50% dos bancários devem parar hoje

Bancários de todo o País, incluindo Botucatu e cidades da região, entram em greve a partir de hoje para reivindicar reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Na cidade, o sindicato da categoria projeta adesão de cerca de 50% dos trabalhadores, com maior mobilização principalmente entre funcionários de bancos públicos.

Durante o período de paralisação, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) orienta os clientes a procurar canais alternativos para realizar transações bancárias, como sites ou atendimento por telefone. 

Em Bauru, a greve por tempo indeterminado foi deliberada em assembleia realizada em 29 de agosto, após os bancos oferecerem reajuste de 6,5% sobre o salário e benefícios – como vale-alimentação e auxílio-creche, além de abono no valor de R$ 3 mil. Os bancários em Bauru, contudo, reivindicam aumento salarial de 28%, referentes a perdas salariais entre 1994 e 1999, à média do crescimento percentual dos ativos dos cinco maiores bancos brasileiros e à inflação dos últimos 12 meses.

A pauta é diferenciada em relação ao restante do País (leia mais na página 16), que pede reajuste de 14,57%, sendo 5% de aumento real e 9,57% de reposição da inflação do último ano. A diferença se dá em virtude de o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região ser vinculado à CSP-Conlutas e o comando nacional, à Contraf/CUT.

“Nós também temos reivindicações específicas, como o fim das terceirizações, o fim das metas abusivas, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) linear e que aprovados em concursos públicos sejam convocados”, pontua Priscila Rodrigues, uma das diretoras do sindicato local. 

Bancos públicos

A expectativa da entidade é mobilizar, hoje, aproximadamente 50% dos 1,3 mil bancários de Bauru em 72 agências. Segundo Priscila, como vem ocorrendo historicamente, nos bancos públicos a adesão deve ser maior, com paralisação de 80% a 90% dos funcionários já no primeiro dia de greve.

“Outro fator que nos fortalece é que a proposta dos bancos foi rejeitada por todas as bases sindicais do País. Nos bancos privados, a adesão deve ficar entre 20% e 30%. Mas iremos realizar piquetes para encorajar os trabalhadores logo pela manhã”, adianta. Os grevistas irão se concentrar na Praça Rui Barbosa a partir das 9h e, de lá, partem para o trabalho de mobilização nas agências da região central.

Além de Bauru, o trabalho se estenderá aos demais municípios da região, onde outros 1,8 mil bancários atuam em 120 agências. A última greve nacional dos bancários, com a participação de Bauru, ocorreu em outubro de 2015 e durou 21 dias. Em meio à crise econômica brasileira, a categoria conseguiu um reajuste de 10%, com aumento real de apenas 0,11%.

Outro lado

Por meio de nota, a Fenaban informou que o aumento oferecido supera a inflação para a maior parte dos bancários, visto que envolve, além dos 6,5% de reajuste salarial, um abono de R$ 3 mil. “Somando ambos, para algumas faixas salariais o aumento chega a 15%”, conclui o texto do comunicado.

A Federação lembra, ainda, que a proposta inclui PLR, aumento no vale-alimentação (para R$ 523,48 mensais) e no vale-refeição (para R$ 694,54 mensais) – que a entidade afirma serem uns dos benefícios mais altos do mercado atualmente. 

Alternativas

Clientes que precisarem de serviços durante a paralisação deverão utilizar caixas eletrônicos ou ligar para as centrais de atendimento dos bancos. É possível consultar saldo ou fazer transferência via telefone, por exemplo.

Essas e outras funções também estão disponíveis nos sites dos bancos (internet banking) ou por meio de aplicativos para tablets e smartphones (mobile banking). Pagamentos de contas e saques também podem ser feitos em correspondentes bancários, como casas lotéricas, agências dos Correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados.

Segundo o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, devido à proximidade do quinto dia útil, uma comissão de retaguarda será mantida nas agências para auxiliar a população em caso de imprevistos.

Fonte: JCnet