09 de abril, 2026

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A Terra não brilha como se pensava: novo estudo revela oscilações na iluminação noturna global; entenda

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Durante décadas, cientistas acreditaram que o brilho noturno da Terra aumentava constantemente à medida que a humanisade e desenvolvia e mais pessoas povoavam o planeta. Mas um novo estudo publicado na prestigiada revista Nature nesta quarta-feira (8) muda essa narrativa.

Liderado por pesquisadores da Universidade de Connecticut (UConn), dos Estados Unidos, em conjunto com a NASA, o trabalho revela que a luz noturna do planeta “é um reflexo volátil e de alta frequência do desenvolvimento humano global, da resiliência e das turbulências, capturando os impactos imediatos de choques como a guerra na Ucrânia, a pandemia de Covid-19 e as crises energéticas na Europa”.

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A descoberta foi possível graças a um enorme conjunto de dados da equipe científica Black Marble, da NASA, que reduz “ruídos” nos dados de luz noturna proveniente da luz da Lua, da atmosfera e da aurora boreal.

Mas faltava resolver a questão das diferenças no ângulo de visão do satélite. Os pesquisadores, então, desenvolveram o algoritmo VZA-COLD, que aborda os impactos desse ponto.

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“Se você olhar para um prédio diretamente de cima, verá menos luz do que se olhar de lado pelas janelas”, explicou Zhe Zhu, professor associado e diretor do Laboratório Global de Sensoriamento Remoto Ambiental (GERS) do Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente da UConn, em comunicado.

Ele acrescentou que “o satélite faz varreduras para frente e para trás, criando variações que parecem mudanças, mas são apenas diferenças nos ângulos de visão”.

O autor principal Tian Li destacou que, com esses dados diários, foi possível visualizar muitos sinais que antes eram quase invisíveis, como conflitos e crises, respostas a pandemias e mudanças nas políticas energéticas.

“Utilizamos múltiplas observações consecutivas para confirmar que as mudanças não são apenas ruído. É preciso haver uma anomalia sustentada para confirmar que algo realmente está mudando. Como resultado, podemos afirmar com segurança que a maioria dessas mudanças é causada por atividades humanas que aumentam ou diminuem a luminosidade”, apontou.

Planeta Terra à noite (Foto: Michala Garrison/NASA Earth Observatory)

Revelações do estudo

Segundo a pesquisa, houve um aumento líquido de 16% na luminosidade noturna global entre 2014 e 2022. Contudo, não se tratava de um aumento constante, e sim de um mosaico de variações regionais de brilho, influenciadas por diversos fatores.

Reportagem da Reuters relata que, em 2022, os Estados Unidos apresentaram, de longe, a maior luminosidade total entre todos os países, seguidos por China, Índia, Canadá e Brasil.

Outros resultados mostram que a radiação noturna global aumentou 34%, mas eventos de escurecimento simultâneo eliminaram 18% desse ganho, revelando um planeta muito mais turbulento do que se pensava anteriormente.

Além disso, essa “oscilação” global – a oscilação volátil entre escurecimento repentino e clareamento rápido – intensificou-se substancialmente desde 2020.

Os dados capturaram um escurecimento acentuado e prolongado na Ucrânia, correspondente à invasão russa, bem como sinais distintos de escurecimento na Síria e no Iémen devido ao conflito prolongado nestas regiões.

E, enquanto grande parte do mundo apresentou um aumento da luminosidade, a Europa revelou uma acentuada tendência de escurecimento, refletindo as contínuas e agressivas medidas de economia de energia e as intervenções políticas na última década.

“Podemos encarar essas dinâmicas como o pulsar da sociedade”, disse Zhu. “Com esses dados diários, podemos observar os impactos dos choques. Vemos como a sociedade reage a grandes perturbações. O escurecimento nem sempre é sinal de pobreza ou declínio; às vezes, como vimos na Europa, é sinal de adaptação e de políticas governamentais funcionando em tempo real.”

Fonte: Um Só Planeta

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