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Nova estrutura de 600 m² da Crop Labs terá capacidade para realizar até 200 estudos por mês e prevê investimento de até R$ 15 milhões em equipamentos laboratoriais
Botucatu passa a contar com uma nova estrutura voltada a testes pré-clínicos em células humanas, etapa considerada fundamental para o desenvolvimento de medicamentos, vacinas, produtos biotecnológicos e tecnologias em saúde.
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A Crop Labs, empresa fundada por Aruã Prudenciatti e Lucas Ribeiro, graduados em Biotecnologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), está ampliando sua operação na cidade com uma unidade de aproximadamente 600 m². A estrutura terá capacidade para realizar até 200 estudos por mês e projeta a geração de cerca de 50 empregos diretos.

A nova unidade prevê investimento de até R$ 15 milhões, nos próximos cinco anos, apenas em equipamentos laboratoriais. Entre as tecnologias previstas estão estruturas avançadas para cultura celular, análises físico-químicas, biologia molecular e estudos com células humanas.
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Na prática, o trabalho realizado por laboratórios desse tipo ajuda a verificar segurança, eficácia, estabilidade, contaminação, qualidade e desempenho de produtos antes que eles avancem em processos regulatórios e cheguem ao mercado.
De acordo com a empresa, a Crop Labs atua com testes pré-clínicos in vitro, realizados em células humanas, e opera com padrão aceito por países signatários da OCDE, organização que reúne 38 nações e estabelece normas internacionais de qualidade, rastreabilidade e integridade científica.
Segundo Aruã Prudenciatti, cofundador e diretor de operações da empresa, centralizar etapas de testes no Brasil pode reduzir prazos, custos e a dependência de estruturas internacionais no desenvolvimento de medicamentos e tecnologias em saúde.

“O Brasil tem avançado em sua autonomia no desenvolvimento e testes de medicamentos e tecnologias em saúde. Quando um país depende exclusivamente de produtos desenvolvidos no exterior, eles chegam ao mercado nacional com custos muito elevados, geralmente dolarizados”, afirma.
A nova unidade foi projetada para concentrar, em um mesmo ambiente, diferentes etapas de análise. O espaço inclui laboratórios de engenharia de tecidos, voltados ao trabalho com células humanas e organismos geneticamente modificados; áreas de biologia molecular, com capacidade de sequenciamento genético; laboratórios físico-químicos, para estudos de estabilidade e caracterização de produtos; além de setores de microbiologia para avaliação de contaminação, eficácia microbiológica e testes antivirais.
A proposta, segundo a empresa, é reduzir a necessidade de envio de etapas específicas para outras instituições ou até para outros países, o que costuma aumentar prazos e custos dos projetos.
“Muitos laboratórios ainda precisam enviar etapas específicas para outras instituições ou até para outros países. Isso aumenta prazo e custo dos projetos. A nossa proposta é centralizar essas tecnologias em um único ambiente”, explica Aruã.
A empresa também destaca que possui certificações importantes para atuação no setor, entre elas Boas Práticas de Laboratório, habilitação na Reblas junto à Anvisa, integração à Renama e autorização da CTNBio em nível de biossegurança classe 2.
Essas certificações permitem que os resultados produzidos sejam utilizados em processos regulatórios no Brasil e também em mercados internacionais que seguem padrões reconhecidos pela OCDE.
A expansão ocorre em um momento de crescimento do mercado farmacêutico brasileiro. Segundo dados citados pela empresa com base em anuário da Anvisa, mais de mil medicamentos foram registrados no país em um ano, movimentando cerca de R$ 53 bilhões no período.
Entre as demandas atuais da Crop Labs estão testes relacionados à potência e qualidade de medicamentos análogos de GLP-1, classe que ganhou destaque mundial nos últimos anos pelo uso em tratamentos relacionados a diabetes e controle de peso. Esses produtos também têm sido alvo de debates regulatórios no Brasil, especialmente em relação à necessidade de comprovação rigorosa de qualidade e desempenho.
A escolha de Botucatu para a ampliação da operação está ligada ao ambiente científico da cidade. O município abriga o campus da Unesp, com forte presença nas áreas de biociências, medicina, agronomia e biotecnologia, além do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, uma das maiores estruturas hospitalares universitárias do estado.
Para a empresa, esse ecossistema favorece a formação e atração de profissionais qualificados. Atualmente, cerca de 25% da equipe da Crop Labs é formada por profissionais com doutorado, enquanto grande parte dos demais colaboradores possui mestrado ou especialização avançada.
As áreas envolvidas incluem biotecnologia, microbiologia, biologia molecular, engenharia biomédica, farmácia, química e controle de qualidade. Parte desses profissionais vem de programas de pós-graduação da própria Unesp e de instituições da região.
“A ideia é criar oportunidades para que esses profissionais permaneçam na região e contribuam para o desenvolvimento científico e tecnológico do país”, afirma Aruã.
Com a nova unidade, a expectativa é que Botucatu fortaleça sua posição como polo de ciência aplicada, inovação e biotecnologia, aproximando pesquisa acadêmica, mercado, indústria farmacêutica e geração de empregos qualificados.