14 de maio, 2026

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Animal que desafia o envelhecimento inspira avanço em pesquisa sobre longevidade; entenda

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Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, conseguiu transferir para camundongos um dos mecanismos biológicos associados à longevidade extraordinária do rato-toupeira-pelado — mamífero conhecido por viver décadas sem desenvolver câncer e por resistir ao envelhecimento de forma incomum.

O estudo, publicado na revista científica Nature, mostrou que os animais geneticamente modificados viveram mais e apresentaram melhor saúde ao longo da vida. O ganho médio de longevidade foi de cerca de 4,4%.

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Os pesquisadores focaram em um gene ligado à produção de ácido hialurônico de alto peso molecular (HMW-HA), substância abundante nos ratos-toupeira-pelados e associada à proteção contra câncer, inflamação e doenças relacionadas ao envelhecimento.

“Nosso estudo fornece uma prova de princípio de que mecanismos únicos de longevidade que evoluíram em espécies de mamíferos de vida longa podem ser exportados para melhorar o tempo de vida de outros mamíferos”, afirmou Vera Gorbunova, professora de biologia e medicina da universidade americana.

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Rato-toupeira-pelado. (Foto: Wikimedia Commons/Kein keen)

O animal que desafia o envelhecimento

Apesar do tamanho semelhante ao de um camundongo, o rato-toupeira-pelado pode viver até 41 anos — quase dez vezes mais do que outros roedores de porte parecido.

Além da longevidade, o animal raramente desenvolve câncer e parece resistir a doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e artrite. Há décadas, cientistas investigam quais mecanismos tornam essa espécie tão resiliente.

Uma das principais pistas é justamente o HMW-HA. Os ratos-toupeira-pelados possuem cerca de dez vezes mais dessa molécula do que humanos e camundongos. Em pesquisas anteriores, cientistas observaram que, ao remover o composto das células do animal, elas se tornavam mais propensas à formação de tumores.

Transferência genética trouxe benefícios aos camundongo

Para testar se esse mecanismo poderia funcionar em outra espécie, a equipe introduziu nos camundongos a versão do rato-toupeira-pelado do gene hyaluronan synthase 2, responsável pela produção do HMW-HA.

Os animais modificados passaram a apresentar níveis mais elevados de ácido hialurônico em diferentes tecidos e demonstraram maior resistência a tumores espontâneos e câncer de pele induzido quimicamente.

Os benefícios, porém, foram além da prevenção ao câncer. Os camundongos também envelheceram de forma mais saudável, apresentaram menos inflamação em múltiplos tecidos e mantiveram melhor saúde intestinal.

Segundo os pesquisadores, a redução da inflamação é particularmente relevante porque processos inflamatórios crônicos estão entre as principais marcas biológicas do envelhecimento.

Um avanço modesto, mas promissor

Embora o aumento da expectativa de vida tenha sido relativamente pequeno, os cientistas consideram o estudo um marco por demonstrar que adaptações evolutivas associadas à longevidade podem ser transferidas entre mamíferos.

“Levamos dez anos desde a descoberta do HMW-HA no rato-toupeira-pelado até demonstrar que ele melhora a saúde em camundongos. Nosso próximo objetivo é transferir esse benefício para humanos”, disse Vera Gorbunova.

De acordo com Andrei Seluanov, outro autor da pesquisa, os cientistas já testam moléculas capazes de desacelerar a degradação do ácido hialurônico no organismo em estudos pré-clínicos.

Pesquisas mais recentes continuam revelando mecanismos biológicos únicos do rato-toupeira-pelado. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Science identificou uma proteína ligada ao reparo do DNA que também pode contribuir para o envelhecimento mais lento da espécie.

Os resultados reforçam a ideia de que a longevidade excepcional desses animais não depende de um único fator, mas de um conjunto de mecanismos que incluem resistência ao câncer, controle da inflamação, proteção celular e maior estabilidade genética.

Para os cientistas, o desafio agora é entender se essas estratégias evolutivas podem ser adaptadas de forma segura para ampliar a saúde humana durante o envelhecimento.

Fonte: Um Só Planeta

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