Aparecidinha de São Manuel: Padroeira do Brasil tem santuário na região

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Depois do Santuário de Aparecida, a segunda capela mais antiga do país em devoção a Nossa Senhora da Aparecida está no Distrito de Aparecidinha, município de São Manuel na região de Botucatu. Na próxima quinta-feira, 12 de outubro, será realizada a 16ª Romaria a Pé em que os fiéis vão seguir, de Botucatu na noite de quarta-feira, atravessar a rodovia Geraldo Barros, passar pela Fazenda Redenção, São Manuel até Aparecidinha, num percurso por estrada de terra de 35 quilômetros.

Durante todo o feriado serão celebradas várias missas, a última de encerramento terá a presença do arcebispo de Botucatu, Dom Maurício Grotto Camargo, que será seguida da procissão luminosa com a imagens de Nossa Senhora.

Mas na região também está prevista a procissão fluvial que vai unir os municípios de Itapuí e Boraceia. A expectativa é reunir fiéis de toda a região numa homenagem especial aos 300 anos da aparição da imagem no Rio Paraíba. O evento terá início, às 10h30 nas margens do Rio Tietê do lado de Itapuí, de lá os fiéis seguirão com a imagem pela balsa até Boraceia.

Em Brotas, será o ato de fé “Descida da Santa no Rio Jacaré-Pepira”, com missa solene no Parque dos Saltos. A partir das 9h, a imagem da Padroeira do Brasil chegará de barco e será recebida pelos párocos de Brotas e o prefeito Capitão Modesto.

Em Arealva, haverá missa, procissão e, em frente ao portal de entrada do município, será inaugurado um monumento de 4 metros de altura criado pelo artista plástico Claudio Pastro que será inaugurado. Segundo padre Luiz Eduardo Monteiro Fontana, será a homenagem do município à Padroeira do Brasil.

Em Lençóis Paulista, na última semana já estava sendo montada toda a estrutura da festa na Paróquia Nossa Senhora da Aparecida. Neste domingo será realizada a Bike Romaria, saindo do Santuário Nossa Senhora da Piedade passando por paróquias da cidade, chegando à Paróquia Nossa Senhora da Aparecida. Já para o feriado do dia 12 serão cinco missas: às 6h, 8h, 9h30, 15h e 17h (com procissão). A missa das 9h30 está prevista a participação do arcebispo de Botucatu, Dom Maurício Grotto de Camargo.

São Manuel tem 2º santuário mais antigo

Bem humorado, o padre Max da Silva Otaviano conta que quando chegou a Aparecidinha para assumir a paróquia um morador observou: “O senhor está em Paris…” Inicialmente ele não entendeu a brincadeira para depois o interlocutor emendar: “Paris…cidinha”. O pequeno distrito cujo nome é no diminutivo tem 159 anos de existência e depois de Aparecida, no Vale do Paraíba, é o segundo santuário em homenagem a Nossa Senhora do Brasil.

Apesar da localidade ser pequena, o Santuário realiza duas grandes festas em louvor a Nossa Senhora, uma em agosto (que marca a assunção da santa) e outra no dia 12 outubro. A do feriado de quinta-feira deve receber milhares de romeiros vindos de toda a região e de outros estados.

As festividades começam nesta segunda-feira (9) e vão se estender até domingo, celebrando os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul.

O cônego administrador da paróquia é Emerson Rogério Anizi e o vigário que assumiu a paróquia é Max Otaviano vindo de Santos.

A programação de Aparecidinha para homenagear a padroeira nesta semana é extensa.

O Tríduo Solene com bênção especiais ocorre entre os dias 9 e 11, com missas às 19h30. No dia 12, feriado de Nossa Senhora Aparecida, o Santuário acolhe diversas romarias às 8h onde acontecerá a Missa dos Peregrinos que receberá duas romarias a pé, uma vinda de Botucatu que caminhará 35 quilômetros e outra vinda de São Manuel. Às 11h, ocorrerá a Missa Sertaneja com a acolhida da Cavalgada de Nossa Senhora com comitivas vindas da região. Um almoço tropeiro será servido, com a renda revertida para as obras do Santuário.

Encerrando o dia da padroeira, às 18h, será celebrada pelo arcebispo de Botucatu, Dom Maurício Grotto de Camargo, a missa solene que será seguida da procissão luminosa com a imagem de Nossa Senhora.

Na parte festiva, do dia 11 ao dia 15, a praça de alimentação funcionará em frente ao Santuário, com atrações musicais e shows de prêmios, com a renda revertida ao Santuário.

A Romaria a Pé começa na quarta-feira (11), por volta das 21h em frente à igreja Nossa Senhora da Aparecida em Botucatu. Os romeiros vão seguir até Aparecidinha para chega no feriado. Eles vão passar pela Serra do Araquá, fazendas do entorno, em São Manuel até o destino final na Capela de Aparecidinha.

A devoção a Nossa Senhora Aparecida

A devoção a Nossa Senhora Aparecida na região de Botucatu é tão antiga quanto o próprio Distrito de Aparecida de São Manuel, que completou seus 159 anos. A pesquisa foi feita pelo seminarista Marco Raphael com base no livro tombo da paróquia, livros de registros de São Manuel e documentos da Diocese de Botucatu.

Segundo dados históricos, por volta do ano de 1840, começaram as movimentações para a doação de terras ao Patrimônio de Nossa Senhora Aparecida.

Nascia assim, no ano de 1858 o vilarejo de Água da Rosa, pertencente ao município de Botucatu. Neste mesmo ano foi inaugurada a capela em honra de Nossa Senhora Aparecida, fruto da devoção dos fazendeiros e também dos tropeiros que passavam pelas estradas que cortavam o lugarejo.

A imagem da Virgem Maria que está no altar da paróquia de Aparecidinha foi uma colaboração dos moradores e fazendeiros encomendada de uma fábrica de imagem de gesso de Portugal. Como o pedido não chegou completo e com as características originais da imagem de 1716, veio a estátua de Nossa Senhora com o rosto na cor da pele branca, sendo assim a única nesse tom do Brasil. A original em Aparecida tem o rosto preto.

Segundo Raphael, o vilarejo de Água da Rosa, foi rebatizado pelo povo como Aparecida da Água da Rosa, tamanha era a importância da devoção, denominação que o distrito carregou por mais de um século, até ser denominado de Aparecida de São Manuel.

O seminarista resgatou também que, no ano de 1908, teve início a construção da nova Igreja Matriz, atual santuário, que foi inaugurada solenemente em fevereiro de 1911.

Na torre do Santuário se encontram três sinos. O primeiro foi fruto das economias de um grupo de senhoras que em 1866 angariaram a quantia necessária para adquirir o primeiro sino. Outros dois sinos também se encontram na torre do Santuário, um doado pelos Missionários da Consolata e o outro sino, de uma promessa de Pedro Antonio de Barros, doado no ano de 1877, onde se lê seu testemunho de fé em Nossa Senhora Aparecida.

Pesquisador explica sobre a ‘Mariofania’

O professor Maurício de Aquino escreveu “História e Devoção: a construção social do culto a Nossa Senhora do Vagão Queimado de Ourinhos (1954-2004)”. Em um dos trechos da sua tese de mestrado na Unesp de Assis, ele explica a importância de Maria na fé católica brasileira e latino-americana. É a hiperludia (culto à mãe de Jesus): o catolicismo ibérico que desembarcou na América do século XVI foi preponderantemente devocional e iconófilo (que gosta de imagens).

Aquino cita o espanhol Serge Gruzinski em um dos capítulos que atribui aos conquistadores trazerem consigo inúmeras imagens de santos e Jesus Cristo destacando-se, em quantidade, as de Santa Maria. “Esse apego às imagens, próprio do catolicismo medieval tardio, consolidou-se com as guerras de reconquista da península e se transformou em uma característica marcante da identidade ibérica”, conta na publicação.

O escritor ourinhense cita ainda que o catolicismo português era profundamente mariano. E claro influenciou o catolicismos brasileiro. A figura de Maria esteve presente na formação da nação lusitana contribuindo para estabelecer o sentimento de unidade. O criador da monarquia portuguesa D. Afonso Henrique e seus sucessores criaram o culto à “Mãe de Deus” criando a tradição. “À Virgem foram atribuídos as vitórias (Nossa Senhora do Vencimento) sobre os mouros, a descoberta do ‘caminho das Índias’ e a restauração da independência lusitana em 1640”, escreveu Aquino.

O milagre

Começou em 1717, a história da Nossa Senhora de Conceição Aparecida, quando três pescadores lançaram suas redes no Rio Paraíba do Sul. À época não estava boa para pesca, até que na rede apareceu, separadamente, a cabeça e o corpo da estátua de Imaculada da Conceição, mãe de Jesus.

A partir daí, peixes surgiram em abundância. Este é tido como o primeiro milagre da padroeira. Em seguida, o povo nomeou a imagem como Aparecida.

Em 1745, a primeira capela dedicada à Nossa Senhora da Aparecida foi aberta para visitação. Anos depois, em 1834, construíram uma igreja maior. Já em 1930, a Santa foi proclamada pelo papa Pio XI como Rainha do Brasil e Padroeira Oficial do País.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em sua Assembleia de 1953 determinou que a festa da Padroeira do Brasil fosse celebrada no dia 12 de outubro. Uma das razões para a escolha dessa data foi a aproximação da época do encontro da imagem, que ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717.

Por ocasião da visita do Papa II ao Brasil, o então Presidente da República, general João Batista Figueiredo, promulgou a Lei n. 6.802, de 30 de junho de 1980, “declarando feriado federal o dia 12 de outubro para o culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida”.

Nossa Senhora é santa do vagão queimado em Ourinhos

Um choque em 31 de julho de 1954, por volta das 15h, entre um caminhão-tanque e um trem misto, com oito vagões carregados de combustível, resultou em uma explosão que deu início a um incêndio de grandes proporções. Três pessoas morreram carbonizadas naquele dia: o motorista do caminhão Palmiro Túlio, o maquinista José Stefani e o auxiliar Virgilio Pinto Amaral. O acidente se transformou muitos anos depois na história de veneração da Nossa Senhora do Vagão Queimado.

O fogo colocou em risco um depósito de combustível, que se localizava próximo ao local do acidente. Havia risco de explosão. O pânico tomou conta da população que abandonou as suas casas, temerosas do perigo iminente. Foi quando uma forte rajada de vento teria soprado as chamas para o lado contrário.

Após a operação rescaldo foi encontrada nos escombros do último vagão, que levava uma mudança, uma caixa de madeira com uma imagem intacta de Nossa Senhora Aparecida enrolada em panos. A população passou a atribuir à santa a intervenção divina de não ter ocorrido uma tragédia maior.

Mas o culto à santa só foi ganhar força em 2004 com a criação da Diocese de Ourinhos. A igreja existente no bairro ganhou a denominação de Santa do Vagão Queimado, cuja imagem é de Nossa Senhora da Aparecida.

 

 

 

Você sabia?

Entre 1717 e 1732 a imagem de Nossa senhora peregrinou pelas regiões de Ribeirão do Sá, Ponte Alta e Itaguassú. Em 1732, Felipe Pedroso entregou a imagem a seu filho Atanásio Pedroso que construiu o primeiro oratório aberto ao público. Em 1743, o vigário Vilela fez um relatório dos milagres e da devoção do povo para com Nossa Senhora Aparecida e enviou ao Bispo do Rio Janeiro, Dom Frei João da Cruz, para que ele aprovasse o culto e autorizasse a construção da primeira igreja em louvor a imagem que ficou conhecida como Mãe Aparecida. A aprovação aconteceu em 5 de maio em 1743.

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