum problema grave, ela interna com a doença e a chance dessa pessoa ter um desfecho ruim é muito grande”, relatou o médico infectologista, Dr. Carlos Magno Fortaleza, Chefe da Comissão de Infecção Relacionada à Infecções à Saúde.

A situação enfrentada em Botucatu, no Hospital das Clínicas, foi confirmada pelo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, e chefe do Departamento de Infectologia de Unesp, Dr. Alexandre Naime Barbosa.

“Botucatu, como muitas outras cidades, vive uma nova dinâmica da Covid, chamada agora como ‘Covid-22’, a Covid-19, antes da vacinação em massa, tinha aspectos de alto índice de internação e alta taxa de óbitos. Com a vacinação, essas taxas caíram. Para termos uma ideia, a pessoa vacinada, com o ciclo completo, tem 50 vezes menos chance de ser internada e morrer do que aquela que não se vacinou, porém a Covid-22, tem um ponto negativo. Ela está ocorrendo no ambiente de transmissão da variante Ômicron, que tem um poder de transmissão muito alto. Uma pessoa chega a infectar 20 outras pessoas por dia. Temos um cenário de explosão de números de casos”, explicou o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

“No HC de Botucatu, muitos pacientes se internam por outros motivos de saúde, por exemplo, derrame, infarto, AVC, uma necessidade de cirurgia ortopédica por trauma, ou quimioterapia, e acaba vindo o resultado positivo de Covid dessas pessoas, porque lá testamos todos os pacientes. São pacientes que não tem gravidade, mas são Covid positivo, portanto precisamos isolar e deixar separado do Covid negativo, e isso causa uma extrema dificuldade para colocar os pacientes nos quartos, que culminou, nas últimas duas semanas, na falta de leitos, tanto comuns, que as cirurgias eletivas foram suspensas, quanto para a situação extrema que aconteceu hoje, de falta de leitos para isolamento”, alertou Dr. Alexandre Naime Barbosa. “Tem paciente que chega grave, mas tem que ficar esperando na ambulância, não tem como entrar no hospital por qualquer patologia, não tem mais leito disponível”, completou.

Os dois infectologistas foram claros ao pedir que a população se preocupe com a situação atual da Covid. “Devemos seguir as medidas de prevenção, usar de forma correta a máscara, promover distanciamento social, evitando ambientes de aglomeração, festas, encontros. A situação ainda vai piorar, antes de começar a melhorar. A perspectiva é que nas próximas duas ou três semanas o número de casos continuem subindo, para que no final de março comece a cair”, finalizaram.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu divulgou nesta terça-feira, 25, uma carta aberta à população sobre a situação da Covid. Leia abaixo a íntegra dessa carta

Carta aberta do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) à comunidade

Seguimos enfrentando mais um momento delicado em função da pandemia da Covid-19.

Apesar de a atual variante Ômicron ser considerada como “leve”, é importante destacar que não deve ser descrita como branda. Sua capacidade de transmissão é considerada a mais alta de todas as outras cepas identificadas até então.

A vacinação tem uma grande importância neste cenário, principalmente em Botucatu, palco de uma pesquisa inédita da vacina Oxford-AstraZeneca, que possibilitou a vacinação em massa da população. Como já amplamente divulgado e comprovado por pesquisas científicas e autoridades de saúde, as vacinas contra a Covid-19 evitam a hospitalização e a morte em mais de 90% dos casos, mas não o contágio e a transmissão do vírus.

Frente ao cenário atual e considerando o aumento do número de casos de síndrome gripal não só em Botucatu, mas em toda a região que depende do seu atendimento, o HCFMB instituiu uma Comissão formada por profissionais de saúde de diferentes áreas, que visa trabalhar na implantação de medidas importantes para garantir a assistência não só ao município de Botucatu, mas das 68 cidades que o HCFMB atende, com abrangência de cerca de dois milhões de pessoas. 

Com o avanço da variante Ômicron e a redução das medidas essenciais de prevenção, o número de pacientes internados em nosso complexo hospitalar com Covid-19 aumenta consideravelmente. Os espaços para isolamento estão limitados e o alto número de profissionais afastados por síndrome gripal impacta no atendimento. Em paralelo, o número de pacientes com diferentes tipos de doenças que precisam de atendimento aumenta a cada dia.

O HCFMB reitera mais uma vez que neste momento está atuando acima da capacidade e todas as unidades do complexo não podem mensurar o tempo de atendimento.  Continuamos todos os dias analisando o fluxo de atendimento e reforçando a conscientização e prevenção entre a população, servidores e principalmente pacientes.

Por fim, pedimos a todos que mantenham os cuidados essenciais, como o uso de máscara, álcool gel e que evitem aglomerações. Com essas medidas, cuidamos da nossa saúde e do próximo. O HC evidencia seu compromisso em promover atendimento digno e de qualidade a todos os pacientes neste momento.

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