Aos 70 anos, médica formada em Botucatu realizou mais de 5 mil partos

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A mesma força que muitas mulheres fazem ao dar a luz norteia a vida da médica ginecologista e obstetra Maria Cecília D. Sahade, de 70 anos. Filha de pai entalhador e mãe costureira, ela superou as dificuldades financeiras enfrentadas pela sua família para estudar na Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (FCMBB) – hoje, Unesp -, mas foi em Bauru que consolidou a carreira, marcada por mais de 5 mil partos ao longo das últimas quatro décadas.

De um lado, a força. De outro, a sensibilidade. Apaixonada pela família que construiu junto ao médico angiologista e cirurgião vascular Constantino José Sahade, com quem se casou tão logo terminou a residência, em 1977, Cecília aproveita o tempo livre – afinal, está aposentada desde o início deste ano – para cantar, bordar tapetes, ler e ouvir música clássica. Inclusive, no decorrer da entrevista, feita na sua casa, que abriga uma biblioteca com mais de 300 livros catalogados por ela, a profissional usou um dos álbuns do violinista André Rieu como trilha sonora.

Natural de Ribeirão Preto, a médica tem três filhos: Nara, Estela e Pedro. Todos nascidos de parto normal com peridural contínua, ou melhor, sem dor, procedimento defendido por ela desde que chegou a Bauru, em 1980. Cecília também foi responsável por trazer ao mundo quatro dos seus sete netos. “Vem com a vovó”, dizia a profissional, na hora de retirar cada bebê.

A seguir, a ginecologista e obstetra revive a sua trajetória e se vê satisfeita com tudo o que conquistou até agora. Confira alguns trechos da entrevista:

Jornal da Cidade – Cursar Medicina não é fácil. A senhora era estudiosa desde criança?

Maria Cecília D. Sahade – Eu sou a mais velha de sete irmãos e, embora fosse um pouco levada na infância, gostava de estudar. Na época, as escolas públicas eram melhores do que as particulares e estimulavam muito os alunos neste sentido. O meu esforço surtiu efeito, porque passei em Medicina pela FCMBB – hoje, Unesp – assim que saí do Ensino Médio. Falei para a minha mãe que venceria na vida.

JC – A senhora teve uma origem humilde. Como conseguiu superar as dificuldades financeiras para cursar Medicina?

Cecília – Logo que eu cheguei a Botucatu, comecei a ensinar Biologia e Matemática para os estudantes do Ensino Médio do Colégio Santa Marcelina. Lá, trabalhava das 7h às 7h50 e, em seguida, pegava uma carona rumo à faculdade, onde permanecia o resto do dia. Também lecionava aos sábados. Além de me sustentar, mandava dinheiro para ajudar a minha família. Fiz isso até me formar.

JC – Conheceu o seu marido na faculdade?

Cecília – Estudávamos na mesma sala. No final do segundo ano de faculdade, ele saiu de Piraju com o carro do pai para me visitar em Ribeirão Preto. Meses depois, começamos a namorar. Quando nos formamos, ele ficou em Botucatu para fazer a residência e eu segui para a Santa Casa de Araçatuba, onde estudei com o doutor Creso Machado Pinto. Assim que terminei, em 1977, retornei para lá e nos casamos. A nossa primeira filha, a Nara, nasceu no ano seguinte. Neste meio tempo, trabalhava em um consultório particular e em um centro de saúde escola, da doutora Cecília Magaldi.

JC – E como vieram para Bauru?

Cecília – Assim que o meu marido terminou a residência, nós resolvemos tentar a vida em Bauru. Montamos um consultório e eu também trabalhava na Maternidade Santa Isabel, onde permaneci até 2010. Na época, ninguém conhecia o parto normal com peridural contínua. Até agora, o procedimento não é muito usual. Nele, como a mãe está anestesiada, o médico precisa acompanhar as contrações e avisá-la quando precisa fazer força. Já cheguei a ficar sete horas ao lado de uma mulher em trabalho de parto.

JC – Por fim, o que a senhora aprendeu com a Medicina?

Cecília – As mais variadas formas de amor. Tanto que eu coleciono inúmeros presentes das minhas pacientes e também das filhas das minhas pacientes, afinal, ajudei, pelo menos, duas gerações de mães. Foi difícil parar, mas acredito que, ao longo das últimas quatro décadas, tenha cumprido o meu papel de cuidar bem da criação feita à imagem e semelhança de Deus.

Fonte: Jcnet

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