Anúncios
A presença de um peixe exótico originário do Indo-Pacífico, em ilhas do litoral de São Paulo, pode ser um alerta sobre os ecossistemas marinhos brasileiros com espécies invasoras. A donzela-real (Neopomacentrus cyanomos), registrada no país apenas em 2023, já foi observada formando cardumes e se reproduzindo em áreas protegidas do Atlântico Sul, segundo reportagem publicada pelo G1, com informações do projeto Terra da Gente.
Os registros confirmados ocorreram na Ilha da Queimada Grande, no Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e na Estação Ecológica Tupinambás, no Arquipélago de Alcatrazes. A espécie, descrita cientificamente em 1856 pelo naturalista Pieter Bleeker, é comum em recifes de coral do Oceano Índico e do Pacífico.
Anúncios
Sua presença no Brasil é considerada recente e gera preocupação.
Água de lastro
Anúncios
De acordo com os pesquisadores ouvidos pelo G1, a hipótese mais provável para a chegada da donzela-real ao Brasil é o transporte por meio da água de lastro de navios. Essa água é captada para estabilizar embarcações e depois descartada nos portos de destino, podendo introduzir organismos exóticos em ambientes diferentes. A espécie já havia se estabelecido como invasora no Caribe desde 2014 e também foi registrada no Golfo do México.
Os pesquisadores registraram pequenos cardumes, mas alertam que a rápida colonização pode alterar a dinâmica populacional de recifes brasileiros.
O transporte marítimo além de suas áreas naturais é motivo de alerta.
“Na verdade é importante ter um levantamento da ictiofauna, conjunto de espécies de peixes de determinada região, realizar esses programas de monitoramento de biodiversidade, principalmente unidades de conservação para avaliar o impacto dessas invasões sobre as espécies nativas para ter uma medida de controle de isso tudo”, afirmou Comin.

Reprodução
O biólogo e mergulhador Eric Comin identificou recentemente um cardume da espécie no litoral paulista. Ele relatou ao G1 que a reprodução já ocorre no Brasil.
“Eu fiz um mergulho, pelo fato de ser especialista, eu bati o olho e sabia que era uma espécie invasora e fiz o registro. Eles estão sim se reproduzindo com sucesso, porém é preciso que haja um monitoramento contínuo para ver se a espécie na nossa região está se estabelecendo com sucesso”, afirmou Comin.
A donzela-real mede cerca de 10 centímetros, e apresenta coloração azul-escura a preta, com uma mancha branca próxima à barbatana dorsal. Jovens têm barbatanas amareladas, que escurecem na fase adulta. No litoral brasileiro, foram observados cardumes de 5 a 30 indivíduos em áreas abrigadas.
O principal risco ecológico associado à invasão está na competição por espaço e alimento com espécies locais. Comin relata que a donzela-real apresenta comportamento territorial intenso durante a fase de reprodução.
“Na desova eles estabelecem um comportamento completamente territorial e vão defender o local de desova de uma forma feroz contra quaisquer outras espécies. Consequentemente eles brigam pelo habitat com as espécies nativas. Então eles têm competição por espaço, por alimento. É uma espécie muito territorial e agressiva”, declarou.
Em ambientes como o Golfo do México, a espécie forma cardumes densos, especialmente em estruturas artificiais como plataformas de petróleo — o que amplia seu potencial de dispersão.
Fonte: Um Só Planeta