Aumento de preços acentua indignação social na Espanha

A inflação recorde está alimentando a raiva contra o governo de esquerda na Espanha, onde greves de caminhoneiros e protestos de agricultores e pescadores pressionam o Executivo para agir contra o aumento dos preços da energia.

“Conter os preços” e “frear a deterioração de nossas condições de vida” é o lema das Comissões Operárias e da UGT, os principais sindicatos espanhóis que, nesta quarta-feira (23), convocaram manifestações em todo o país.

Em fevereiro, a alta dos preços ao consumidor foi a maior em 35 anos (7,6% anual), em meio a um aumento do custo da energia, provocado pela guerra na Ucrânia.

“Mês após mês as contas de luz, aquecimento, gasolina, alimentação, moradia e transporte aumentam. Toda a sociedade sofre com essa situação”, alertam os organizadores dos protestos, que se unem a uma longa série de greves e manifestações.

Desde 14 de março, uma plataforma de transportadores independentes lançou uma greve indefinida diante do aumento dos preços dos combustíveis, uma iniciativa que provocou incidentes, bloqueios de estradas e interrompeu o abastecimento de supermercados e de algumas empresas.

O governo do socialista Pedro Sánchez enfrenta também uma greve de pescadores, que deixaram de trabalhar desde segunda-feira por três dias a pedido de uma federação que reúne 9.000 embarcações, ou protestos como os dos taxistas, que organizaram uma manifestação lenta nesta quarta-feira em Barcelona para reclamar do aumento do preço do diesel.

A indignação também se estendeu aos agricultores e pecuaristas, afetados pelo aumento dos preços dos fertilizantes e das matérias-primas. Ao menos 150.000 deles se manifestaram no centro de Madri no domingo para exigir respostas ao governo.

Para rebater as críticas, Pedro Sánchez prometeu há dez dias um “plano nacional” devido ao impacto econômico da guerra na Ucrânia, com incentivos fiscais.

O governo colocou na mesa um pacote adicional de 500 milhões de euros (550 milhões de dólares) em compensação pelo aumento dos preços do combustível para os profissionais de transportes.

“Vivemos uma situação extraordinariamente complexa”, destacou Sánchez nesta quarta-feira, expressando sua vontade de fazer de tudo para “amenizar” o impacto do aumento dos preços. O presidente do governo afirmou também estar “convencido” de conseguir “esta semana” um acordo com os profissionais de transporte.

Ele continua sendo evasivo sobre o alcance de seu plano, enquanto Sánchez busca obter uma resposta conjunta da União Europeia à crise energética na cúpula de quinta-feira em Bruxelas. A UE deve “resolver” este problema “a partir de um ponto de vista comum”, insistiu Sánchez na terça-feira.

O Executivo, no entanto, continua evasivo sobre o alcance de seu plano, enquanto Sánchez busca obter uma resposta conjunta da União Europeia para a crise energética na cúpula de quinta-feira em Bruxelas.

A UE deve “resolver” esta problemática “a partir de um ponto de vista comum”, insistiu Sánchez nesta terça-feira.

Fonte: Yahoo!