09 de janeiro, 2026

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Alemanha desacelera corte de emissões e Mar do Norte registra ano mais quente da história

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Os cortes nas emissões de gases de efeito estufa da Alemanha desaceleraram de forma significativa em 2025. E o cenário negativo não para por aí: o Mar do Norte registrou o ano mais quente de sua série histórica. Dessa forma, há questionamentos sobre o ritmo insuficiente da ação climática no país.

De acordo com o estudo do think tank Agora Energiewende, divulgado pelo site Phys, as emissões da maior economia da Europa caíram apenas 1,5% em relação ao ano anterior. O resultado ficou abaixo da redução de 3% registrada em 2024 e distante da queda de 10% observada em 2023. Com a tendência atual, a Alemanha corre o risco de não cumprir sua meta intermediária de reduzir as emissões em 65% até 2030, na comparação com os níveis de 1990.

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“A Alemanha está perdendo terreno na proteção do clima”, afirmou a diretora da Agora Energiewende na Alemanha, Julia Blaesius, durante coletiva de imprensa. Segundo ela, “a meta de 2030 ainda é alcançável, mas está sujeita a grandes incertezas”, diante da lentidão em decisões estruturais.

Mar do Norte

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O quadro climático foi agravado por dados divulgados pela agência marítima alemã BSH, que apontam que o Mar do Norte teve, em 2025, o ano mais quente já registrado. De acordo com o chefe da equipe de clima da agência, Tim Kruschke, a temperatura média da água atingiu 11,6 °C, que é o maior valor desde o início das medições, em 1969. A ciência alerta que o aquecimento dos oceanos afeta ecossistemas marinhos, padrões climáticos e atividades econômicas costeiras.

Registro fotográfico de Berlim, que é o principal centro administrativo da Alemanha (Foto: Sylvain Sonnet/Um Só Planeta)

Questão política

O chanceler conservador Friedrich Merz tem sido alvo de críticas. O governo tem defendido medidas que, segundo analistas, enfraquecem a transição energética, como a flexibilização de regras para aquecimento residencial, a oposição ao banimento de carros com motor a combustão a partir de 2035, além de propostas para reduzir subsídios à energia solar e construção de novas usinas termelétricas a gás.

O Ministério do Meio Ambiente evitou comentar diretamente o estudo da Agora, mas reconheceu que novas medidas serão necessárias para manter o país no caminho das metas climáticas.

“Estamos trabalhando em um programa de proteção do clima”, afirmou o porta-voz Bastian Zimmermann, informando ainda que o plano será “o mais sólido e abrangente possível”.

Apesar do ritmo inadequado, há sinais positivos em 2025. A geração de energia solar cresceu de forma expressiva e cerca de 300 mil bombas de calor foram vendidas no país, superando, de forma inédita, as caldeiras a gás. As vendas de veículos elétricos também avançaram: representa cerca de um quinto dos novos carros registrados. Ainda assim, as emissões dos setores de transporte e edifícios voltaram a subir, refletindo, ainda conforme o estudo, “anos de progresso insuficiente”.

No total, a Alemanha emitiu cerca de 640 milhões de toneladas de gases de efeito estufa em 2025, totalizando nove milhões de toneladas a menos que no ano anterior. Desde 1990, as emissões nacionais já caíram 49%. O país mantém como objetivo alcançar a neutralidade climática até 2045.

“Precisamos de mais velocidade”, resumiu Julia Blaesius. Segundo ela, reformas na legislação sobre energias renováveis e sistemas de aquecimento serão decisivas no país europeu.

Fonte: Um Só Planeta

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