23 de fevereiro, 2026

Últimas:

Da produção ao RH: moda acelera agenda socioambiental

Da produção ao RH: moda acelera agenda socioambiental

Anúncios

A transição sustentável na confecção brasileira começa a ganhar contornos mais concretos quando se observa onde as empresas estão colocando esforço e orçamento: reduzir consumo de água e energia, cortar desperdício na produção e dar destino correto ao que sobra. Um estudo realizado pelo IEMI – Inteligência de Mercado, "PESQUISA IEMI COM CONFECÇÕES BRASILEIRAS", com 280 indústrias do vestuário fornecedoras de grandes redes e certificadas, mostra que 46% já possuem programas de sustentabilidade na produção e comercialização, e entre as que contam com iniciativas estruturadas, a prioridade é eficiência de recursos (79%) e redução e reaproveitamento de resíduos têxteis (77%).

"Essa transição reflete não apenas uma resposta às exigências do mercado e dos consumidores, mas uma nova consciência sobre o impacto da moda no planeta. As empresas estão investindo para se tornarem mais eficientes, responsáveis e competitivas", afirma Marcelo Prado, consultor e diretor do IEMI.

Anúncios

Um dos ganchos mais diretos aponta que, em média, 7,2% do tecido usado vira retalho. Na prática, o número revela que esse desperdício pode virar oportunidade: 35% das empresas já conseguem manter perdas de até 5% nos tecidos, enquanto apenas 19% têm retalhos acima de 10% do total. Isso mostra que há espaço para reduzir custos e aproveitar melhor o material.

No mesmo bloco, o estudo aponta um movimento de maior controle sobre a destinação de resíduos industriais, com percentuais elevados para itens recorrentes na rotina da confecção: 99% indicam destinação correta para retalhos e aviamentos, 85% para papéis e 76% para plásticos. Para lâmpadas e sucatas metálicas, o índice aparece em 73%.

Anúncios

A pesquisa também captura uma virada importante na escolha de materiais. Atualmente, 16% das empresas dizem utilizar matérias-primas certificadas e recicladas e, dentro desse grupo, 65% relatam que estão ampliando o consumo.

Além disso, metas associadas à transparência e rastreabilidade já aparecem entre os objetivos dos programas de sustentabilidade (26%), ao lado de redução de emissões (24%) e práticas de economia circular como upcycling, que transforma os resíduos em novos materiais, e logística reversa (22%).

Sustentabilidade vira linha de orçamento e puxa apoio externo

Entre as empresas que já têm programa ambiental, 35% afirmam possuir orçamento específico e 40% dizem que ainda não têm, mas pretendem destinar recursos no futuro. Para quem tem orçamento, a média informada é de 3,6% do faturamento, e 22% contrataram assessoria externa para apoiar a implantação.

No eixo social, o levantamento indica que políticas de diversidade, equidade e inclusão já estão presentes em 80% das empresas pesquisadas. Dentro desse grupo, 27% dizem ter programas totalmente implantados e 66% estão em fase de implantação, sinalizando maturação gradual das práticas. Os objetivos mais citados nessas políticas são combate à discriminação e preconceito (81%), acessibilidade para PcD (61%) e promoção de igualdade salarial (60%).

Quando perguntadas sobre prioridades, as empresas colocam raça e etnia em primeiro lugar (87%), seguidas por gênero com foco em proteção e valorização das mulheres (64%) e inclusão de pessoas com deficiência (63%).

A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) acompanha de perto esse movimento por meio do PROGRAMA ABVTEX, iniciativa que estabelece critérios socioambientais para fornecedores do varejo de moda e estimula a adoção de boas práticas em toda a cadeia. Ao reunir grandes redes e indústrias certificadas em torno de padrões comuns de conformidade, rastreabilidade e responsabilidade social, a entidade tem contribuído para estruturar avanços concretos em eficiência produtiva, gestão de resíduos e políticas de diversidade no setor.

"A pesquisa evidencia que a sustentabilidade deixou de ser um discurso e passou a integrar a gestão das confecções, da sala de corte ao RH. Vemos um setor que compreende que eficiência produtiva, destinação correta de resíduos e promoção de equidade caminham juntas. Transformar retalhos em indicador de desempenho e incorporar metas de rastreabilidade e inclusão demonstra que a cadeia está amadurecendo e assumindo um compromisso mais consistente com responsabilidade e competitividade", afirma Angela Bozzon, gerente do PROGRAMA ABVTEX.

Talvez te interesse

Últimas

Levantamento com 280 fornecedoras aponta avanço de programas de sustentabilidade, foco em reaproveitamento de resíduos e em aplicação de políticas...

Categorias