23 de fevereiro, 2026

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Campanha Março Azul alerta para o câncer colorretal

Campanha Março Azul alerta para o câncer colorretal

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Realizada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a campanha Março Azul chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer de intestino. Também chamado de câncer colorretal (CCR), a neoplasia está entre os tumores malignos mais prevalentes no mundo.

A campanha internacional National Colorectal Cancer Awareness Month foi iniciada nos Estados Unidos no início dos anos 2000 para prevenir e diagnosticar precocemente a doença, que tem altas chances de cura se detectada precocemente. De acordo com a última estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 53.810 novos casos de câncer colorretal para cada ano do triênio 2026-2028.

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Neste ano, o tema da campanha Março Azul é ‘Jornada da Vida’. A mobilização nacional visa ampliar a detecção precoce da doença e tem como público-alvo homens e mulheres entre 45 e 70 anos de idade. Um dos objetivos é difundir um gesto simples no cuidado com a saúde: a realização do teste FIT, exame utilizado para detectar sangue oculto nas fezes. Apesar disso, a colonoscopia é considerada o padrão-ouro para a detecção do câncer de intestino, uma vez que o exame permite a visualização detalhada da mucosa intestinal e a identificação precoce de lesões.

Recentemente, pesquisadores japoneses realizaram uma revisão de literatura com o objetivo de fornecer uma visão geral do papel da microbiota intestinal relacionada ao câncer colorretal. Segundo os cientistas, a carcinogênese da neoplasia está associada a fatores genéticos e ambientais, como variantes genômicas patogênicas, metilação do DNA genômico, dieta ou tabagismo. "Mas, além disso, está ficando claro que a microbiota intestinal também está associada à carcinogênese do câncer colorretal", afirmam.

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Microbiota e probióticos
No artigo ‘Probiotics and cancer’, os cientistas acentuam que, na medicina, vários estudos já desenvolvidos demonstraram que os probióticos podem ajudar a melhorar o sistema imunológico e a saúde intestinal. Os autores resumem, nesta revisão científica, as interações entre os probióticos e o hospedeiro, bem como o conhecimento atual sobre os prós e contras da utilização de probióticos em pacientes com câncer.

Segundo os autores da revisão, os estudos já desenvolvidos mostram, por exemplo, que os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) produzidos pelas bactérias intestinais são a fonte de energia das células do cólon. Dessa forma, conseguem manter o ambiente ácido do intestino, inibindo a formação de altos níveis de ácidos biliares secundários e promovendo acidose e apoptose (morte celular programada) de células cancerígenas.

Ainda de acordo com esses cientistas, embora os AGCC sejam derivados da microbiota intestinal, devido a diferenças individuais, a quantidade produzida pode não ser suficiente para inibir o desenvolvimento do câncer colorretal. "Portanto, o consumo de probióticos pode ajudar a aumentar a produção diária de ácidos graxos de cadeia curta no intestino", sinalizam.

Adjuvantes no tratamento
Em geral, a maioria dos casos de câncer de intestino é tratada com uma combinação de quimioterapia, cirurgia (colectomia), terapia direcionada a moléculas e imunoterapia. O tratamento mais prevalente, entretanto, é uma combinação de cirurgia e quimioterapia. Embora seja uma terapia fundamental no tratamento, a quimioterapia pode trazer efeitos colaterais desconfortáveis que prejudicam a qualidade de vida dos pacientes. "Estudos e dados clínicos mostram que a quimioterapia pode levar a complicações gastrointestinais como náuseas, refluxo ácido, dor abdominal, distensão abdominal, constipação e diarreia", sinaliza a engenheira de alimentos Helena Sanae Kajikawa, gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult do Brasil.

Um estudo desenvolvido na China avaliou os papéis potenciais do uso de probióticos no pós-operatório para atenuar as complicações gastrointestinais e da microbiota intestinal perturbada em pacientes com câncer colorretal submetidos à quimioterapia. Para o experimento, foram recrutados 100 pacientes tratados com cirurgia radical e que precisavam receber quimioterapia. "Os resultados mostraram que a administração de probióticos poderia efetivamente reduzir as complicações gastrointestinais induzidas pela quimioterapia, particularmente na diarreia", comenta a gerente da Yakult. Além disso, os autores do estudo mostraram que a quimioterapia reduziu os índices de diversidade bacteriana da microbiota intestinal em pacientes com CCR, o que poderia ser significativamente aumentado pela ingestão de probióticos.

No estudo ‘Probiotics in colorectal cancer prevention and therapy: mechanisms, benefits, and challenges’ (Probióticos na prevenção e terapia do câncer colorretal: mecanismos, benefícios e desafios), cientistas do Cazaquistão afirmam que os probióticos têm apresentado efeitos benéficos na saúde, como imunomodulação, atividade antioxidante, antagonismo contra espécies patogênicas, exclusão por adesão à barreira mucosa e produção de compostos antimicrobianos, como bacteriocinas. "Ademais, os probióticos demonstraram exibir atividades anticarcinogênicas in vitro (laboratório) e in vivo (estudo com animais)", relatam os autores. Além disso, também já foram demonstradas atividades anti-inflamatórias e manutenção da barreira mucosa. Devido a essas qualidades funcionais ligadas direta ou indiretamente ao CCR, os cientistas acreditam que os probióticos poderiam ser uma terapia adjuvante adequada para o câncer colorretal.

De acordo com a gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult do Brasil, Helena Sanae Kajikawa, o consumo de probióticos deve ser acompanhado pelo médico responsável pelo tratamento. Isso porque, apesar de auxiliarem na manutenção do equilíbrio da microbiota intestinal, cada probiótico proporciona benefícios únicos e específicos da cepa. "Todos os estudos citados, assim como muitos outros, mostram que os probióticos possuem potencial para auxiliar no tratamento do câncer colorretal. Porém, é fundamental ressaltar que qualquer intervenção deve ser feita apenas com orientação e prescrição médica", acentua.

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