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O avanço das tecnologias digitais tem alterado de forma significativa a maneira como as pessoas aprendem, se informam e se concentram. A popularização de ferramentas baseadas em inteligência artificial, aliada ao consumo acelerado de conteúdos em plataformas digitais, tem ampliado a produtividade em diversas atividades, mas também levantado alertas sobre os impactos desse ritmo no processo de aprendizagem.
Estudos na área de cognição indicam que a exposição constante a estímulos rápidos e fragmentados pode comprometer a capacidade de concentração e a assimilação de informações complexas. Pesquisa publicada na revista científica Nature Communications aponta que a alternância frequente entre tarefas e o consumo de conteúdos curtos estão associados à redução da atenção sustentada e da retenção de informações no longo prazo.
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Nesse contexto, ferramentas de inteligência artificial passaram a ser utilizadas para organizar rotinas, automatizar tarefas repetitivas e apoiar processos de aprendizagem personalizados. O uso dessas tecnologias permite que profissionais e estudantes ganhem eficiência operacional, mas também exige cuidado para que a velocidade proporcionada pelos recursos digitais não substitua etapas fundamentais de análise, reflexão e aprofundamento teórico.
O consumo predominante de informações em formatos breves, especialmente em plataformas de vídeos curtos, tende a reforçar padrões de aprendizado mais superficiais. A lógica da gratificação instantânea favorece respostas rápidas e pouco elaboradas, dificultando a construção de uma base sólida de conhecimento e o desenvolvimento da capacidade crítica.
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De acordo com Edílson Bezerra das Chagas, professor do Centro Universitário Paulistana, a inteligência artificial pode ser uma aliada importante no processo educacional, desde que seja integrada a práticas de estudo estruturadas. Segundo ele, o uso da tecnologia deve complementar o aprendizado, sem substituir o tempo dedicado à leitura, à reflexão e ao pensamento crítico.
Pesquisas acadêmicas nas áreas de educação e neurociência indicam que estratégias de estudo mais aprofundadas contribuem para uma aprendizagem mais consistente. Estudos sobre a relação entre neurociência e educação, desenvolvidos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), apontam que a leitura de livros, artigos acadêmicos e materiais densos favorece a formulação de questionamentos mais qualificados e a compreensão contextualizada dos temas, inclusive quando ferramentas de inteligência artificial são utilizadas como apoio.
Nesse sentido, obras como Deep Work, do pesquisador Cal Newport, e Thinking, Fast and Slow, do psicólogo e economista Daniel Kahneman, destacam a importância de um pensamento mais concentrado, deliberado e analítico para o desenvolvimento intelectual. A utilização consciente da inteligência artificial exige a capacidade de questionar, interpretar e validar criticamente as informações geradas.
Para Angelo Toyokiti Yasui, pró-reitor do Centro Universitário Paulistana, o principal desafio está em equilibrar a eficiência proporcionada pelas tecnologias digitais com a profundidade do conhecimento humano. "A integração entre inteligência artificial e reflexão crítica pode potencializar o aprendizado, desde que a rapidez da era digital não substitua o tempo necessário para análise, compreensão e construção de saberes duradouros", afirma.