Botucatu: Infectologista da Unesp alerta sobre riscos e precauções contra o coronavírus

Nos últimos dias tem aumentado a preocupação dos botucatuenses e brasileiros sobre os riscos do coronavírus que está assustando o mundo, devido a forma rápida e mortal da sua transmissão. Na China, onde a doença foi registrada, cidades estão isoladas e empresas, escolas e serviços estão fechados em Wuhan. A população (mais de 11 milhões de pessoas) está dentro de casa para evitar mais casos da doença. O governo chinês está construindo, até meados de fevereiro, dois hospitais, com mil leitos cada, para atender aos doentes.

Essa doença nova é muito parecida com a gripe, porém sua forma de transmissão é feita rapidamente de pessoa a pessoa, através de contato físico, gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, toque de mãos e também contato com objetos contaminados, que podem ser equipamentos de trabalho ou público. Ambientes fechados também facilitam a propagação.

O professor Alexandre Naime Barbosa, chefe do Serviço de Infectologia e Departamento de Infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, diz que o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) e as unidades de Saúde da Cidade e do Brasil já receberam as orientações para procedimentos, caso a doença chegue ao Estado de São Paulo e a Botucatu.

No Brasil, até quinta-feira (30), o Ministério da Saúde informou a existência de nove casos suspeitos, cinco já foram descartados.

“Não tivemos nenhum caso confirmado da doença no Brasil. Os casos notificados pelo Ministério da Saúde são suspeitos e podem ser ou não confirmados após os exames. O Coronavírus tem sintomas parecidos com a gripe e até a manhã desta quinta-feira só foi registrado na China e no Vietnã. Nos demais países onde a doença foi confirmada, são casos de pessoas que estiveram na China e Vietnã e contraíram lá a doença. Até a manhã deste dia 30 não tivemos casos autóctones fora desses dois países”, informou Dr. Alexandre Naime – na tarde de ontem os EUA confirmaram o primeiro caso da doença em seu território.

Alexandre Naime Barbosa criticou “Fake News” que indicam comer fígado, tomar vitamina C e tomar muito chá de erva cidreira para combater a doença. Ele lembrou que correntes de Whatsapp e rede social em nome “do Diretor do HC” não tem relação com o HC de Botucatu. Sites especializados em combater notícias alertam que tais correntes estão na rede social desde 2016. “Essas fake news sobre a coronavírus e a vacinação em geral só prejudicam a população”, reclamou Naime. “Quem tiver dúvidas pesquise em sites confiáveis da grande imprensa ou Ministério da Saúde e não repassem informações falsas. Se persistir dúvida procure uma unidade de saúde”.

Ele tranquilizou, ainda, dizendo que “não há riscos ao abrir pacotes de produtos comprados na China. O vírus não sobrevive muito tempo no ambiente”.

O infectologista destacou, que em Botucatu, tanto nos Prontos Socorros da Cidade e do HCFMB, assim como nos postos de saúde, todos os profissionais já receberam orientações técnicas de procedimentos clínicos para atendimento de eventuais casos. “Não temos ainda nenhum caso confirmado da doença, mas todos os profissionais de saúde da cidade já estão orientados com as notificações do Ministério da Saúde para evitar a propagação da doença”.

Quem esteve entre o dia 15 de dezembro e início deste ano na China e apresentar sintomas da doença, semelhante a gripe, deve comunicar imediatamente o caso ao chegar em aeroportos e, se não tiver sintomas, é aconselhável permanecer em casa e evitar contato com visitas por pelo menos 14 dias. “Os sintomas aparecem em períodos que variam de 2 a 14 dias. Se não aparecer nesse período não há problema, mas qualquer sintoma de febre, tosse e dificuldade para respirar, deve-se imediatamente procurar uma unidade médica para exames detalhados”.

Jornal Leia Notícias – Haroldo Amaral

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