06 de maio, 2026

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Canetas emagrecedoras podem elevar risco de cálculo biliar

Canetas emagrecedoras podem elevar risco de cálculo biliar

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O uso de medicamentos para controle da obesidade e do diabetes tipo 2, como os agonistas do receptor GLP-1 — conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras — tem sido associado ao aumento do risco de doenças da vesícula biliar, especialmente cálculos biliares, segundo revisão publicada na SAGE Journals.

A análise reúne ensaios clínicos e aponta que o risco é mais observado em tratamentos prolongados, com doses mais altas e perda de peso mais acentuada. De acordo com o trabalho, esses medicamentos podem reduzir o esvaziamento adequado da vesícula biliar e alterar a composição da bile, favorecendo a estagnação do líquido e a formação de cálculos.

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O Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião do aparelho digestivo, coloproctologista, especialista em cirurgia bariátrica e metabólica e fundador do Instituto Medicina em Foco, reforça que, além do emagrecimento rápido, o próprio efeito dessa classe terapêutica no sistema digestivo é um fator explicativo para esse risco. "As bulas atuais de semaglutida, tirzepatida e liraglutida já reconhecem associação com pedra na vesícula e até mesmo pancreatite biliar durante o tratamento".

O estudo conclui que, apesar dos benefícios no controle do peso e do diabetes, o uso desses medicamentos requer avaliação individualizada e acompanhamento clínico, especialmente em pacientes com fatores de risco para doenças biliares. O monitoramento de sintomas e a reavaliação da conduta terapêutica são indicados para reduzir a probabilidade de complicações durante o tratamento.

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De acordo com o médico, o risco tende a ser maior em pacientes do sexo feminino, em idade mais avançada, com obesidade, algumas condições metabólicas, perda de peso muito rápida e histórico prévio de cálculos biliares. "A medicação não deve ser vista isoladamente, visto que o contexto clínico do paciente pesa bastante. Doenças biliares prévias, jejum prolongado, dietas muito restritivas e grande variação ponderal também merecem atenção".

Diagnóstico e prevenção

O cirurgião explica que, na suspeita de colelitíase ou colecistite, a investigação da vesícula biliar é indicada, conforme já alertam as próprias bulas desses medicamentos. Segundo ele, o ultrassom é o exame inicial de escolha nesses casos e também pode ser útil antes do início do tratamento para identificar cálculos, lama biliar ou alterações prévias na vesícula. Em situações selecionadas, a ecoendoscopia pode complementar essa avaliação.

Além disso, se houver dor abdominal importante durante o uso da medicação, a orientação é buscar um serviço de urgência para avaliação clínica e realização de exames como ultrassom abdominal, lipase e amilase. Sintomas como dor persistente, vômitos, febre, icterícia ou piora progressiva do quadro podem indicar inflamação na vesícula biliar ou pancreatite e exigem investigação imediata.

Para o especialista, apesar de não existir um protocolo universal de rastreamento por imagem para todos os pacientes assintomáticos, existe a necessidade de acompanhamento clínico regular para avaliar resposta ao tratamento, velocidade de perda de peso, tolerabilidade, presença de sintomas digestivos persistentes e sinais de alerta para complicações biliares ou pancreáticas. "Em pacientes de maior risco, a vigilância deve ser mais individualizada".

Segundo o Dr. Rodrigo Barbosa, pacientes em uso de canetas emagrecedoras podem adotar medidas preventivas para reduzir o risco de pedras na vesícula, como evitar perda de peso excessivamente rápida, fazer o tratamento com acompanhamento médico, seguir o escalonamento correto das doses e não banalizar sintomas persistentes.

"Também é importante manter uma alimentação orientada, evitar dietas extremas e informar ao médico se já existe histórico de cálculos, crises biliares ou doença da vesícula. O objetivo não é interromper um tratamento eficaz, mas conduzi-lo com mais segurança", enfatiza o especialista em cirurgia bariátrica e metabólica.

O fundador do Instituto Medicina em Foco ressalta que médicos e especialistas devem orientar melhor os pacientes sobre os riscos biliares e se comunicar com equilíbrio, sem desestimular o tratamento da obesidade.

"Essas medicações precisam ser usadas com critério, acompanhamento e informação clara. O paciente deve entender que efeitos gastrointestinais leves podem ocorrer, mas dor abdominal importante, febre, icterícia, vômitos persistentes ou piora progressiva exigem investigação", conclui.

Para mais informações, basta acessar a página do Instituto Medicina em Foco.

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