Botucatu: bons ares à “melhor idade”

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Natural de Palmares, interior de Pernambuco, seu José Claudino da Silva, chegou ao Estado de São Paulo há mais de 50 anos. Rodou muita cidade até chegar num lugar de serra e clima ameno. Em Botucatu criou raiz, teve um filho, ficou viúvo, trabalhou muito como servente de pedreiro, descobriu e tratou um câncer na próstata no Hospital das Clínicas da Unesp, referência na região. Hoje, no auge dos seus 84 anos, tem convicção que se estivesse na cidade natal não encontraria a mesma assistência. “Com certeza não estava mais vivo”, diz ele, que mora ao lado da dona Antonia Pereira de Souza, de 74 anos, no mesmo conjunto habitacional, localizado na região Sul da Cidade, construído pela Prefeitura em parceria com o Governo do Estado, para receber idosos de baixa renda, chamado Vila Dignidade. 
 
Honrando o nome do lugar, dona Antonia faz os serviços domésticos sem pressa. Afinal, a labirintite, dor na coluna e a pressão alta não permitem que ela hoje faça tantas estripulias assim. Gosta de cuidar das plantas, fazer tricô e às vezes se arrisca nos exercícios da academia com equipamentos específicos para quem já está na chamada “melhor idade”. Mas hoje, o que ela se orgulha mesmo é de poder escrever seu próprio nome.
Com 14 anos tive que largar a escola para cuidar da minha mãe. Nunca mais voltei”, conta ela, que nasceu em Tibiriçá, distrito de Bauru, mas há dez anos escolheu Botucatu. “É uma terra boa pra se viver. Tem muito verde ( dona Antônia)
 
A “Cidade dos Bons Ares” do interior paulista tem mesmo uma conexão muito forte com gente como o seu José e dona Antonia. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, Botucatu já tem mais de 17,3 mil habitantes com 60 anos ou mais de idade. Isso representa mais de 12 % da população, estimada hoje pelo IBGE em 139,4 mil. A cidade nada mais é do que o reflexo de um país que nas próximas décadas deverá ter mais velhos do que jovens. Mas ela tem buscado fazer a lição de casa. 
 
Botucatu tem hoje um dos melhores índices de longevidade do País. De acordo com o último Atlas do Desenvolvimento Humano, divulgado em 2013 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a expectativa de vida no Município é de 77 anos, superior à média estadual (75,7 ano) e nacional (73,9 anos). Essa longevidade, ao lado dos índices de educação e renda, colocam o município na 40º posição do Brasil com melhor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e na 22º posição no Estado de São Paulo.
 
Atenção em cada área
Além de ser um polo universitário na formação de profissionais da saúde [segundo o CREMESP, dentro das cidades com mais de 100 mil moradores, Botucatu chega a ter mais de seis médicos por mil habitantes], a Cidade ampliou os serviços de assistência. Hoje a rede básica conta, por exemplo, com uma equipe multiprofissional do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), formada por psicólogos, nutricionista e até fisioterapeuta, que atua na prevenção e acompanhamento dos pacientes. 
 
Quem mora em Botucatu e tem 60 anos ou mais também recebe em casa remédios e insumos de graça para o tratamento da hipertensão ou diabetes. O programa Dose em Casa, criado pela Prefeitura, também atende pessoas acamadas e deficientes físicos. “Com certeza é uma comodidade a mais para quem tem dificuldades ou mesmo não consegue se deslocar até um posto de saúde ou farmácia”, afirma o secretário municipal da Saúde, Dr. Claudio Lucas Miranda, que também destaca a eficiência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e Emergência (SAMU 192). “Ele é bastante acionado pela população idosa, principalmente por conta de quedas em acidentes domésticos. Esse atendimento é feito de maneira muito rápida e eficaz, o que tem ajudado a manter alta a qualidade de vida dessa população”, complementa.
 
Além da saúde, a Prefeitura mantém convênios com diversas entidades que trabalham diretamente com o idoso, entre elas o asilo. Mais de 100 idosos participam dos grupos de convivência a e fortalecimento de vínculos organizados nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), no qual são promovidas atividades culturais e de lazer. Outros 100, que já foram vítimas de violência física ou negligência familiar, são acompanhados pelo Centro de Referência Especial de Assistência Social (CREAS). Destaque também para o “Quero Vida”, projeto implantado em 2011 nas dependências do Centro de Convivência dos Idosos (CCI) “Aconchego”, no Parque Primavera, região Norte da Cidade, onde 125 idosos recebem toda assistência possível, desde fisioterapia até oficinas de memória.
 
Na segurança, a Guarda Civil Municipal também instituiu o Programa de Atendimento Familiar e ao Idoso (Pafi) no qual os agentes foram capacitados para melhor atender o idoso em casos de emergência. Na Mobilidade Urbana, a Prefeitura já emitiu mais de 5.200 cartões de estacionamento para idosos [conforme prevê a resolução 303 do Contran – Conselho Nacional de Trânsito] e cadastrou outros 8 mil idosos que tem o benefício da meia passagem [aos com idade de 60 a 65 anos] ou mesmo a gratuidade [aos acima dos 65 anos] no uso do transporte público.
 
Nos últimos seis anos a Cidade ainda ganhou uma enxurrada de praças novas ou que foram revitalizadas. Muitas delas têm academias ao ar livre e outras, academias para o idoso. Aulas de ginástica, dança, natação, bocha, malha, vôlei adaptado, entre outras atividades físicas também são opções gratuitas oferecidas pelo Poder Público à terceira idade. Por falar em esporte, Botucatu conquistou a segunda colocação na edição deste ano dos Jogos Regionais do Idoso [Jori], competição no qual o município tem bastante tradição. 
 
“Neste último Jori fomos com uma delegação formada por 108 atletas. O mais velho tinha 81 anos”, lembra João Francisco Moreti, educador físico da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Turismo.
Além da superação pessoal, muitos deles encontram no esporte uma maneira de se reabilitar socialmente após entrarem em depressão, seja pela perda de um ente querido ou pela saúde debilitada.
 
Foco a longo prazo
De acordo com Aparecida Donizete Franco, presidente do Conselho Municipal do Idoso,  Botucatu possui muitas virtudes e que a credenciam como uma excelente cidade para quem busca qualidade de vida, numa importante fase da vida. Ela agora está mais esperançosa,  principalmente depois que o Executivo Municipal encaminhou à Câmara o projeto para criação do Fundo Municipal do Idoso. “Tendo recurso específico, poderemos avançar mais nas políticas públicas voltadas à população idosa”, garante.
 
Para o prefeito de Botucatu, João Cury Neto, a Cidade tem se estruturado para que no futuro a população idosa possa ter tranquilidade de desfrutar a vida com mais conforto, segurança e prazer que merece.
Cada gesto do poder público para o futuro de uma cidade tem que ser muito bem planejado. Para isso temos que saber ouvir os anseios das pessoas, em especial os idosos. Afinal, esta geração de jovens, um dia, não será a grande maioria. De nada adianta pensar numa praça bonita se ela não for funcional para quem tem mobilidade reduzida, por exemplo.
 
Semana do Idoso 
Vale lembrar que Botucatu promove neste ano a 10ª edição da Semana do Idoso, que termina no próximo sábado (10), às 22 horas, com uma seresta na Associação Atlética Ferroviária (AAF). Os convites são gratuitos, mas limitados.
Fonte: Prefeitura Municipal de Botucatu
 

 

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