01 de fevereiro, 2026

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Farmacêutico comenta sobre a logística nas compras da saúde

Farmacêutico comenta sobre a logística nas compras da saúde

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Em agosto de 2025, o governo federal anunciou R$ 2,4 bilhões para a aquisição de mais de 10 mil equipamentos de saúde para atendimento básico e cirurgias, com margem de preferência para produtos feitos no Brasil e com tecnologia nacional. Os editais fazem parte do PAC-Saúde e sinalizam demanda continuada por itens médico-hospitalares no setor público. Essa medida busca reduzir a dependência de importados, estimular a cadeia produtiva local e gerar empregos. A meta é ampliar a capacidade assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecer a indústria nacional.

Nos estados, o movimento se reflete na renovação de parques tecnológicos. No Pará, o Hospital Regional de Santarém recebeu novos equipamentos para média e alta complexidade, reforçando cirurgias e diagnóstico e sinalizando a continuidade de investimentos descentralizados em infraestrutura hospitalar. O objetivo é melhorar a infraestrutura hospitalar e ampliar a capacidade de atendimento, além de modernizar os serviços em regiões que ainda enfrentam desafios assistenciais. Essas compras fortalecem não apenas o SUS, mas também a indústria e a logística do setor.

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O ambiente de compras é pressionado por agendas assistenciais e por emergências climáticas e sanitárias. Essa concentração de recursos pode ser observada também na Amazônia, onde operações logísticas complexas são realizadas para assegurar o fornecimento de medicamentos e insumos aos municípios do interior. No Amazonas, a Operação Cheia 2025 organizou o envio de kits de medicamentos e insumos a municípios do interior, com montagem centralizada e distribuição planejada para alcançar dezenas de milhares de pessoas — um teste de estresse para logística pública e contratos de fornecimento.

Para Rodrigo Salvo Henriques, diretor de Distribuição Farmacêutica, Qualidade e Otimização da Cadeia de Suprimentos de Saúde, programas como a "Operação Cheia 2025" refletem a importância das compras públicas para sustentar o abastecimento em áreas de difícil acesso, garantindo a continuidade do tratamento de milhares de pacientes e a resposta rápida em emergências. "Levar insumos a regiões remotas, como no interior do Amazonas, exige rotinas sofisticadas de planejamento, monitoramento ambiental e rastreabilidade em tempo real. Esse é um diferencial competitivo que transforma contratos públicos em resultados sustentáveis para a população e para as empresas", destaca.

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Rodrigo aponta que a logística farmacêutica pode contribuir fortemente para o sucesso da Operação Cheia no Amazonas, oferecendo expertise em transporte multimodal, controle de temperatura, rastreabilidade e armazenamento seguro de medicamentos e insumos. Com infraestrutura já adaptada à realidade amazônica — combinando rotas fluviais, aéreas e terrestres —, o setor pode apoiar a Defesa Civil na criação de estoques estratégicos regionais e no envio rápido de suprimentos a comunidades isoladas, garantindo eficiência, segurança sanitária e continuidade do atendimento humanitário durante as enchentes.

Entidades representantes de empresas e consumidores da saúde estão acompanhando as movimentações legislativas sobre a venda de medicamentos em supermercados. Rodrigo também comenta que as mudanças regulatórias, como a proposta de permitir a venda de medicamentos em supermercados, impactam farmácias, profissionais farmacêuticos, segurança, fiscalização, além de repercussões para distribuição, margens e competição. Para ele, a inovação precisa ser acompanhada de rígidos protocolos de segurança. "É fundamental que o avanço da distribuição seja sustentado por boas práticas de armazenamento e controle de temperatura. Só assim o paciente terá acesso ampliado sem renunciar à eficácia terapêutica e à conformidade regulatória", alerta.

A trajetória profissional de Rodrigo Salvo Henriques dá suporte concreto à sua visão. Com experiência em planejamento de estoques, transporte de última milha e rastreabilidade, ele já liderou adaptações operacionais para cumprir requisitos rigorosos, licenças estaduais de distribuidores atacadistas, Boas Práticas de Fabricação Atuais (cGMP) e a Lei de Segurança da Cadeia de Suprimentos de Medicamentos (DSCSA), implementando Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) que garantem integridade do produto, controle ambiental e prontidão para auditorias.

Em Manaus, Rodrigo, que é autor de artigos de opinião sobre o setor farmacêutico no portal especializado Revista da Farmácia e também autor de e-books sobre compras públicas e protocolos de farmácia, teve papel crucial na distribuição de insumos cirúrgicos, com validação documental, negociação e logística fim a fim. Durante a pandemia, coordenou a aquisição e a distribuição de testes rápidos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o Governo do Amazonas, adaptando a logística à realidade amazônica — inclusive com entregas a distritos indígenas — e ampliando a capacidade de testagem.

Para Rodrigo, farmacêutico e bioquímico com mais de 15 anos de experiência em compras públicas, farmácia hospitalar e logística farmacêutica, a distribuição farmacêutica moderna exige muito mais do que transporte e armazenamento. "Quando aplicamos sistemas interoperáveis de rastreamento e monitoramento de temperatura em tempo real, garantimos que cada medicamento mantenha sua eficácia terapêutica até o ponto final de entrega, seja um hospital de grande porte ou uma unidade básica em área remota. Esse é o verdadeiro papel da logística farmacêutica: assegurar que o produto chegue ao paciente com a mesma qualidade que saiu da fábrica".

O especialista ressalta que o futuro da eficiência nas compras públicas depende de três pilares: digitalização dos fluxos de trabalho, padronização de processos regulatórios e fortalecimento da cadeia de suprimentos. "Com o uso de sistemas interoperáveis de rastreabilidade, catálogos padronizados e procedimentos operacionais precisos, conseguimos reduzir perdas, melhorar a eficiência das entregas e assegurar conformidade regulatória. É esse tipo de gestão que transforma investimento público em impacto social real", conclui Rodrigo.

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