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Originário das margens dos rios amazônicos, o açaí deixou de ser apenas parte da culinária tradicional do Norte do Brasil para se transformar em um dos superalimentos mais disputados do mundo. O avanço global do fruto se explica por suas propriedades nutricionais — o fruto possui grandes quantidades de compostos bioativos e antioxidantes — e por um sabor que conquista consumidores em diferentes continentes.
O mercado internacional cresce em ritmo acelerado. Relatórios de pesquisa estimam que o setor atinja cerca de US$ 2 bilhões em 2025 e avance para US$ 3 bilhões até 2029. A procura por alimentos naturais e saudáveis, somada a mudanças no estilo de vida e à crescente preocupação com o bem-estar, coloca o açaí no centro das cadeias globais de alimentos funcionais, cosméticos e suplementos nutricionais.
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O Brasil segue como o maior protagonista dessa indústria. O estado do Pará responde por mais de 90% da colheita nacional, uma atividade que sustenta milhares de famílias ribeirinhas e que, nos últimos anos, atraiu investimentos em processamento, certificações e logística para atender aos padrões nacionais e internacionais.
Nos Estados Unidos, principal importador, o açaí já se tornou ingrediente comum em smoothies, bebidas energéticas e, especialmente, nos populares açaí bowls, que se multiplicam em cafeterias e redes especializadas. Marcas que atuam no setor têm apostado em produtos mais inovadores, que combinem benefícios nutricionais com apelo indulgente e refrescante, ampliando o alcance do fruto no mercado premium.
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Apesar da expansão, a cadeia produtiva enfrenta desafios relevantes. A colheita, em grande parte manual, é sazonal e exige mão de obra intensiva, frequentemente familiar. O fruto também exige cuidados rígidos no pós-colheita: é sensível à temperatura e ao contato com o oxigênio, o que torna indispensável uma cadeia de frio eficiente para preservar suas características nutricionais e sensoriais. Além disso, a crescente demanda global pressiona ecossistemas amazônicos, sobretudo em áreas onde o manejo não acompanha práticas sustentáveis. A busca por certificações — como orgânico e Rainforest Alliance — agrega valor ao produto, mas eleva custos de produção e comercialização.
Ainda assim, o setor segue promissor. O açaí está alinhado a tendências contemporâneas de consumo — como alimentação saudável, rastreabilidade e impacto socioambiental positivo — e oferece grande versatilidade comercial, podendo ser vendido como polpa, pó, preparados, sorbets e snacks.
De fruta regional a ícone global do bem-estar, o açaí vive seu momento de protagonismo. E tudo indica que a trajetória continuará: com inovação, expansão de mercado e maior conscientização ambiental, o fruto amazônico caminha para consolidar-se como uma das commodities naturais mais valiosas da próxima década.
Renata De Marchi
PhD in food science and nutrition