Artigo | Aumento dos Combustíveis está atrelado ao Descontrole da Economia – por Milton Monti

Neste mês de junho, o Brasil acompanha de perto a alta dos combustíveis e a discussão em torno da política de preços da Petrobras em que o Governo Federal se coloca em uma posição de que ‘não tenho nada com isso’. É preciso desmistificar este discurso porque o aumento do diesel, principalmente, impacta diretamente no prato de comida do brasileiro.

A Petrobras é uma empresa pública de economia mista e com capital aberto. Isso significa que a estatal é controlada pelo Governo Federal que indica o presidente, diretores e define as políticas de preços já que estas decisões são ditadas pelo acionista controlador, que tem mais ações ordinárias e, portanto, direito a voto. Ressaltando que só tem direito a voto quem é dono das ações ordinárias. Os acionistas preferenciais, que compram em bolsa, não votam.

Ou seja, a regra de Preço de Paridade Internacional foi aprovada pelo Governo Federal, mas é preciso entender que o preço do combustível está relacionado com a política econômica no que diz respeito ao câmbio, preço do dólar, a questão dos juros que o governo aumentou muito nos últimos meses e com a inflação alta. Ou seja, este descontrole econômico afeta diretamente o preço do combustível e isso não tem nada a ver com a Petrobras.

Mas o litro do diesel na casa de R$ 7,50 impacta na mesa do brasileiro já que cerca de 70% de tudo que é consumido no País é transportado por caminhões. É só passar pelo mercado e ver quanto aumentou o preço do arroz, do feijão e da carne, por exemplo. Isso tudo se reflete na inflação de 12% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE.

E este descontrole econômico, pode afetar a safra brasileira que depende do óleo diesel para tocar os equipamentos. Como boa parte do que é consumido no Brasil vem de outros países, se o preço ficar defasado os importadores não vão querer importar já que não dá para pagar um valor e vender mais barato. E tem outro componente que é a guerra na Ucrânia. A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, mas os navios não estão saindo do porto. Ou seja, existe o risco de faltar diesel no Brasil.

E o Governo Federal ao invés de resolver estas questões que mexem com a vida de todos os brasileiros e de instituir uma política econômica de verdade, prioriza discursos que se moldam de acordo com o vento, como aumentar o auxílio-brasil, o vale gás e instituir a bolsa-caminhoneiro.

Estas são medidas que podem ser necessárias sim, mas são pontuais e não resolvem o problema. É como tomar um remédio para cortar a febre que baixa a temperatura na hora, mas não cura a infecção porque é preciso tomar o antibiótico certo.

No meu ponto de vista, como economista, político e chefe de família, o que falta é termos uma política econômica de fato, que resolva as questões e não empurre tudo para debaixo do tapete, ou melhor, nas costas dos outros. A pandemia mexeu com as relações comerciais e econômicas do mundo todo e cada País tem que fazer a sua lição de casa.

Milton Monti é economista, foi o Prefeito eleito mais jovem de São Manuel, foi Deputado Estadual e Deputado Federal