08 de maio, 2026

Últimas:

Mineração cresce, mas municípios ainda sofrem impactos

Mineração cresce, mas municípios ainda sofrem impactos

Anúncios

A mineração é um dos pilares da economia brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) apontam faturamento de R$ 77,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o valor foi de R$ 73,8 bilhões. No mesmo intervalo, a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) totalizou R$ 7,91 bilhões em 2025, a segunda maior marca histórica, segundo dados da entidade.

No dia 7 de maio, celebrado como Dia Mundial da Mineração, representantes da Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) destacaram que o crescimento econômico do setor não tem sido acompanhado por melhorias nas condições de vida das comunidades onde as atividades são desenvolvidas.

Anúncios

O Brasil voltou a ocupar posição de destaque no cenário global devido às suas reservas de terras raras e minerais críticos, essenciais para a transição energética e para a indústria de tecnologia. Marco Antônio Lage, presidente da AMIG Brasil, alertou que "o protagonismo sem planejamento, regulação eficiente e visão de Estado pode significar apenas a repetição de um modelo histórico de exploração que concentra riqueza, amplia desigualdades e deixa pouco retorno efetivo para o país e para os municípios mineradores".

Lage ressaltou que o Congresso Nacional tem avançado em discussões legislativas para ampliar investimentos e destravar novos projetos, mas enfatizou a necessidade de enfrentar problemas estruturais da mineração tradicional antes de aprovar novas leis.

Anúncios

Estudos encomendados pela AMIG Brasil e realizados pelo IPEAD/UFMG revelam que o custo de vida nos municípios mineradores supera significativamente o das capitais regionais. Em Parauapebas, o custo de vida é 10,2% superior ao de Belém. Em Mariana, 9,4% acima de João Monlevade, e em Conceição do Mato Dentro, 6,3% a mais do que em Extrema.

O impacto é mais severo para famílias de baixa renda. Quem recebe um salário mínimo anual (R$ 18,2 mil) tem perda de poder de compra que varia de R$ 1,1 mil a R$ 1,8 mil por ano nas cidades mineradoras.

A cesta básica também é mais cara. Em Parauapebas, custa R$ 721,66, contra R$ 662,27 em Belém. Em Mariana, R$ 753,40, frente a R$ 737,19 de João Monlevade.

Os impactos se refletem em despesas específicas: aluguéis em Mariana, o aluguel é 27,5% mais caro que em João Monlevade. Em Conceição do Mato Dentro, despesas pessoais chegam a ser 25% mais altas que em Extrema. Já em Parauapebas, roupas custam quase 30% a mais que em Belém.

Waldir Salvador, consultor de Relações Institucionais e Econômicas da AMIG Brasil, afirmou que "os serviços públicos ficam pressionados e a população convive com distorções econômicas que beneficiam poucos setores, sem que haja uma política consistente de desenvolvimento regional sustentável". O consultor também apontou que a isenção de impostos sobre exportações minerais prevista na Lei Kandir reduz a capacidade de arrecadação dos municípios.

Segundo Salvador, "o país ainda enfrenta fragilidades institucionais, como perdas bilionárias por recolhimento inadequado de compensações financeiras, deficiência na fiscalização, carência de estrutura regulatória e insegurança jurídica". Ele destacou que "a legislação mineral brasileira permanece desatualizada frente à importância estratégica dos minerais críticos no cenário internacional".

O debate sobre terras raras, segundo o consultor, não pode ser conduzido apenas sob a lógica da pressa. "Repetir o modelo histórico de exportação de matéria‑prima bruta, sem agregação de valor, sem transferência tecnológica e sem fortalecimento da indústria nacional, significa manter o país preso à dependência externa", ponderou.

Embora o Brasil possua uma das maiores reservas de minerais críticos do planeta, Salvador observa que "o país ainda ocupa posição marginal nas cadeias globais de processamento e tecnologia, exportando recursos de baixo valor agregado e importando produtos industrializados de alto valor". Ele citou exemplos de nações que trataram minerais estratégicos como tema de Estado, construindo políticas industriais, fortalecendo cadeias produtivas nacionais e estabelecendo regras claras para garantir retorno econômico proporcional.

Para mudar esse cenário, Salvador defende a modernização do marco legal da mineração, o fortalecimento dos órgãos reguladores, a ampliação dos mecanismos de fiscalização e a garantia de compensações mais justas aos municípios impactados. "É preciso decidir se o Brasil continuará sendo apenas fornecedor global de matéria‑prima ou se construirá soberania econômica sobre suas riquezas minerais", concluiu.

Talvez te interesse

Últimas

Minicurso foi estruturado em parceria com Matheus Muller, da GestãoMax, para ajudar indústrias B2B a classificar clientes, definir prioridades comerciais...

Categorias