18 de maio, 2026

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Publicidade digital cresce 12,7% no Brasil e pede integração

Publicidade digital cresce 12,7% no Brasil e pede integração

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Os investimentos em publicidade digital no Brasil chegaram a R$ 42,7 bilhões em 2025, uma alta de 12,7% em relação ao ano anterior. O dado é do Digital AdSpend 2026, ano-base 2025, levantamento do IAB Brasil em parceria com o Ibope, divulgado em 29 de abril de 2026.

O estudo mostra que o digital segue como um dos principais destinos da verba publicitária no país. Na divisão por canais, social media concentrou 55% dos investimentos, seguida por search, com 26%, e publishers e verticais de conteúdo, com 19%. Em formatos, o vídeo liderou a participação, com 49% dos aportes.

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O crescimento ocorre em um momento de mudança na operação das campanhas. A inteligência artificial passou a acelerar etapas de criação, segmentação, análise e otimização de mídia. Segundo a pesquisa Decodificando os Desafios da IA no Mercado de Publicidade Digital – Edição 2026, do IAB Brasil em parceria com a Nielsen, 80% dos respondentes afirmam que suas empresas usam IA nas estratégias de marketing ou nas de seus clientes.
 
O mesmo levantamento indica que a tecnologia passou a ser usada em atividades ligadas a dados e desempenho. Em 2026, a análise de dados e geração de insights foi citada por 90% dos entrevistados, contra 68% em 2025. A criação de conteúdo também aparece entre as principais frentes, com 73% em 2026, e a otimização de campanhas foi mencionada por 51%.

Nas plataformas de anúncio, a automação também ganhou peso. Em publicação técnica divulgada em 2 de dezembro de 2024, a Meta apresentou o Andromeda, sistema de machine learning usado na etapa de recuperação de anúncios para selecionar, entre milhões de candidatos, os anúncios mais relevantes para cada pessoa. A própria Meta afirma que o avanço de ferramentas generativas tende a ampliar significativamente o volume de criativos disponíveis nos sistemas de recomendação.

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Esse cenário muda a forma como empresas avaliam campanhas. Não basta ampliar o número de peças, públicos ou formatos se os sinais enviados do CRM às plataformas continuam desconectados (sem retorno do resultado comercial não tem como otimizar CAC). No mercado de mídia paga, discussões como volume criativo, identificação de peças e Entity IDs passaram a reforçar uma diferença importante: variações muito parecidas podem aumentar a quantidade de anúncios, mas não necessariamente aumentam a qualidade dos sinais usados pelo algoritmo.
 
Para Guilherme Lacerda, consultor de marketing, especializado em performance e conversão, o aumento da verba digital exige uma leitura mais integrada dos dados. “As áreas de Mídia, CRM e vendas precisam estar integradas para as empresas obterem melhoria de CAC e crescimento real. Se você usa “Lead” como objetivo de campanha e a Meta te traz volume mas ignora completamente a qualidade, então ela está fazendo exatamente o que você pediu. O objetivo da campanha precisa corresponder com o resultado do que você quer gerar, como por exemplo: SQLs, agendamentos e vendas.”, afirma Guilherme Lacerda.

A integração se torna ainda mais relevante quando a jornada de compra não acontece apenas em uma página ou formulário. O WhatsApp, por exemplo, consolidou-se como canal de venda e atendimento para muitas empresas brasileiras. Segundo a pesquisa Panorama Zenvia: O que Faz Empresas Venderem Mais Colocando o Cliente no Centro, realizada pela Zenvia em parceria com a Opinion Box e divulgada em 6 de fevereiro de 2026, 88% das empresas usam o aplicativo em estratégias comerciais e 65% o apontam como o canal que mais gera conversão.

O mesmo levantamento indicou obstáculos operacionais que afetam a eficiência dessas jornadas. A dificuldade para localizar dados foi citada por 27% das empresas, enquanto a falta de integração entre ferramentas apareceu com 26%. Esses números mostram que a presença em canais digitais não resolve, sozinha, o desafio da mensuração.

Para operações que dependem de WhatsApp, formulários, ligações, reuniões comerciais e propostas, o resultado de uma campanha não termina no clique. A qualidade do lead, o tempo de resposta, a etapa alcançada no CRM, a venda efetivada e o valor da receita gerada passam a compor a análise de desempenho. Nesse contexto, integrações entre CRM e plataformas de Ads, retorno de conversões, tracking server-side e uso estruturado de provedores da WhatsApp Business Platform ganham importância.

Segundo Lacerda, a principal mudança está na passagem de uma lógica de campanha isolada para uma lógica de sistema comercial mensurável. Search, social media, criativos, páginas, CRM, atendimento e dados de venda precisam operar de forma integrada e coordenada. Sem essa conexão, empresas podem otimizar anúncios para gerar volume, mas continuar sem clareza sobre quais campanhas geram oportunidades reais.

O movimento também aumenta o risco de adoção apressada de tendências, como o FOMO (sigla em inglês para Fear Of Missing Out, que significa “medo de ficar de fora”. É a sensação de ansiedade ou desconforto por acreditar que outras pessoas estão vivendo experiências mais incríveis, divertidas ou importantes que você.). A popularização da inteligência artificial estimulou promessas de automação rápida, produção em escala e redução de custos, mas o ganho de eficiência depende da qualidade dos dados, da clareza da oferta e da capacidade de medir o que acontece após a interação inicial do consumidor.

Com mais verba no digital, a exigência sobre a qualidade das decisões tende a crescer. Para empresas que buscam geração de demanda, leads qualificados e vendas com previsibilidade, a mensuração passa a ser parte central da estratégia. A expansão do mercado publicitário digital no Brasil indica não apenas aumento de investimento, mas também maior pressão por integração entre tecnologia, mídia e receita.

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