Botucatu: ‘Falta tudo’, diz mãe que aguarda aparelhos médicos obtidos na Justiça para levar filha para casa

A menina Ana Júlia que teve alta hospitalar dada há quase um ano e dois meses continua no leito do Hospital das Clínicas, em Botucatu,  aguardando os equipamentos de homecare conseguidos pela família na Justiça. Mesmo com a decisão favorável, a Secretaria Estadual de Saúde ainda não atendeu completamente a liminar.

A criança, de seis anos, teve sequelas graves após sofrer quatro paradas cardiorrespiratórias aos cinco anos de idade. Devido aos ataques, a criança perdeu oxigenação no cérebro, o que provocou uma lesão no órgão.

Apesar do trauma, Ana Julia Pereira pode sair do hospital desde que tenha todos os aparelhos médicos em casa. Por conta do alto custo, a família entrou com processo pedindo ao Estado. Até o momento, de acordo com a mãe, a promotora de vendas Evelen Regina Pereira, somente o respirador foi entregue.

“E a gente está aguardando a boa vontade do Estado para fornecer o resto dos equipamentos para ela. Trouxeram o bipap, que é um aparelho que ajuda ela respirar, mas não trouxeram o resto. Falta tudo o que foi pedido. No break, respirador, a cama hospitalar, o monitor”, lamenta Evelen Pereira.

A equipe de reportagem da TV TEM tentou contato com a Secretaria Estadual de Saúde, mas não teve retorno.

A liminar que obriga o Estado a fornecer os equipamentos foi concedida em janeiro deste ano pelo juiz da Terceira Vara de Botucatu. Em abril, contudo, o Estado pediu um relatório atualizado com as condições clínicas da paciente. O advogado da família forneceu o documento, mas até agora sem respostas.

“A gente liga para a pessoa responsável, eles pedem papel médico para dizer que ela não foi embora por falta dos aparelhos. Enviamos, aí ouvimos que o processo está em andamento”, diz a mãe.

Segundo o advogado da família, Mario China, a demora consiste no fato de que somente o respirador é insuficiente para os cuidados diários que a criança necessita. “Eles querem confundir o juízo dizendo que o pedido foi aumentado, que no início nós pedimos um certo equipamento e agora aumentou o número de equipamentos quando na verdade o que a gente busca é o tratamento da menina. não interessa a quantidade de meios e remédios”, argumenta.

A expectativa de Evelen é a aplicação da multa pelo descumprimento da liminar. A mãe já decorou o quarto e prepara os detalhes para receber a filha de volta em casa. “Como ela consegue ficar um pouco fora do aparelho, iria no mercado comigo, na casa da avó. Iria sair do quarto e teria mais contato com toda a família. É outro ambiente pra ela. Ela fica outra criança, mais sorridente”.

“É revoltante saber que ela pode ir embora. Minha filha está de alta. E eles não forneceram o que é direito dela para ir pra casa. É revoltante. Não consigo ficar com meu outro filho. Fico 24 horas com a Ana Júlia. Ela só tem a mim. Vivo e moro aqui com ela”, completa a mãe.

Fonte: G1

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