Artigo: Afinal, Botucatu, partido importa ou não? – por Luiz Gustavo Branco

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O PT, maior partido de esquerda do país, governou Botucatu de 2001 a 2008, com Mário Ielo, que também se beneficiou dos anos dourados que deu a Lula, presidente de 2003 a 2010, quase 90% de aprovação ao final do seu mandato.

O que define se um governo foi bom ou não é a sensação da população ao seu término, quando ainda se sente os seus benefícios e as comparações se limitam apenas aos governos anteriores.

Não me parece crível imaginar que quase 90% da população tenha atribuído boa avaliação a Lula, ao final de 2010 e, passados 10 anos, uma grande maioria tenha mudado de opinião ao retratar aquele período, ainda que o comparasse com os governos posteriores de Dilma, Temer e Bolsonaro.

Certamente que as notícias de corrupção mudaram a paisagem do passado, tanto que a presidenta eleita e reeleita pelo PT, graças a Lula, sofreu impeachment, e o partido teve em 2020 o seu pior resultado em eleições, desde sua criação.

Deixando a militância de lado, que defende algumas causas com mais paixão do que de fato merecem, Botucatu sempre teve bons nomes nos partidos de esquerda e não se tem notícia de que tais tenham se envolvido com a Justiça a ponto de afastar a credibilidade de outrora.

Na última eleição municipal, a esquerda em Botucatu foi massacrada, salvando-se apenas Rose Ielo, vereadora eleita pelo PDT, de centro-esquerda, e a Professora Nora, do PT, que, apesar dos 1.793 votos, e de ser a quarta mais votada no total, não conseguiu uma vaga na Câmara Municipal em razão de não ter atingido o quociente eleitoral.

Botucatu, então, que já elegeu, reelegeu e bem avaliou um prefeito do PT, simplesmente “virou casaca” e passou a ter ojeriza da esquerda, tendo optado pelo PSDB por quatro eleições seguidas, e pela direita clássica e conservadora no preenchimento de 10 das 11 vagas na atual Câmara Municipal, com o próprio PSDB, e com Republicanos e Democratas.

Se a corrupção em âmbito nacional atribuída ao PT afastou a população dos partidos de esquerda, a mesma corrupção que também atinge a direita em nada interferiu no gosto dos botucatuenses.

Ou seja, quando se trata de avaliar as pessoas que compõem a esquerda, “todas são farinha do mesmo saco”; quando a direita é quem está no foco, é preciso avaliar a conduta de cada um, porque “uma coisa é o partido e, outra, a pessoa”.

Pura hipocrisia. Se a população utilizasse a mesma balança da justiça, ou estaria endeusando Dória, por conta do Pardini, e não fariam carreatas com pedidos de “fora, Dória”, por exemplo, ou estaria malhando Pardini, afinal, quem não se lembra dos casos Furnas, Sivam, Pasta Rosa, Cartel dos metrôs, mensalão tucano, Privataria, onde sempre um figurão do PSDB estava envolvido (Aécio neves, Geraldo Alckmin, José Serra, Fernando Henrique, Eduardo Azeredo, Beto Richa, Aloysio Nunes).

Mas e aí? O partido importa ou não aos botucatuenses, quando se escolhe um candidato? Ao que parece, na cidade, pau que bate em Chico, não chega nem perto de Francisco.    

Luiz Gustavo Branco é advogado especialista em Direito Material e Processual do Trabalho, com atuação preponderante no Direito Sindical

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